Economia

JBS foi um dos negócios mais bem bolados do BNDES, diz presidente do banco

Banco de fomento tem 21,32% de participação na empresa, no centro da crise política após a delação de Joesley e Wesley Batista

Por: Estadão Conteúdo
14/07/2017 - 19h19min | Atualizada em 14/07/2017 - 20h45min

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, afirmou que a JBS é "um dos negócios mais bem bolados e bem sucedidos da BNDESPar", braço de participações da empresa. O banco de fomento tem 21,32% de participação na companhia. Rabello de Castro citou ainda que a JBS teve projeção mundial com a compra da Pilgrims Pride Corporation, em 2009. O negócio recebeu apoio do BNDES.

— A compra da Pilgrims, em plena crise mundial, com a colaboração financeira, societária do BNDES, foi absolutamente decisiva. Ali, a empresa JBS realmente ganhou a dimensão mundial — disse, destacando que falava não como presidente do BNDES, mas sim como consultor econômico. 

— Foi num momento em que todos estavam vendendo ativos — afirmou Rabello.

O BNDES divulgou, nesta sexta-feira (14), o "Livro Verde", no qual traz balanços das atividades do banco entre 2001 e 2016. O apoio do BNDESPar via mercado de capitais à empresa e à Bertin — posteriormente associada à JBS — somou R$ 8,1 bilhões. 

"Como resultado, as operações de mercado de capitais já renderam cerca de R$ 5,04 bilhões entre dividendos, comissões, prêmios e alienação de ativos", traz o livro.

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Rabello de Castro destacou que o resultado líquido das operações do BNDES com a JBS até dezembro tinha sido positivo em R$ 3,56 bilhões. O banco colocou R$ 8,1 bilhões na empresa. O presidente do banco disse ainda que a empresa passa por momento delicado. 

— Quem mais sofre é o mercado pecuário brasileiro, com diminuição de liquidez ou capacidade de comprar pela JBS — disse.

Ele afirmou que vê com urgência a regularização dos créditos. 

— É uma companhia dos brasileiros, antes de ser de qualquer controlador — disse Rabello.

Entre 2005 e 2016, a JBS foi quem mais recebeu individualmente no setor de carnes apoio do BNDES e BNDESPar, com 26%. Rabello de Castro disse ainda que, "até a lambança da delação" de Joesley Batista, a ação da JBS "estava cotada a mais de R$ 10 e o BNDES entrou com ela a R$ 7". Há pouco, os papéis eram negociados a R$ 7,13.
Prejuízos

Rabello de Castro afirmou que a assembleia geral extraordinária (AGE) de acionistas da JBS, ainda sem data, irá apurar possíveis prejuízos à companhia por conta de algum ato do administrador. Segundo o executivo, a AGE foi solicitada pelo BNDESPar e deve ser marcada nos próximos dias.

— Não significa dizer que a gente tem qualquer "parte pri" de que o administrador causou qualquer dano. Mas o que é fundamental é que haja uma apuração — afirmou Rabello de Castro.

Ele disse que na verificação pode não ser apurado nenhum dano significativo. 

— Pode ter sido algum dano político, isso não tem nada a ver com a companhia. Queda de preço momentânea não é prejuízo — disse.

Sobre uma destituição de membros da família Batista da gestão, afirmou que está estudando em conjunto com os demais acionistas, inclusive o controlador, uma nova composição do conselho de administração. No entanto, disse que a palavra destituição é muito forte e que a assembleia é para apurar prejuízos. O executivo destacou que esse é um assunto internodos sócios. 

— Nem eu posso responder porque estamos agindo em bloco — afirmou.

Segundo Rabello de Castro, o conselho já se antecipou a mudanças e anunciou novos comitês do colegiado. Ele destacou o de governança, finanças e executivo como os mais importantes.

TLP

Paulo Rabello de Castro voltou a negar que teria feito críticas a nova Taxa de Longo Prazo (TLP), em discussão no Congresso, e disse não só estar alinhado com o Ministério da Fazenda, como estar costurado. 

— Sou completamente aderente — afirmou.

O posicionamento ocorre após ter criticado abertamente a TLP, o que gerou um mal estar com a equipe econômica do governo. Na primeira audiência pública sobre o tema, realizada nesta semana, o governo escalou um time de peso para defender a TLP.

Rabello de Castro nega conflitos. 

— O BNDES é executor da política econômica do governo. Nós não temos que ficar pensando exageradamente em nada, a não ser se formos chamados para isso. O comum e corrente da nossa atividade é executar — afirmou em entrevista coletiva.