Energia precária

Rio Grande do Sul corre risco de ter apagão no inverno, admite Agergs

Em audiência pública na Assembleia, dirigente da agência reguladora afirma que Estado não estava preparado para o alto consumo no verão

18/02/2014 | 11h27
Rio Grande do Sul corre risco de ter apagão no inverno, admite Agergs Marcello Casal Jr.,ABR/Agência Brasil
Rio Grande do Sul tem sofrido com quedas de energia durante o verão intenso deste ano Foto: Marcello Casal Jr.,ABR / Agência Brasil

O conselheiro-presidente da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do RS (Agergs), Carlos Martins, admitiu que o Rio Grande do Sul corre o risco de sofrer com novo apagão caso o inverno deste ano seja muito rigoroso. Em audiência pública na Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa, na manhã desta terça-feira, Martins disse que o Estado não estava preparado para o alto consumo de energia do verão, que bateu recordes de calor e teve mais temporais que o esperado.

"Não temos falta de energia, mas problemas para distribuir", diz presidente da Agergs

Segundo o conselheiro-presidente, até dezembro de 2013 as três principais concessionárias do Estado (AES Sul, CEEE e RGE) apresentavam índices satisfatórios na prestação de serviços. Esse cenário mudou em janeiro de 2014, quando as empresas não conseguiram lidar com a sobrecarga do verão.

Números informados pelo conselheiro-presidente na audiência apontam aumento de 59% no número de reclamações referentes ao serviço de energia no Rio Grande do Sul. De metade de dezembro a metade de fevereiro, foram 16 mil queixas de consumidores. Nos 60 dias anteriores, haviam sido 10 mil.

A principal meta, que avalia o tempo que o consumidor fica sem energia, deixou de ser cumprida a partir do primeiro mês do ano. A Agergs avalia que o principal problema da CEEE seriam as perdas não técnicas – ligações irregulares feitas por não consumidores, os conhecidos "gatos". Para a CEEE, esse número representa 30% do consumo, quando o tolerado pela Aneel são 15%. O responsável pela agênca reguladora diz que isso representa perda de capacidade de investimento.

Martins ainda afirmou que a Agergs, responsável por parte da fiscalização no Estado, só conseguirá manter pleno funcionamento caso aumente seu quadro de funcionários. Com o tamanho da atual equipe, a agência afirma que essa responsabilidade deverá ser repassada à Aneel.

– A Agergs não tem mais condições de fiscalizar com o quadro que tem – afirmou Martins.

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