Caminhões parados

Justiça veta bloqueio em rodovias

Manifestações previstas para esta quarta-feira poderão bloquear acesso a porto de Rio Grande e saídas para Santa Catarina e Argentina

Atualizada em 25/07/2012 | 00h0524/07/2012 | 21h37

Sem apoio unânime dos motoristas, mas com a aprovação de empresas de transporte, é esperada para esta quarta-feira uma paralisação dos caminhoneiros em todo o país. Organizada pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), a greve pretende mobilizar 600 mil profissionais. No meio da noite de terça-feira, a Justiça Federal concedeu liminar a um pedido de proibição de bloqueios em rodovias federais no Estado, destinada especificamente ao MUBC.

No Rio Grande do Sul, o MUBC estima que a maioria dos 85 mil motoristas autônomos cruzará os braços. A greve pode durar até 72 horas. Oficialmente, o órgão recomenda que os caminhoneiros não tirem os caminhões da garagem nesta quarta-feira, Dia do Motorista, mas antes da decisão judicial, admitia que "movimentos isolados" poderiam bloquear o acesso ao porto do Rio Grande e saídas do Estado para Santa Catarina e Argentina.

– É difícil prever onde haverá bloqueio, possivelmente onde houver mais caminhões – afirmou à tarde de terça-feira Nélio Botelho, diretor da MUBC, que à noite não foi encontrado para comentar a proibição.

A Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (Fecam) decidiu se opor à paralisação, que protesta contra mudanças nas regras no transporte rodoviário de cargas aprovadas ou em estudo no Congresso Nacional e implementadas pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), como o fim da carta-frete e o cumprimento dos intervalos de 30 minutos a cada quatro horas ao volante.

Alinhada a uma posição da confederação nacional do setor, a Fecam disparou um comunicado aos sindicatos afiliados orientando-os a não aderir à greve. Também comunicou a autoridades rodoviárias do Estado que o protesto é uma iniciativa das empresas de transporte, não compartilhada pelos motoristas. A Fecam não atendeu a pedidos de entrevista. Os sindicatos de transportadores preveem que a adesão será mínima.

– As associações de motoristas preferem manter as negociações com a ANTT. As medidas recentes oneraram as grandes transportadoras, mas não prejudicaram o motorista autônomo – afirma Mauro Dias Justo, presidente do Sindicato Transportadores Autônomos de Três Cachoeiras.

Embora não apoie abertamente a greve, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado (Setcergs) "entende que o movimento é justo e atende a uma reivindicação dos motoristas", conforme José Carlos Silvano, presidente da entidade. O Setcergs avalia que muitas transportadoras suspenderão o tráfego durante a paralisação, para não colocar caminhões e cargas em risco.

As polícias rodoviárias federal e estadual estarão de prontidão ao longo do dia para evitar bloqueio ou atos de violência. Embora a proibição definida ontem à noite possa inibir bloqueios, não é garantia de que não haverá interrupções.

Trechos de estradas que podem sofrer bloqueio nesta quarta-feira:

Na BR-392: entre Pelotas e Rio Grande, entre Santa Maria e São Sepé e entre Santa Maria e Cruz Alta

Na BR-101, em Três Cachoeiras

Ponte de Uruguaiana — Paso de los Libres, na Argentina

BR-392, acesso a Julho de Castilhos

BR-101, em Terra de Areia

BR-287, acesso a Ijuí

Acesso ao Tecom no porto de Rio Grande

 
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