Riqueza marinha

Os caçadores de tesouro no fundo do mar

Depois da recuperação de tesouros perdidos em navios afundados, como o Titanic, descobertas de depósitos rochosos ricos em minerais valiosos têm levado empresas a se dedicarem à exploração submarina

19/08/2012 | 10h15
Os caçadores de tesouro no fundo do mar ODYSSEY MARINE EXPLORATION/AFP
Foto: ODYSSEY MARINE EXPLORATION / AFP

Tom Dettweiler ganha a vida quilômetros abaixo da superfície. Ele ajudou a encontrar o transatlântico Titanic. Depois disso, suas equipes localizaram um submarino perdido cheio de ouro. No total, ele lançou luz sobre dezenas de navios desaparecidos. Agora, Dettweiler deixou de recuperar tesouros perdidos para se dedicar à prospecção de tesouros naturais que cobrem o fundo do mar: depósitos rochosos ricos em ouro e prata, cobre e cobalto, chumbo e zinco.

Essas descobertas estão alimentando uma corrida do ouro, com nações, empresas e empresários se apressando para reivindicar direitos sobre as áreas ricas em sulfureto presentes nas nascentes vulcânicas das geladas profundezas marinhas. Os exploradores – motivados pela diminuição dos recursos continentais e pelos valores recorde do ouro e outros metais – estão ocupados adquirindo amostras e aferindo depósitos no valor de trilhões de dólares.

– Nossa conquista foi enorme – disse Dettweiler, em recente entrevista sobre iniciativas de exploração de águas profundas de sua empresa, a Odyssey Marine Exploration, de Tampa, Flórida.

Os céticos costumavam comparar o garimpo submarino à busca por riquezas na lua. Não comparam mais. Os avanços da geologia marinha, as previsões de escassez de metal nas próximas décadas e a melhoria do acesso ao fundo do mar estão se combinando para torná-lo real. Ambientalistas têm expressado preocupação, dizendo que as pesquisas já realizadas sobre os riscos da mineração nos fundos marinhos são insuficientes. A indústria tem respondido por meio de estudos, garantias e conferências entusiasmadas.

Os avanços tecnológicos na área se concentram em robôs, sensores e outros equipamentos, alguns derivados da indústria de extração de petróleo e gás natural no fundo do mar. Os navios fazem descer equipamentos para exploração em longas correntes e conduzem ao fundo do mar brocas afiadas que perfuram o leito rochoso. Todo esse maquinário submarino aumenta a possibilidade de encontrar, mapear e recuperar riquezas do fundo do mar.

Potências industriais – inclusive grupos apoiados por governos de China, Japão e Coreia do Sul – estão em busca de sulfetos nos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. E empresas privadas, como a Odyssey, realizaram centenas de avaliações das profundezas e reivindicaram propriedade sobre sítios em zonas vulcânicas em torno de nações insulares do Pacífico: Fiji, Tonga, Vanuatu, Nova Zelândia, Ilhas Salomão e Papua Nova Guiné.

Onda de descobertas

Os cientistas costumavam pensar que a principal fonte de riqueza das profundezas repousava em rochas do tamanho de batatas que poderiam ser exploradas para a extração de metais como ferro e níquel. Nas décadas de 1960 e 1970, empresários tentaram trazê-las à superfície, mas os lucros não compensaram o custo elevado de exploração.

As coisas começaram a mudar em 1979, com a descoberta das “fumarolas negras”, torres sulfurosas que vertem jatos d’água de temperatura extremamente alta. As fumarolas revelaram ser indicadoras dos 74 mil quilômetros de fissuras vulcânicas encontradas nos leitos dos mares do planeta, parecidas com costuras de uma bola de beisebol.

Os cientistas descobriram que as fumarolas se formam quando a água quente passa pelas rochas vulcânicas, atinge a água gélida do leito do mar e lança uma grande variedade de minerais que coagulam lentamente em montículos e chaminés assombrosos.

A primeira onda de descobertas revelou que as fontes vulcânicas abrigam enorme variedade de criaturas, incluindo vermes poliquetas em forma de tubo. Depois, descobriu-se que esses locais eram compostos de minerais complexos que continham quantidades surpreendentes de cobre, prata e ouro.

Hoje, cada vez mais, as minas terrestres carecem de oferta rica em cobre, elemento importante da vida moderna, encontrado em tudo, desde tubos até computadores. Exploradores do fundo do mar encontraram minérios com uma pureza de pelo menos 10% – transformando obscuros depósitos em fontes de fortuna. O mesmo ocorreu no caso da prata e do ouro.

Quinze anos atrás, aspirantes a garimpeiros subaquáticos registraram pela primeira vez reivindicação de posse sobre uma área no leito do mar: a Nautilus Minerals conquistou o registro de propriedade de cerca de 5,1 mil quilômetros quadrados do fundo do mar da Papua Nova Guiné, rico em características vulcânicas. A empresa, com sede em Toronto, identificou dezenas de áreas como possíveis candidatas à mineração de fundos marinhos.

A China, maior consumidor mundial de cobre, ouro e outros metais industriais, utiliza navios para procurar minérios em alto-mar. O país desenvolve submarino conhecido como Jiaolong – nome de dragão marinho mítico – que pode transportar três pessoas a profundidade suficiente para investigar áreas onde há sulfeto. A Rússia entrou na corrida por minérios em 2011, França e Coreia do Sul, em maio. Recentemente, Seul realizou acordo para a prospecção de sulfeto nas ilhas Fiji.

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