Economia

Banco Central anuncia R$ 45 bilhões para estimular crédito e consumo

Banco anunciou mudanças nas regras nesta sexta-feira

25/07/2014 | 12h11
O Banco Central (BC) anunciou nesta sexta-feira algumas medidas para estimular o crédito, com mudanças nas regras de recolhimento do depósito compulsório — dinheiro que os bancos enviam aos cofres do BC sobre os depósitos recebidos. Quando parte do compulsório é liberado, os bancos têm mais recursos para emprestar.

A medida ampliará, pelo prazo de um ano, o volume de recursos que poderão ser utilizados na contratação de operações de crédito e na compra de carteiras diversificadas (pessoas jurídicas e físicas), geradas por instituições elegíveis, pois permitirá que até 50% do recolhimento seja direcionado a esse fim. A estimativa é de que R$ 30 bilhões sejam injetados na economia com a medida.

O chefe do Departamento de Normas do Banco Central, Sergio Odilon dos Anjos, afirmou, também na manhã desta sexta, que os bancos terão até R$ 45 bilhões a mais em caixa disponível para empréstimos com as medidas publicadas hoje pela autoridade monetária. Além dos R$ 30 bilhões de liberação de compulsórios, o BC projeta que o impacto potencial das medidas, ao longo do tempo, pode chegar a R$ 15 bilhões.

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— Não pensamos na medida de hoje para amanhã. Temos de aguardar o comportamento da demanda para saber em quanto tempo esses R$ 15 bilhões se transformariam em crédito — explicou.

A mudança foi possível após analisar a evolução dos recolhimentos compulsórios nos últimos anos, que passou de R$ 194 bilhões ao final de 2009 para cerca de R$ 405 bilhões no último balanço. O banco também cita a recente moderação na concessão do crédito, a inadimplência em patamares relativamente baixos e o recuo do nível de risco no sistema financeiro nacional.

O BC ampliou o rol de instituições financeiras elegíveis de 58 para 134 à condição de cedentes (vendedoras) das operações para fins de dedução do recolhimento.

Instituições financeiras cujo Patrimônio de Referência Nível 1, na posição de dezembro de 2013, seja inferior a R$ 3,5 bilhões serão elegíveis, sem restrições. Uma terceira medida reduz de R$ 6 bilhões para R$ 3 bilhões o valor deste Patrimônio de Referência das instituições, com o objetivo de elevar o número de bancos que poderão usar até 20% de seus recolhimentos compulsórios sobre depósitos à vista nos empréstimos enquadrados no Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. (BNDES).

Medidas do BC vêm em linha com ata do Copom

As medidas tomadas pelo Banco Central não surpreenderam o economista Sílvio Campos Neto, da consultoria Tendências. Segundo ele, o ajuste de compulsórios, e outras decisões para estimular o crédito e injetar dinheiro na economia, estão alinhadas à mensagem divulgada pela autoridade monetária na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nessa quinta-feira.

— Com o cenário de crédito crescendo de forma mais moderada, o BC já havia dado sinais de afrouxamento macroprudencial. (...) As medidas vêm em linha com a reformulação do parágrafo de 25 — avaliou.

Neto refere-se ao parágrafo, no documento no qual o Comitê destaca que o cenário central também contempla expansão moderada do crédito:

— Importa destacar que, após anos em forte expansão - arrefecida com a introdução de medidas macroprudenciais em finais de 2010 - o mercado de crédito voltado ao consumo passou por uma moderação, de modo que, nos últimos trimestres observaram-se, de um lado, redução de exposição por parte de bancos, de outro, desalavancagem das famílias. No agregado, portanto, infere-se que os riscos no segmento de crédito ao consumo vêm sendo mitigados. Em outra dimensão, o Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.

Para o especialista, a decisão do BC confirma um cenário de ações controversas, com a manutenção da taxa básica de juros em níveis elevados para controlar a inflação e, por outro lado, as medidas adotadas hoje de estímulo ao crédito diante do esfriamento do consumo.

— O quadro é muito adverso, com a economia caminhando para uma estagnação, mas a inflação ainda não cedendo e o BC tenta equilibrar as duas situações — disse.

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