Possibilidade de greve

Empregados do polo naval de Jacuí fazem manifestação e podem entrar em greve na segunda-feira

Funcionários alegam que empresa não repassou pagamento de hora extra, fundo de garantia e parte do salário

13/03/2014 | 11h28

Cerca de 600 funcionários do polo naval do Jacuí, em Charqueadas, pararam durante 3 horas na manhã desta quinta-feira. Das 6h30min às 9h30min, os trabalhadores manifestaram-se alegando que a Iesa Óleo e Gás não repassou o pagamento da Petrobras referente a hora extra, fundo de garantia e parte dos salários.

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Após a manifestação, os trabalhadores voltaram ao trabalho. Eles devem trabalhar normalmente até segunda-feira, quando há uma reunião com a direção da Iesa. Se a situação não for resolvida, os trabalhadores ameaçam entrar em greve.

O que está em jogo

Risco para Rio Grande
Empresários e consultores descartam que a crise na Iesa tenha impacto na operação do polo naval de Rio Grande. Na zona sul do RS, a empresa tem fatia de 13% no consórcio Quip, que integra módulos a cascos de plataformas, com três equipamentos já entregues. Caso a situação da Iesa piore e tenha de deixar o consórcio, a hipótese mais provável é que os demais sócios cubram sua participação, uma vez que o negócio em Rio Grande é considerado bastante rentável.

Financiamento público
A frágil situação da Iesa pode causar perda aos cofres públicos: a empresa recebeu R$ 70 milhões do Banrisul em 2012 para erguer a unidade de produção em Charqueadas. O banco do Estado não informa qual o prazo para que o financiamento seja pago ou se há atraso, mas garante que, neste momento, "a operação corre com normalidade".

Origem dos problemas
No mercado, é difícil explicar como uma empresa que faz parte de um grupo mergulhado em problemas teria passado pelo sistema rigoroso das licitações da Petrobras. Na avaliação de executivos do setor, o mais provável é que a subsidiária Iesa tenha disputado o contrato "descolada" da holding problemática. Pelas informações de mercado, as dificuldades do grupo decorrem de negócios em outros setores, especialmente energia e telefonia. As perdas teriam se agravado nos últimos cinco anos, e, conforme especialistas em óleo e gás, teria levado a Inepar a drenar dinheiro de sua subsidiária de óleo e gás para cobrir prejuízos em outras operações. Em 2013, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) multou a Inepar em R$ 4,5 milhões por deslocar recursos da Inepar Indústria e Construções à controladora Inepar Participações.

Uma outra Iesa
A líder do polo de Charqueadas é a Iesa Óleo e Gás, empresa com sede em Araraquara (SP) e instalações em Macaé (RJ). No Rio Grande do Sul, é muito conhecido um grupo homônimo vinculado a concessionárias de veículos, sem nenhuma relação com a empresa que atua na construção de módulos de plataformas.

Gigantes montados aos pedaços
Cascos: oito bases de plataformas do tipo FPSO, também chamadas de navio-plataforma, estão sendo construídas em série no polo de Rio Grande. Também é onde os módulos são encaixados.
Módulos: é o que transforma o casco em plataforma. Parte desse equipamento deveria ser construída em Charqueadas, no polo de Jacuí. Os módulos formam a parte de cima das plataformas e incluem desde o alojamento para funcionários que trabalham e dormem a bordo até unidades de energia e as que que separam petróleo, água e gás.

 
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