Mercado em alta

Apesar da denúncia de Janot contra Temer, bolsa flerta com novo recorde

Turbulência política parece não afetar o ânimo dos investidores

15/09/2017 - 12h57min | Atualizada em 15/09/2017 - 13h25min
Apesar da denúncia de Janot contra Temer, bolsa flerta com novo recorde MARCELO CHELLO/CJPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Nova denúncia de Janot contra Temer não foi suficiente para mercado perder força Foto: MARCELO CHELLO / CJPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO  

A última flechada do procurador-geral da República Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer e seu grupo político não alvejou o mercado financeiro. O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa paulista, fez nesta sexta-feira novo recorde intradiário, ao superar os 75.332 pontos alcançados na última terça-feira (12). Logo após às 12h, chegou aos 75.367 pontos, com alta de 0,9%.  O maior fechamento diário também é de terça-feira, aos 74.787 pontos.

O dólar comercial, outro termômetro do nervosismo dos investidores, subia 0,4%, sem o movimento ser avaliado como resultado da tensão política. 

O analista-chefe da Geral Investimentos, Carlos Müller, entende que a ausência de turbulência é relacionada à percepção de que Temer tem o controle do Congresso e a nova denúncia contra o presidente não tende a passar novamente na Câmara. Apesar da gravidades das acusações, a ofensiva de Janot, complementa, também já era esperada. Por isso, estava de certa forma precificada pelo mercado.

— O mercado está olhando mais a questão dos juros em queda, inflação baixa, expectativa de recuperação do PIB e a própria bolsa ainda descontada em dólares — diz Müller, referindo-se à forma como os investidores estrangeiros preferem avaliar a pontuação do mercado brasileiro.

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Apesar da aparente continuidade da euforia, com a renovação de novas máximas no mercado brasileiro, Müller adverte que a bolsa já subiu bastante e uma correção deve ser esperada.

O economista Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), prefere um pouco mais de cautela em relação aos reflexos na atividade. Para Cagnin, os sinais de recuperação ainda não são consistentes e a nova denúncia de Janot tende novamente a paralisar governo e Congresso, o que pode retardar ainda mais a votação de reformas consideradas  importantes, como da Previdência. A saída da crise, avalia, ainda depende de uma disseminação mais ampla dos bons indicadores, tanto de forma setorial quanto regional.

— A indústria teve uma sequência de altas, mas o comércio ainda está de lado e setor de serviços segue com dados ruins. Então ainda estamos sujeitos a percalços — observa. 

O prosseguimento da turbulência política, entende Cagnin, ainda pode atrapalhar a recuperação frágil por contaminar as expectativas dos agentes da economia e também por truncar agenda de Brasília.

 
 
 
 
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