Polêmica

Gerdau diz que também não sabia das cláusulas Put Option e Marlim ao aprovar compra de refinaria em Pasadena

Cláusula obrigou Petrobras a comprar 100% da refinaria, em negócio de mais de US$ 1 bilhão

21/03/2014 | 10h49

O empresário Jorge Gerdau Johannpeter, do grupo Gerdau, que ainda mantém cadeira no Conselho de Administração da Petrobras, afirmou nesta quinta-feira, por meio de nota que "ao aprovar em 2006 a operação de compra e 50% de participação na refinaria Pasadena não tinha conhecimento, como os demais conselheiros, das cláusulas Put Option e Marlim do contrato".

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A primeira dessas cláusulas obrigou a Petrobras, posteriormente, a comprar 100% a refinaria, dando prejuízos para a estatal. Essa é a mesma versão apresentada pela presidente Dilma Rousseff, à época presidente do conselho, para justificar seu apoio ao negócio que custou mais de US$ 1 bilhão.

Gerdau afirmou ainda na nota que o negócio foi decidido com base em "avaliações técnicas de consultorias com reconhecida experiência internacional, cujos pareceres apontavam para a validade e a oportunidade do negócio." Essas avaliações levavam em consideração as "boas" perspectivas econômicas daquele momento. "Entretanto, a crise global de 2008 alterou drasticamente o potencial de crescimento do mercado nos anos subsequentes."

O ex-conselheiro Claudio Luiz Haddad, economista e empresário, defendeu na quarta que o Conselho de Administração da estatal dispunha de informações "fundamentadas" para a aprovação da compra da refinaria. Segundo ele, o ex-diretor da área internacional, Nestor Cerveró, fez uma apresentação "consistente" do negócio e recomendou sua aprovação.

Haddad lembrou que as negociações foram assessoradas por uma instituição financeira, que também deu aval às condições de compra da refinaria.

– Ele (o banco) atestou que o preço se enquadrava à prática do mercado, e as condições eram normais. Sendo uma apresentação consistente, não havia nada que oferecesse qualquer tipo de dúvida – disse o ex-conselheiro.

A aprovação da compra de Pasadena foi a última participação de Haddad no colegiado da estatal, que no mês seguinte, em abril de 2006, ganhou nova formatação.

– Se houve omissão, não saberia dizer – completou.

Segundo o economista, a prática nas reuniões de Conselho era que um dos diretores das áreas pertinentes ao assunto debatido fizesse uma apresentação "substanciada" aos integrantes do colegiado.

– No caso, eram as diretorias de Internacional e de Refino e Abastecimento – completa.

Os cargos eram ocupados por Nestor Cerveró, que viajou para Europa na quarta-feira, e Paulo Roberto Costa, preso ontem pela Polícia Federal.

Haddad afirma ainda que na reunião a compra da refinaria de Pasadena foi defendida por Cerveró:

– Recomendou-se a aprovação. Jamais o conselho aprovaria uma operação se não estivesse bem fundamentada. O conselho é última instância. Quando chega ali, a administração já explorou exaustivamente vários pareceres.

Em nenhum momento, segundo ele, se questionou os altos valores do negócio, estimado em US$ 360 milhões.

Valores

Também não foi feita comparação com o valor pelo qual a refinaria foi adquirida um ano antes, pela empresa belga Astra Oil – US$ 42,5 milhões.

– Naqueles anos antecedentes a decisão, o preço do petróleo subiu bastante. Isso pode perfeitamente acontecer. As condições de mercado levam a uma mudança de patamar – defendeu.

Haddad diz que não acompanhou o caso após deixar o conselho. E prefere não avaliar se houve equívoco:

– Negócio é feito com base nas condições de mercado, ambiente e contexto da época. Se as condições mudam anos depois, para mal ou para bem, são coisas que acontecem. Tem sempre de ser julgado com base no contexto de quando a decisão é tomada.

 
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