Horário Eleitoral

Busca pelo voto invade a televisão

O horário político obrigatório na TV e no rádio começa a exibir candidatos a vereador na terça-feira, e a prefeito, na quarta. Propaganda na TV é a mais procurada por quem quer decidir o voto

19/08/2012 | 08h05

A partir de terça-feira, a campanha eleitoral tomará as TVs dos votantes de 26 Estados brasileiros. O poder dos programas e das inserções de 30 segundos se explica principalmente pela larga abrangência da TV.

O Censo de 2010 mostra que, em praticamente todos os domicílios gaúchos, há um aparelho, superando o rádio e representando mais do que o dobro de residências que dispõem de computadores com acesso à internet.

 A universalidade da TV, somada à qualidade dos programas e a disposição do público em assistir antes de definir o voto, dá sentido à tese de que a campanha invade o cotidiano social somente após o início do horário eleitoral.

 – A televisão é o veículo de comunicação da modernidade. Se você pensar nas classes populares, é a transmissão em canal aberto que entra na casa das pessoas – atesta Márcia Ribeiro Dias, professora do programa de pós-graduação em Ciências Sociais da PUCRS.

Especialistas na área, contudo, contestam as versões de que apenas esteticamente bons programas são capazes de eleger um prefeito. Sem conteúdo e discurso, sustentam, não se chega a lugar algum. O voto do cidadão possui basicamente duas dimensões.

A primeira é racional, praticamente hermética aos apelos da TV, e envolve a avaliação do governo que está no poder, o histórico dos candidatos, a preferência partidária e a ideologia. A segunda dimensão, emocional, abre a porta para que os marqueteiros apresentem candidatos humanizados por histórias de vida que sensibilizam eleitores.

É neste ponto que a TV ajuda a acumular votos em larga escala. De outra parte, também costuma haver a busca pelo discurso que se enquadre nas pretensões da maioria da população, com a diminuição de posicionamentos em temas espinhosos, cujos conteúdos podem afrontar crenças e círculos sociais.

 – Eles partem em busca do eleitor médio porque sabem que perdem votos ao defender questões controversas. É por isso que o eleitor tem dificuldade em perceber diferenças entre os candidatos – explica Nuno Coimbra Mesquita, doutor em Ciência Política e pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas da USP.

Especialistas alertam para a possibilidade de rejeição às propagandas de políticos que optarem por apelos paternalistas, que forçam uma relação de cumplicidade e parceria inexistente.

 – Alguns discursos tentam estabelecer um quadro de dependência, mas o eleitor está cada vez mais maduro. Ele não quer um padrinho – afirma Márcia.

Confira as estratégias dos candidatos da Capital para os programas de TV:

Adão Villaverde (PT)

l Aposta na propaganda eleitoral na TV para ser identificado como o "candidato do PT, de Lula, Dilma e Tarso". Espera que os depoimentos de petistas influentes o façam crescer na intenção de voto.

l Irá destacar feitos das quatro gestões do PT em Porto Alegre para justificar a necessidade de retorno da sigla ao poder na Capital. Dirá que Porto Alegre precisa aproveitar o bom momento do Brasil.

l O primeiro programa irá apresentar Villaverde como um técnico, valorizando a carreira de engenheiro e professor universitário. Ainda irá destacar as relações com os governos estadual e federal.

l A equipe é coordenada pelo publicitário Mauro Dorfman.

 

José Fortunati (PDT)

l A ideia é embarcar Fortunati na carona da avaliação positiva da gestão de Porto Alegre. Hoje, a intenção de voto do pedetista, conforme as pesquisas, equivale a apenas metade daqueles que aprovam a administração municipal.

l Quando atacado pelos problemas da cidade, utilizará a estratégia do mea-culpa. Irá reconhecer as carências, mas, ao mesmo tempo, destacar realizações. O método será aplicado principalmente na área da saúde.

l O primeiro programa na TV irá fazer um resgate da sua história. Será destacada a infância humilde, o ingresso na UFRGS, no sindicalismo e, depois, na política.

l A equipe é coordenada pelo jornalista Marcos Martinelli, com os auxílios de Marcelo Pires e Newton Bento.

 

Manuela D'Ávila (PC do B)

l Irá apontar os problemas da cidade, mas sem adotar tom agressivo. Conceitos como "inovação" e "cuidado com as pessoas" devem prevalecer. Da base do governo Dilma, irá reivindicar louros por conquistas como o metrô.

l Para afastar insinuações de que é muito jovem — fator usado contra ela em 2008 —, a campanha de Manuela, 31 anos, destacará sua trajetória política, como o período de vice-liderança do governo Dilma. A título de comparação, será dito que Leonel Brizola foi prefeito da Capital com 33 anos.

l O primeiro programa na TV irá apresentar a trajetória familiar e política, além das ideias gerais da campanha.

l A equipe é coordenada pelo marqueteiro Juliano Corbellini, somado ao cineasta Carlos Gerbase.

 

Wambert Di Lorenzo (PSDB)

l Acredita no poder da TV para se tornar conhecido do eleitor. Defenderá bandeiras históricas do PSDB, entre elas a austeridade fiscal. Se apresentará como afilhado político de Fernando Henrique, Aécio Neves e Yeda Crusius.

l Irá reforçar o slogan "as pessoas em primeiro lugar". Também irá se posicionar como o "único" candidato de oposição à atual gestão da prefeitura de Porto Alegre, considerando que José Fortunati, Manuela D'Ávila e Adão Villaverde "fazem parte de um mesmo projeto de poder que governa o Estado e o país".

l O primeiro programa abrirá com a biografia de Wambert e estreitará seus vínculos com a história do PSDB.

l A equipe é coordenada pelo jornalista Cleber Benvegnú.

 

Érico Corrêa (PSTU)

l Percorrerá palavras contundentes do dicionário para qualificar os governos dos partidos tradicionais, transformando o seu discurso em ataques às candidaturas de Fortunati, Manuela e Villaverde.

l Além das contestações ao sistema financeiro, tecerá críticas às promessas de candidatos que nunca são cumpridas em áreas como a saúde.

 

Jocelin Azambuja (PSL)

l As produções irão valorizar a trajetória do candidato, apresentando-o como fundador da Federação das Associações do Círculo de Pais e Mestres do Estado.

l Retomará projetos de sua autoria como vereador na década de 90. Defenderá a federalização dos professores e o transporte hidroviário e as ciclovias como alternativas ao trânsito congestionado.

 

Roberto Robaina (PSOL)

l O tom mais forte dos debates será dosado. Na propaganda eleitoral na TV, apesar das críticas consideradas "inevitáveis", irá priorizar a apresentação dos valores e propostas do PSOL, como o corte de 70% dos CCs da prefeitura.

l O discurso irá enquadrar Fortunati, Manuela e Villaverde como representantes do "mesmo projeto".

 
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