Informe Econômico

Maria Isabel Hammes: programa de concessões vira esperança do governo de melhorar o seu caixa

Infraestrutura é uma das condições para o país crescer com produtividade

02/04/2014 | 22h30

Boa parte da esperança do governo federal de melhorar seu caixa está depositada no programa de concessões de serviços públicos à iniciativa privada, em andamento desde o ano passado. Em um pronunciamento inspirado nesta quarta-feira, durante o repasse da concessão do Galeão à Odebrecht e à Changi Airport, além da Infraero, a presidente Dilma Rousseff lembrou até o Samba do Avião. A referência à música faz uma ligação entre o Brasil de hoje e o de ontem, porque descreve a chegada, naquele aeroporto, dos brasileiros que voltavam após a anistia, quando a poesia expressa "minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro, estou morrendo de saudade". Referências que ganham mais significado quando o país relembra os 50 anos do golpe militar.

O programa de concessões, por meio do qual estão previstos investimentos de R$ 80 bilhões, a maior parte nos próximos cinco anos, foi adotado pela falta de recursos do governo para resolver os gargalos da infraestrutura do país. Como, agora, na questão dos aeroportos, ainda por cima às vésperas da chegada de milhares de turistas para a Copa.

Mas não só isso, já que aumentou muito a procura por viagens aéreas, que até pouco tempo crescia em ritmo chinês – no caso do Galeão, entre 2006 e 2013, o número de passageiros/ano passou de 9 milhões para 17 milhões. Além do terminal carioca, já passaram ao setor privado Guarulhos (SP), Viracopos (SP), Brasília e Confins (MG).

Com alguns avanços em 2013, pelo menos para uma parte do empresariado, o projeto não tem andado na velocidade esperada. Um ano e três meses após seu lançamento, o programa de concessões de áreas em portos públicos continua encalhado.

Os primeiros da fila – Santos (SP) e Pará – não têm nem previsão para começar. Outro exemplo é o de novas disputas para exploração de petróleo e do pré-sal, que só devem ocorrer em 2015. E o das ferrovias também não corre no ritmo desejado.

Demoras que custam caro ao Brasil. Ainda mais quando se sabe que a infraestrutura é uma das condições para crescer com produtividade. Hoje há unanimidade sobre o fato de que os gargalos não só contribuem para elevar preços aqui, como influenciam negativamente no avanço do produto nacional no Exterior.

Ou seja, a demora não prejudica apenas o dia a dia do brasileiro, cada vez mais insatisfeito com o exagerado pagamento de impostos sem a contrapartida de bons serviços públicos, como reduz a possibilidade de novas divisas, tão necessárias ao desenvolvimento da nação.

Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.