Em alerta

Governo admite que acendeu "sinal amarelo" sobre falta de energia

Márcio Zimmermann disse que falta de chuva em fevereiro aumentou risco para o abastecimento

19/03/2014 | 14h04

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, citou nesta quarta-feira, o relatório da última reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), realizada na semana passada, que alterou de "baixíssima" para "baixa" a probabilidade de risco de para o abastecimento de energia, e admitiu que a mudança no termo ocorreu devido a um mês de fevereiro ruim em chuvas.

— Mas a não ser que ocorra uma seca pior do que se planejou, o sistema será atendido adequadamente — ressaltou.

Apesar da confiança no abastecimento, Zimmermann, disse que o governo acendeu o "sinal amarelo" a respeito do nível dos reservatórios.

— Quando estou num ano hidrológico bom, estou com sinal verde. Quando estou num ano hidrológico não bom, é um sinal amarelo — afirmou. — Sinal amarelo é atenção de observar e analisar todos os fatos. Periodicamente fazemos essa avaliações.

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Zimmermann tentou minimizar as avaliações de que a grande necessidade atual de despacho de usinas térmicas no país seja uma crise. Em apresentação na Câmara dos Deputados, ele disse que o uso dessa eletricidade mais cara no Brasil ainda está muito abaixo do verificado em outros países.

— A geração térmica muitas vezes é colocada como problema de crise, mas 68% da energia do mundo é térmica. No Brasil, quando se estão gerando muitas térmicas isso é só 20% da nossa energia — afirmou, em audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio.

Zimmermann detalhou que, dos quase 16 mil megawatts (MW) médios de térmicas disponíveis no país, cerca de 10 mil MW são usinas a gás natural. O secretário voltou a dizer que o Brasil está hoje em equilíbrio estrutural, dentro do planejamento cujo critério de risco tolera um déficit de 5%. Ou seja, segundo ele, não há risco de racionamento.

— Mas hoje temos sobra de 6 mil MW médios, e muitos projetos de usinas à frente — completou.

Ainda assim, Zimmermann relatou que em janeiro e fevereiro a pior seca do Nordeste coincidiu com secas de Sudeste e Sul. De acordo com ele, ainda que em março as chuvas não estejam sendo fortes, as primeiras precipitações já começaram a ajudar o Sudeste, onde estão os principais reservatórios do país.

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