Efeito além-mar

Resgate em banco português tem impacto no Brasil

Reestruturação do BES causa prejuízo no Bradesco e gera mais incerteza no processo de fusão da Oi com a Portugal Telecom

04/08/2014 | 22h31

O resgate do Banco Espírito Santo (BES), anunciado no fim de semana pelo governo português, vai respingar no Brasil. Além de causar prejuízo ao Bradesco, que detém 3,9% do capital da instituição, o novo episódio gera mais incerteza no processo de fusão da Oi com a Portugal Telecom.

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O banco central português anunciou injeção de 4,9 bilhões de euros no BES, que será dividido em duas partes. A que fica com os negócios saudáveis será chamada de Novo Banco e herda a base de clientes e suas aplicações. A com problemas será responsável pelas dívidas e fica no antigo BES, que segue com os mesmos acionistas.

A crise no banco, causada pelas dificuldades financeiras do controlador, o Grupo Espírito Santo (GES), já levou a mudanças nos termos da associação entre Oi e Portugal Telecom, um negócio com avanços e recuos devido à complexidade societária das empresas envolvidas. Uma das controladas do GES, a companhia de investimentos RioForte, deu calote na Portugal Telecom no mês passado. A situação enfraqueceu a operadora na fusão, que, com isso, passaria a ter na nova tele uma fatia inferior ao estipulado anteriormente. Por jogar mais dúvidas no negócio, o caso potencialmente pode ser danoso para a Oi no futuro, devido à necessidade de ter recursos para investimentos.

Para Luis Minotu Shibata, diretor da consultoria PromonLogicalis, essa série de indefinições tem feito a Oi sofrer com a descontinuidade administrativa e uma falta de planejamento de médio e longo prazo, o que pode prejudicar a empresa nos próximos anos.

– Existe uma demanda muito grande por serviços de conectividade, como banda larga móvel e fixa, e para isso as operadoras precisam ter capital para fazer estes investimentos em infraestrutura. Em uma operação de telecomunicações nada é feito da noite para o dia – avalia Shibata.

Para o Bradesco, o resgate do BES levará o banco a ter de fazer um ajuste contábil no balanço do terceiro trimestre e reconhecer prejuízo de R$ 356 milhões.

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