Geral

Suspeitas em obras

Operação aponta fraude em barragem em Bagé e canais em Arambaré

Supostas irregularidades envolvem construções na metade sul do Estado

Integrantes da Polícia Federal buscas na barragem de Arvorezinha, em Bagé

Após um ano de investigações, Polícia Federal (PF) e Controladoria-Geral da União (CGU) desencadearam nesta terça-feira uma operação que desarticulou um suposto esquema de desvios de recursos públicos em duas obras públicas no Estado. As possíveis fraudes envolvem a construção da barragem de Arvorezinha, em Bagé, e dos canais do Projeto de Irrigação da Costa Doce, em Arambaré.

Foram cumpridos 27 mandados de busca e apreensão em oito cidades gaúchas, Brasília e Palmas (TO). Apesar de não ter envolvimento direto nas obras, a Magna Engenharia foi a empresa mais atingida pela ação. Como consequência da investigação, além de expedir os mandados, o juiz federal substituto da Vara Federal de Bagé, Gustavo Chies Cignachi, determinou que oito empresas e 12 pessoas tenham contratos com o poder público suspensos em todo o país. Das 12 pessoas, seis são ligadas à Magna, também incluída na medida que impede novas contratações, recebimento de recursos e bloqueio de bens dos investigados. Devido à latitude de Bagé, a operação foi batizada de Paralelo 31-S.

Desvios de recursos chegariam a R$ 12 milhões

Nos dois empreendimentos incluídos no PAC2 foram apontados desvios de R$ 12 milhões que, segundo a Polícia Federal, ocorreram pela fiscalização inexistente. A falta de controle teria permitido a compra de equipamentos por preços acima do mercado, além de serviços que, apesar de não terem sido feitos, foram considerados executados.

A empresa responsável pela execução das obras embargadas era a Marco Projetos e Construções. Era fiscalizada pela Engeplus Engenharia e Consultoria. As duas empresas são sócias de uma terceira e, pela Lei de Licitações, uma não pode fiscalizar a outra. Conforme a Polícia Federal, a Magna tem participação no capital da Marco, e a Engeplus seria formada por engenheiros que se desligaram da Magna.

- A Magna deu origem à Engeplus e à Marco Projetos. É um elo entre as duas - afirmou o delegado Carlos Fagundes Vieira, da PF de Bagé.

Segundo a Justiça Federal, a divulgação dos nomes tem o objetivo de reforçar a determinação de que cessem os contratos com o poder público.

Outras empresas envolvidas são Ecochapa Tecnologia Industrial (que têm Engeplus e Marco como sócias), ACL Assessoria e Consultoria (elaborou projeto básico de Arambaré com a Engeplus e depois foi incorporada pela empresa), Sampatricio Indústria e Comércio (fornecedora das motobombas para Arambaré), Asteca Topografia (investigada por medição de serviços não executados) e Civilpoa Empreendimentos e Construções (os donos seriam os mesmos da Marco).

Adiada solução para Bagé

O sonho da população de Bagé de acabar com o racionamento de água foi adiado. A operação da Polícia Federal (PF) parou o projeto da barragem de Arvorezinha, considerado a solução para o crônico problema da cidade, que sofre a carência de recursos hídricos há pelo menos três décadas.

O procurador da prefeitura de Bagé, Igor Machado, disse que irá se pronunciar sobre o assunto somente quando tiver acesso às informações. Nas ruas da cidade, pessoas mostraram indignação.

- Isto é muito ruim. Não tem ano, inclusive no inverno, que não tenhamos racionamento de água - comentou a comerciante Lelis Canto.

Um dos delegados encarregados do caso, Mauro Lima Silveira disse que entende o que significa a paralisação dessa obra para a cidade:

- Sou morador do município há sete anos. Mas estamos fazendo cumprir a lei.

Uma equipe da PF bloqueou a entrada principal da barragem, enquanto agentes fizeram buscas de computadores e documentos.

Contrapontos

Asteca Topografia Ltda e Alex Jardel de Mello
Uma pessoa que disse ser sócia do diretor técnico Alex Jardel de Mello, mas preferiu não se identificar, afirma que a Asteca está à disposição da polícia para mostrar que não há irregularidades. Segunda a sócia, a Asteca nunca participou de licitações. É subcontratada pela Marco Projetos para fazer levantamento topográfico.

Marco Projetos e Construções, Paulo Afonso Tergolina e Frederico Westphalen
Por meio de assessoria de imprensa, a empresa afirmou que ainda não teve acesso à investigação e que vai contribuir com as autoridades.

Civilpoa Empreendimentos e Construções Ltda
Ninguém foi encontrado para se manifestar.

Magna Engenharia, Roger da Silva Gazen, Fernando Furtado Fagundes, Edgar Hernandes Candia, Adejalmo Figueiredo Gazen, Rodrigo da Silva Gazen e Glauber Cândia Silveira
Ninguém foi encontrado para se manifestar.

Sampatricio Indústria e Comércio, Germano Severo Dornelles Patta e Juliano Patta
Ninguém foi encontrado para se manifestar.

ACL Assessoria e Consultoria
Ninguém foi encontrado para se manifestar.

Ecochapa Tecnologia Industrial
Ninguém foi encontrado para se manifestar.

Engeplus Engenharia e Consultoria e Jairo Faermann Barth
Não quiseram se manifestar.

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