Revitalização

Indústria naval do Brasil atrai atenção global

Mercado movimentado pela demanda do setor de petróleo é apontado como o que mais cresce

20/08/2012 | 04h48
Indústria naval do Brasil atrai atenção global Eduardo Beleske/Agencia RBS
Montagem da P-53 foi a estreia do Estado no renascimento da indústria naval brasileira, focada no segmento de petróleo e gás Foto: Eduardo Beleske / Agencia RBS

A indústria naval e fabricantes de equipamentos para o setor de todo o mundo veem com atenção o mercado nacional.

O Brasil é apontado como o país que mais tem se desenvolvido nos últimos anos, tanto na construção de navios quanto em encomendas de sondas e plataformas para exploração marítima de petróleo.

— Todo o empresariado e o comércio marítimo internacional estão de olho no Brasil, porque somos o mercado que mais cresce — disse Augusto Mendonça, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav).

Na avaliação de Mendonça, a expansão da construção naval do país vai ajudar na recuperação da indústria em geral. Como exemplo, citou que, na época áurea da construção naval no país, na década de 1970, os estaleiros empregavam 40 mil pessoas.

Atualmente, o número de empregos diretos chega a 60 mil e, em no máximo três anos, a expectativa é de que chegue a 100 mil. A frota brasileira contabiliza 397 embarcações – navios de longo curso, de cabotagem e de navegação interior –, e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) estima demanda para mil embarcações até 2020. Necessidade, portanto, de mais 600 embarcações, principalmente para atender a exploração de petróleo e gás.

A demanda exige investimentos de aproximadamente R$ 55 bilhões nos próximos cinco anos, segundo estimativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os números da Antaq mostram que o Brasil tem hoje a quarta maior frota do mundo e é o terceiro mercado em produção, já como resultado da reativação possibilitada pela estabilidade financeira e pela decisão política de recuperar a indústria naval.

Nas décadas de 1980 e 1990, o setor quase desapareceu por problemas políticos e econômicos que determinaram até o naufrágio de uma das maiores empresas mundiais de navegação, a centenária Lloyd Brasileiro, lembra o oficial náutico da Vale, Luiz Gustavo Cruz.

Agora, porém, os estaleiros voltaram à ativa com mais investimentos e reativação da navegação de cabotagem (costeira), durante anos relegada ao abandono.

Como o Estado vem se firmando no cenário nacional do setor:

O INÍCIO
A montagem da P-53 foi a estreia do Estado no renascimento da indústria naval brasileira, focada no segmento de petróleo e gás.

A CONSOLIDAÇÃO
A construção do Estaleiro Rio Grande e a contratação da fabricação em série, como nas montadoras de automóveis, de oito cascos de plataforma do tipo FPSO cristalizou o polo naval de Rio Grande. Esses cascos são chamados na Petrobras, que fez a encomenda, de “replicantes”.

A DIVERSIFICAÇÃO
Na terça-feira, deve ser lançado o polo do Jacuí, garantido pela contratação de empresas localizadas em Charqueadas para fornecer módulos às plataformas originadas nos replicantes, confirma a diversificação geográfica no Estado.

 
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