Economia

Emissões em junho tiveram volumes próximos aos de abril, diz Secunho

Por: Estadão Conteúdo
24/07/2017 - 12h06min

O mês de junho foi marcado pela retomada dos leilões do Tesouro Nacional em volumes semelhantes ao observado em abril, antes do estouro da crise política, afirmou nesta segunda-feira, 24, o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Leandro Secunho. As emissões somaram R$ 74 bilhões, sendo mais da metade desse valor (R$ 37,27 bilhões) em Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), atreladas à Selic.

De acordo com Secunho, a concentração das emissões LFTs se deu por conta da estratégia do Tesouro de, ao fazer essa retomada de leilões, adicionar menos risco no mercado. "Houve ofertas maiores nesses leilões (de LFTs) dentro de estratégia de retomada do Tesouro", afirmou.

A maior emissão de LFTs também é parte das novas metas do Plano Anual de Financiamento (PAF), devido à disposição do órgão em assumir "um pouco mais de risco", tendo como contrapartida a redução do custo. A mudança também incluiu as metas de longo prazo, com alta de 15% para 20% no porcentual de LFTs a ser perseguido para que seja alcançado o chamado "perfil ótimo".

A mudança ocorre num momento de flexibilização da política monetária e busca da consolidação do ajuste fiscal. O aumento da parcela dos títulos atrelados à taxa flutuante também considerou a avaliação do Tesouro que a venda desses títulos, com prazos maiores de vencimento, é melhor do ponto de vista de custo e risco da dívida do que os prefixados de curto prazo.

Em junho, além da estratégia de retomada do Tesouro, contribuiu para o aumento nas emissões de LFTs o fato de ter havido três leilões ordinários desse papel. "Tudo ocorreu dentro do esperado e dentro do planejamento do Tesouro", afirmou Secunho.

Dívida externa

A dívida externa registrou resgate líquido de R$ 1,92 bilhão em junho, informou o Tesouro Nacional. Segundo o coordenador-geral, um dos fatores que pesou para esse resultado foi o resgate de um título de 20 anos emitido em 1997, denominado "euro-lira" (originalmente emitido em lira italiana). "Era um título de 20 anos, venceu em 26 de junho. É menos um título antigo e ineficiente na carteira", afirmou Secunho.

O programa de "buy back", resgate antecipado de títulos da dívida externa, também teve grande volume financeiro em maio e junho, com recompra de R$ 1,062 bilhão no terceiro bimestre (R$ 927,61 milhões em valores de face). "Esse programa é feito quando condições são favoráveis ou quando Tesouro tem intenção de prover porta de saída em momento de volatilidade", explicou Secunho.

Nos últimos dois meses, o Tesouro foi mais ativo nesse programa em função de volatilidade que houve não só no mercado interno, mas também na dívida externa, diante dos fatores políticos, explicou o coordenador-geral.

Apesar desses fatores, o estoque da dívida pública federal (R$ 3,357 trilhões) em junho ainda está abaixo do objetivo do PAF (de R$ 3,45 trilhões a R$ 3,65 trilhões). "O objetivo é ficar dentro do objetivo do PAF, a expectativa é encerrar o ano dentro do intervalo", garantiu Secunho.

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