Teste das urnas

Metade dos prefeitos gaúchos disputa a reeleição

Estatísticas favoráveis embalam as candidaturas de pelo menos 232 administradores municipais

16/07/2012 | 00h31

Surfando na onda da reeleição, em vigor desde 1998, quase metade dos prefeitos do Rio Grande do Sul está na briga por mais quatro anos de poder.

Pelo menos 232 gestores municipais decidiram concorrer ao segundo mandato consecutivo, conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

O número pode ser maior porque as estatísticas oficiais não incluem casos como o de José Fortunati (PDT), que, apesar de estar entre os que desejam permanecer no cargo, não aparece na planilha da reeleição porque o vencedor em 2008 foi José Fogaça (PMDB), de quem ele foi vice e substituto após a renúncia. O montante também pode mudar em razão de impugnações e desistências.

A grande quantidade de prefeitos em campanha segue uma tendência observada na última década. Desde 2002, o número de prefeitos candidatos não baixou de 220 no RS. O ápice ocorreu em 2008. Foram 274, com um índice de sucesso de 67%. No mesmo ano, conforme o cientista político Alvaro Barreto, da Universidade Federal de Pelotas, só quatro prefeitos foram derrotados em um universo de 62 grandes cidades brasileiras.

— É possível que não se repita um resultado tão expressivo, até porque é difícil ultrapassar essa marca, mas acredito que o índice permanecerá alto — afirma Barreto.

Situação econômica facilita segundo mandato

A explicação para o sucesso da reeleição é múltipla. Além da vantagem de estar na vitrine e de ter realizações para mostrar, os gestores em campanha têm um outro ponto valioso a seu favor: o bom momento vivido pelo Brasil, apesar da crise internacional. E isso não se restringe aos candidatos da base do governo Dilma Rousseff.

— A situação das pessoas melhorou nos últimos anos. Mesmo que as administrações municipais não sejam diretamente responsáveis por isso, os prefeitos acabam naturalmente favorecidos. A percepção geral se reflete nas urnas, no voto pela continuidade — avalia o cientista político Jairo Pimentel Júnior, do Instituto APPM, em São Paulo.

Desgaste prejudica

As chances de vitória embalam as candidaturas de quem já está no Paço. Mas, ao mesmo tempo, os prefeitos enfrentam o desgaste provocado por problemas crônicos das cidades e de difícil solução.

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski projeta uma campanha complicada para os atuais administradores. Ele acredita que eles terão mais dificuldades para se reeleger porque as prefeituras estão sobrecarregadas e já não conseguem dar conta das demandas:

— A situação dos prefeitos piorou. Para muitos, será um desafio.

 
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