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Pouco mais de um ano após a redução da tarifa da energia elétrica no começo de 2013, grande parte dos gaúchos levou um susto em 2014 quando as distribuidoras aplicaram aumentos superiores a 20%. Os clientes da AES Sul passaram a pagar uma conta 31,33% mais cara neste ano, e os da RGE, 25,2%.
Quem é atendido pela CEEE ainda não foi atingido pelo tarifaço. O reajuste aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) foi de 28,28%, mas a companhia não pode aplicá-lo pois está inadimplente. O alívio no bolso é momentâneo. A qualquer momento, a dívida pode ser paga e o reajuste aplicado.
Os aumentos - que superam a inflação em mais de quatro vezes - não devem parar por aqui. O diretor-executivo do Grupo Safira, especializado em energia, Mikio Kawai Jr, calcula que os reajustes das três concessionárias gaúchas devem vir acima de 20% nos próximos quatro anos. Entenda porque a energia deve ficar ainda mais cara:
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É normal a luz aumentar?
Anualmente as distribuidoras de energia elétrica reveem os custos e solicitam um reajuste da tarifa para a Aneel. Normalmente o aumento acompanha a inflação e se mantém em torno de 5%.
Porque o reajuste deve ficar acima dos 20% nos próximos anos?
Seca
O Sudeste e Centro-Oeste - que são responsáveis pela maior parte da geração da energia do Brasil - sofre com o clima seco há pelo menos dois anos. Com menos energia produzida pelas hidrelétricas, a distribuidores são obrigadas a que comprar energia das termelétricas que é muito mais cara.
Dólar
A energia produzida na usina binacional Iraipu é negociada em dólar. Quando a cotação sobe, a tarifa também aumenta. A cotação alta da moeda - que encostou em R$2,60 na semana passada - deve pesar na conta de luz.
Empréstimos
Com sérios problemas financeiros, as concessionárias receberam empréstimos para evitar a quebradeira. As empresas sobreviveram, mas a conta terá que ser paga a partir do ano que vem e, claro, será repassada para o consumidor.
Reservatórios
As novas hidrelétricas foram construídas com reservatórios menores para reduzir o impacto ambiental. O problema é que a medida aumenta a dependencia da chuva e a instabilidade financeira das empresas.
Redução fora de hora
A redução do preço da luz em janeiro de 2013 foi considerada precipitada por especialistas. Para Kaway Jr., a redução foi artificial - diminuiram o preço sem que houvesse aumento da produtividade. A energia mais barata incentivou o consumo em período de seca, e agora o consumidor irá ter que pagar a conta.
O que é o sistema de bandeiras tarifárias e como deve atingir o consumidor?
Para piorar a situação do consumidor, o sistema de bandeiras tarifárias, que deveria ter entrado em vigor no começo deste ano, será aplicado no ano que vem. O sistema prevê aumento da tarifa de acordo com a oferta de energia. Símbolos nas faturas indicarão diferentes bandeiras: haverá acréscimo de R$ 1,50 a cada cem quilowatts hora consumidos quando a bandeira for amarela e de R$ 3 quando ficar vermelha.
Efeitos na industria e na inflação
Não é a apenas a conta de luz do consumidor que fica mais alta. O tarifaço tem sérias consequências na industria gaúcha, já que a energia elétrica representa até 8% dos gastos do setor. Com o reajuste, tudo aumenta. O efeito cascata nos preços ainda deve pressionar a inflação, que já está a beira o teto da meta do governo.
*Zero Hora