Força dos emergentes

Brasil e Rússia pretendem dobrar comércio entre si

Encontro entre presidentes antecede reunião de cúpula do Brics que discutirá a criação de um banco para o fortalecimento dos integrantes do bloco

14/07/2014 | 21h59
Brasil e Rússia pretendem dobrar comércio entre si Wilson Dias,ABR/Agência Brasil
Antes do encontro em Fortaleza, Putin e Dilma assinaram acordos para aumentar os negócios entre as duas nações Foto: Wilson Dias,ABR / Agência Brasil

Antes de seguirem para a 6ª Reunião de Cúpula do Brics – grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – em Fortaleza (CE), a presidente Dilma Rousseff e o colega russo, Vladimir Putin, reuniram-se em Brasília para assinar acordos entre os países.

Conforme Dilma, o comércio bilateral tem condições de ser ampliado e, ao lado de Putin, colocou como meta chegar a US$ 10 bilhões por ano. Seria quase dobrar o valor atual. Em 2013, a corrente de comércio entre as duas nações chegou a US$ 5,65 bilhões.

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– Desde a primeira visita (ao Brasil) do presidente Putin, em 2004, nosso comércio bilateral mais que dobrou – disse Dilma.

Para impulsionar os negócios, foram assinados sete acordos bilaterais, com ações específicas para promoção do comércio e de investimentos nos setores de agronegócio, energia, inovação, tecnologia, aeronáutica, indústria farmacêutica e turismo.

A presidente afirmou que transmitiu ao presidente da Rússia as "inúmeras oportunidades" para aportes nos campos de energia e infraestrutura no país. Da mesma forma, Putin disse que criará condições favoráveis para negócios de empresas brasileiras na Rússia.

Ao lado do fortalecimento do Brics, um dos temas da reunião em Fortaleza é o Novo Banco de Desenvolvimento. A instituição deverá ter capital inicial de US$ 50 bilhões bancados igualmente pelos países – US$ 10 bilhões cada um. Ainda estão pendentes detalhes políticos, como a definição da presidência e o local da sede.

Para Gerdau, bloco cria oportunidades

O Brasil deverá ser escolhido o primeiro a comandar e a cidade chinesa de Xangai, a sede. A presidência será rotativa, com mandato de cinco anos, não renováveis. O país que for escolhido como sede será o último da sequência para a indicação da presidência. O Brasil quer o comando, porque considera estratégica essa posição para a definição do seu modelo de atuação. Como regra geral, o banco vai aprovar empréstimos para países membros do grupo, mas poderá financiar outros emergentes. Ao contrário do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, a ideia é que o banco do Brics tenha uma estrutura enxuta com "cara" de empresa.

O empresário Jorge Gerdau Johannpeter disse que considera "interessante" a proposta de criação de um banco de desenvolvimento, porque, possivelmente, criará uma base de sustentação financeira para projetos conjuntos das cinco nações. Para Gerdau, cada país tem características próprias e a possibilidade de aproximação cria oportunidades.

Cerca de 600 empresários dos cinco países estão em Fortaleza para debater comércio e investimentos dentro do grupo.

A futura instituição

Será oficializado neste encontro o Novo Banco de Desenvolvimento, uma instituição de fomento do Brics, para facilitar comércio, negócios e investimentos e o uso de moedas locais nas operações.

A instituição terá foco no financiamento de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países em desenvolvimento, não apenas membros do Brics.

O capital inicial será de US$ 50 bilhões. Cada país entrará com US$ 10 bilhões. A posição majoritária é de divisão igualitária do capital, mas a China faz pressão para ter mais participação do que seus parceiros de bloco.

US$ 3,9 bi é o potencial de negócios que devem ser movimentados no encontro por representantes de empresas, conforme estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Do Brasil, participarão representantes de empresas como Banco do Brasil, Vale, Gerdau, BRF e Marcopolo.

As áreas de interesse são agronegócio, infraestrutura, logística, transporte e energia, além de economia verde.

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