Reunião em Nova York

Argentina e fundos especulativos permanecem sem acordo sobre a dívida do país

Governo argentino tem até esta quarta-feira para chegar a um acordo com os chamados fundos abutres

30/07/2014 | 01h37
Argentina e fundos especulativos permanecem sem acordo sobre a dívida do país Don Emmert/AFP
Ministro argentino Axel Kicillof em Nova York para a última rodada de negociação Foto: Don Emmert / AFP
A Argentina e os fundos especulativos não chegaram a um acordo para uma saída negociada do litígio envolvendo a dívida do país e continuarão discutindo na quarta-feira, anunciou na noite desta terça o ministro argentino da Economia, Axel Kicillof, após uma reunião em Nova York.

— A reunião prosseguirá amanhã, mas ainda não sabemos a que hora. Seguimos trabalhando com toda a seriedade que exige a questão — disse Kicillof à imprensa na porta do escritório do mediador judicial Dan Pollack, a menos de 24 horas de um possível default da Argentina.

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Kicillof, que chegou na tarde desta terça-feira em Nova York, admitiu que tinha "pouco para comunicar (...) sobre os resultados (...), mas estamos trabalhando forte". O governo argentino tem até quarta-feira para chegar a um acordo com os fundos abutres, que obtiveram a sentença favorável do juiz Thomas Griesa para receber ao mesmo tempo que os credores que renegociaram a dívida em 2005 e 2010.

A Argentina pretende acertar o pagamento aos fundos abutres, totalizando US$ 1,33 bilhão, para depois de 2 de janeiro de 2015. A ideia é o juiz Griesa suspender a aplicação de sua decisão até 1º de janeiro, prazo em que expira a cláusula Rufo, que obriga o país a equiparar credores que aceitaram as propostas de reestruturação da dívida com qualquer outro credor que receba melhor tratamento.

No dia 26 de junho, a Argentina depositou pagamentos no valor de US$ 539 milhões aos credores da dívida reestruturada, mas o juiz Griesa bloqueou o dinheiro depositado em Nova York, o que pode provocar uma moratória nas próximas 24 horas.

Calote ameaça negócios com a Argentina 

 

Prenúncios da tempestade

2001
Em dezembro, a Argentina deu um calote no pgamento de sua dívida pública, então de US$ 102 bilhões.

De 2005 a 2010
Mais de 90% dos credores aceitaram negociar com a Argentina e receber valores inferiores aos originais de forma parcelada. O desconto chegou a 70% sobre o valor original. Os cerca de 10% restantes não quiseram renegociar. Alguns venderam títulos da dívida para fundos especulativos, agora chamados de fundos abutres.

2012
Um dos fundos, o NML, venceu disputa judicial com a Argentina na Justiça dos EUA. A dívida chegaria a US$ 1,33 bilhão. Para complicar a situação, a Justiça americana determinou que a Argentina só poderia pagar as parcelas da dívida renegociada se também acertasse com o NML.

2014
A Argentina recorreu à Suprema Corte dos EUA. Em maio deste ano, a decisão foi novamente contrária ao país, com a confirmação de que deveria pagar os fundos.
O impasse leva ao risco de a Argentina ser arrastada para um novo calote, mesmo que, desta vez, involuntário e parcial. Em busca de uma solução, uma comissão enviada pela Casa Rosada tem hoje uma reunião com o mediador nomeado para o caso.

Se não surgir um acordo até amanhã, as agências de classificação de risco podem colocar a Argentina em situação de default seletivo (calote parcial). Em 30 de julho vence o prazo para pagar os credores que renegociaram suas dívidas. A Argentina depositou o dinheiro, mas a Justiça americana exige que os fundos também recebam.

*AFP

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