Primeiro trimestre

Brasil e Rússia estão na "lanterna" do crescimento econômico em 2016

As razões que levaram à redução da atividade econômica nos dois países, no entanto,  são bastante diferentes

01/06/2016 - 09h08min | Atualizada em 01/06/2016 - 21h44min
Brasil e Rússia estão na "lanterna" do crescimento econômico em 2016 ALEXANDER NEMENOV/AFP
Brasil e Rússia tiveram o pior desempenho entre as grandes economias no primeiro trimestre de 2016 Foto: ALEXANDER NEMENOV / AFP  

A queda de 5,4% no PIB do primeiro trimestre na comparação com o início do ano passado fez a economia brasileira amargar o pior desempenho para o período em um ranking de 31 países que já tiveram os dados oficiais divulgados. O resultado do Brasil ficou aquém até mesmo de nações que atravessaram graves crises nos últimos anos, como Grécia, e outros que enfrentaram guerras, como Rússia e Ucrânia.

— Não há crise no mundo. Os países voltaram a crescer e o Brasil fez o caminho inverso. Fica bem claro que o país tem um problema estritamente doméstico e depende de suas próprias ações — avalia Alex Agostini, economista chefe da Austin.

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Segundo a Austin, Filipinas teve o melhor desempenho no primeiro trimestre, com crescimento de 6,9% no PIB. Depois aparecem China, Indonésia, Peru e Malásia. A Venezuela, com situação mais delicada que a do Brasil, não divulgou dados.

Também não há dados ainda sobre a África do Sul, que enfrentou crise política no primeiro trimestre e um processo de impeachment em abril. Entre os Brics, é o país com cenário econômico mais próximo do Brasil, que teve desempenho abaixo da média do grupo.

— A Rússia, além de viver uma guerra, enfrenta a queda dos preços do petróleo, mas tem situação melhor que a do Brasil. Somos um ponto fora da curva — diz Agostini.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) piorou novamente as previsões para a economia do Brasil. Agora, a entidade avalia que a recessão continuará em 2017 e o país terá três anos seguidos de queda do Produto Interno Bruto (PIB).

A OCDE diz que a chegada do governo interino de Michel Temer não resultará no fim das incertezas e da instabilidade política e argumenta que a confiança só voltará quando avançarem as medidas fiscais e as reformas estruturais.