No vermelho

Rombo nas contas externas do Brasil soma US$ 11,591 bilhões e bate recorde em janeiro

Números divulgados pelo Banco Central nesta sexta mostram que nos últimos 12 meses o saldo está negativo em mais de US$ 81 bilhões

21/02/2014 | 11h28

O déficit em transações correntes do Brasil somou US$ 11,591 bilhões no mês de janeiro, segundo informou o Banco Central nesta sexta-feira. O BC projetava que janeiro fecharia com déficit de R$ 11 bilhões. O défitic é o maior da série histórica do Banco Central, com início em 1980, informou o chefe do Departamento Econômico da instituição, Tulio Maciel. O recorde anterior para todos os meses do ano tinha sido registrado em janeiro de 2013, quando as contas externas ficaram negativas em US$ 11,350 bilhões.

De acordo com a autoridade monetária, a conta de rendas ficou negativa em US$ 4,345 bilhões. Já a conta de serviços foi negativa em US$ 3,359 bilhões. Essas saídas de recursos foram verificadas com o resultado negativo da balança comercial de US$ 4,058 bilhões e pelas transferências unilaterais positivas em US$ 171 milhões. No acumulado dos últimos 12 meses até janeiro deste ano, o saldo está negativo nas transações correntes está em US$ 81,615 bilhões, o que representa 3,67% do Produto Interno Bruto (PIB).

Investimentos estrangeiros superaram o valor do ano passado

Os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) somaram US$ 5,098 bilhões em janeiro, acima dos US$ 3,703 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Em 12 meses até janeiro deste ano, o IED está em US$ 81,615 bilhões, o que corresponde a 3,67% do PIB. A estimativa do BC para o IED em janeiro era de US$ 4,0 bilhões e para o ano todo é de US$ 63 bilhões.

Já o saldo de investimento estrangeiro em títulos de renda fixa negociados no País ficou positivo em US$ 2,633 bilhões em janeiro. No mesmo mês de 2013, o resultado havia sido positivo, mas muito menor, de US$ 69 milhões.

Em junho de 2013, o governo zerou o IOF sobre esse tipo de aplicação. O investimento em títulos negociados no exterior ficou positivo em US$ 1,371 bilhão em janeiro de 2014. No mesmo período do ano passado, o saldo dessas aplicações ficou positivo em US$ 676 milhões.

Na renda variável, o investimento estrangeiro em ações brasileiras, dentro e fora do País, ficou negativo em US$ 591 milhões em janeiro. No mesmo período do ano passado, estava positivo em US$ 3,645 bilhões. O saldo para ações negociadas no País ficou positivo em US$ 196 milhões em janeiro. Em relação aos papéis negociados no exterior, o investimento estrangeiro ficou negativo em US$ 787 milhões no mês passado.

Viagens internacionais tiveram déficit

A conta de viagens internacionais registrou um déficit de US$ 1,478 bilhão em janeiro, saldo resultado do volume de despesas pagas por brasileiros no exterior (US$ 2,120 bilhões) acima das receitas obtidas com turistas estrangeiros em passeio pelo Brasil (US$ 643 milhões). O saldo negativo foi menor do que o visto em janeiro de 2013, de US$ 1,603 bilhão. Para este ano, o BC projeta que a conta de viagens vai fechar deficitária em US$ 19 bilhões, acima dos US$ 18,632 bilhões registrados no acumulado do ano passado.

O saldo de remessas de lucros e dividendos ficou negativo em US$ 2,499 bilhões em janeiro. As receitas (US$ 22 milhões) ficaram abaixo das remessas (US$ 2,521 bilhões) no mês passado. No mesmo período de 2013, o resultado foi uma saída líquida de US$ 2,068 bilhões. O BC informou ainda que as despesas líquidas com juros externos somaram US$ 1,877 bilhão em janeiro. Em janeiro de 2012, o gasto com juros totalizara US$ 1,813 bilhão.

A taxa de rolagem de empréstimos de médio e longo prazos captados no exterior ficou em 123% em janeiro. A rolagem de papéis ficou em 391% no mês passado. Já a rolagem de empréstimos diretos teve uma taxa de 106%. No mesmo período do ano passado, a taxa geral foi de 172%, sendo 121% para papéis e 188% para empréstimos.

Os desembolsos foram de US$ 4,169 bilhões em empréstimos diretos no mês passado, ante US$ 2,397 bilhões no mesmo mês de 2013. As amortizações passaram de US$ 1,278 bilhão em janeiro de 2013 para US$ 3,924 bilhões no mesmo mês deste ano.

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