Coloque na balança

Juro menor leva investidor a analisar aplicações

Aplicador que migrar para renda fixa precisa ficar atento na taxa de administração cobrada por bancos, que leva parte do ganho

07/05/2012 - 20h35min

Acostumados a rendimentos garantidos por juros altos, poupadores são induzidos agora a mudar de comportamento diante do dinheiro.

Para conseguir ganhos maiores, investidores terão de se debruçar sobre as aplicações financeiras, observando taxas e impostos cobrados.

A mudança na forma de acompanhar os rendimentos foi suscitada pelas novas regras da caderneta de poupança. Desde a semana passada, os ganhos da aplicação passaram a ser atrelados à taxa básica de juro (Selic). Sempre que a taxa for menor ou igual a 8,5%, o rendimento será de 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR). A medida foi tomada para equilibrar a rentabilidade da poupança com fundos DI e renda fixa, que tiveram os ganhos reduzidos em razão dos consecutivos cortes feitos pelo Banco Central.

— A época de juros enormes acabou. Chegou a hora dos poupadores cuidarem melhor dos investimentos, ficando mais atentos aos custos efetivos das aplicações — explica Samy Dana, professor da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo.

Para conseguir rendimentos maiores do que da caderneta de poupança, o investidor terá de se ater basicamente a dois fatores: as alíquotas de Imposto de Renda incidentes sobre fundos de renda fixa e o custo do investimento — a taxa de administração cobrada pelos bancos para cuidar do dinheiro investido.

— Há bancos que chegam a cobrar 4% de taxa de administração e as pessoas nem dão conta disso — afirma José Dutra Vieira Sobrinho, professor de matemática financeira do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).

Com a taxa Selic igual ou menor a 8,5%, os fundos de investimentos só conseguem superar os rendimentos da poupança se tiverem uma taxa de administração inferior a 1% (veja simulações no topo da página).

As mudanças nos rendimentos da poupança e, consequentemente, no comportamento dos poupadores refletem uma nova realidade econômica, explica Pedro Fonseca, professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

— O Brasil está seguindo uma tendência internacional, de baixar juros. Nossos juros são resquícios de períodos passados de alta da inflação — explica Fonseca.

Mesmo com esse novo cenário, o professor salienta que a poupança ainda é a melhor opção para valores pequenos.

Renda variável pode ser opção

Para quem quer fazer o dinheiro render mais na mão de terceiros, necessariamente terá de correr maior risco. As opções mais comuns são o mercado de capitais e opções de renda variável — como fundo de ações de empresas e fundos multimercados (renda fixa e bolsa de valores).

Contudo, tanto o dinheiro aplicado na bolsa ou em fundos de renda variável não devem ser investimentos de curto prazo.

— O dinheiro que vai para o risco é aquele que você não conta em uma data certa. A maior parcela do patrimônio deve ficar em ativos de renda fixa — explica o presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec-Sul), Marco Antônio dos Santos Martins.

No mercado de capitais ou renda variável, os cuidados são basicamente os mesmos: taxa de administração, histórico das empresas que vendem suas ações e composição dos fundos.

— Mas, em qualquer situação, a melhor maneira de diluir o risco é diversificando a carteira de aplicações — acrescenta Martins.

 
 
 
 
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