Pressão nacional

Petistas gaúchos resistem em abrir mão de candidatura de Villaverde em prol de alianças nacionais

Presidente nacional da legenda, Rui Falcão, manifestou a disposição de negociar com a direção petista gaúcha um acordo para apoiar o PC do B

18/05/2012 | 13h34
Petistas gaúchos resistem em abrir mão de candidatura de Villaverde em prol de alianças nacionais Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Olívio Dutra (E) se encontrou com Villaverde (D) na reunião do diretório nacional do PT Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Reunidos na sala Guaíba 2 do Hotel Deville, na Capital, membros do diretório nacional do PT debatem temas que fazem parte do seminário "Desafios do Modo Petista de Governar", mas acabam se impondo questões sobre o modo petista de se candidatar.

A política nacional de alianças do partido e a disposição de bancar a candidatura própria (encabeçada por Adão Villaverde) na Capital entraram em choque na quinta-feira, quando o presidente nacional da legenda, Rui Falcão, teria manifestado a disposição de negociar com a direção petista gaúcha um acordo com o PC do B.

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Em troca do apoio ao nome de Manuela D'Ávila em Porto Alegre, o que implicaria o fim da candidatura de Villaverde, os comunistas se juntariam à chapa encabeçada pelo petista Fernando Haddad em São Paulo.

A ideia enfrentou forte resistência da parte de lideranças do PT gaúcho. No final da manhã desta sexta, no hotel Deville, corria nas conversas de bastidores a convicção de que está descartada a hipótese de desistência da candidatura própria em Porto Alegre. A própria assessoria de Rui Falcão negou qualquer movimento no sentido de cancelar a candidatura de Villaverde na Capital.

Entretanto, líderes defendem a ideia de que deve ser valorizada uma estratégia nacional de alianças, o que envolve um contexto maior que os pleitos de Porto Alegre e São Paulo. O ex-governador Olívio Dutra, que precisou sair do encontro mais cedo devido a um compromisso, defendeu o papel da direção central do partido no processo decisório das eleições:

— A função do diretório nacional é fazer cumprir as políticas definidas no Congresso do partido. Não é uma impostura; é um papel político. A esquerda brasileira deve à nação uma discussão sobre o seu projeto estratégico. Isso envolve a alternância entre partidos no poder e não pode ser definido em véspera de eleição — afirmou Olívio, frisando que o partido não usa candidaturas e alianças como moedas de troca, uma prática que julga ser indistinta do tipo de política que o PT repudia.

Por volta do meio-dia, Villaverde, acompanhado do presidente estadual do partido, Raul Pont, e do secretário estadual de Planejamento, João Motta, saiu da sala onde acontece o encontro dos líderes nacionais e se fechou em outro recinto por cerca de 40 minutos. O teor do encontro reservado não foi informado.

Ao final do encontro, Villaverde evitou comentários. No entanto, afirmou que a informação de que existiria pressão da cúpula nacional para a retirada de candidatura é "ficção científica". Adeli Sell, presidente municipal do PT, afirmou que nunca houve qualquer movimentação pelo fim da candidatura do partido na Capital.


José Dirceu evita falar com a imprensa

Um dos principais articuladores da política petista, o ex-ministro José Dirceu participa das reuniões no Deville. Réu no processo que julga o mensalão, Dirceu disse aos repórteres que foi orientado por seu advogado a não falar com a imprensa.

No saguão, antes da reunião, o cacique petista e Raul Pont estiveram lado a lado, no estande de credenciamento, mas um observador desinformado julgaria que fossem dois estranhos, pois os líderes nem sequer se cumprimentaram.
 
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