Eleições 2014

"Graças a Deus aqui não é Cuba", diz Pastor Everaldo

Candidato do PSC propõe Estado mínimo e defesa dos valores cristãos

Atualizada em 25/07/2014 | 06h0325/07/2014 | 05h40
"Graças a Deus aqui não é Cuba", diz Pastor Everaldo Fernando Chaves/PSC,Divulgação
Foto: Fernando Chaves / PSC,Divulgação

Pastor da Assembleia de Deus, Everaldo Pereira é uma das surpresas da eleição presidencial, com 4% das intenções de voto. Está longe de ser mais um candidato folclórico. Seu partido, o PSC, não para de crescer. Elegeu 17 — hoje tem 12 — deputados em 2010. Criado nos subúrbios do Rio de Janeiro, de infância pobre, foi camelô, servente de pedreiro e office boy.

O religioso deu os primeiros passos na política por causa do ex-governador Leonel Brizola, de quem era fã. Ajudou o gaúcho a angariar votos na comunidade evangélica durante a eleição de 1989 e, agora, nos 10 anos da morte do pedetista, esteve nas cerimônias realizadas em São Borja.

Aos 58 anos, o pastor é objetivo nas respostas e não se omite em defender teses conservadoras, embora não estejam no centro da sua pregação. Everaldo bate mesmo é no inchaço da máquina pública e na carga tributária. Acredita que é questão de tempo para despontar nas pesquisas.

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— O desconhecido Everaldo já está encostando neles (os candidatos Aécio Neves e Eduardo Campos). Daqui a pouquinho vai ultrapassá-los — diz.

Em 2010, partidos evangélicos deram apoio a Dilma Rousseff, inclusive a defendendo na questão sobre o aborto. Se o PSC era governo, por que saiu?

Em janeiro de 2011, o partido decidiu que teria candidatura própria à Presidência em 2014. O governo Dilma, já na montagem, decepcionou a maioria da população, e o PSC entendeu que não o representava mais.

O que mais decepcionou o senhor e o partido?

Acreditamos que o foco de um governo é servir ao cidadão e à família brasileira. E vimos naquele momento que o foco foi se servir do cidadão e da família.

O senhor fala que a máquina pública está inchada. Como pretende resolver isso?

Nossa proposta é clara: Estado mínimo, necessário para o governo tomar conta, e passar o restante para iniciativa privada. Não é concessão, é privatização mesmo.

A ideia de privatização envolve a Petrobras?

BR Distribuidora, biodiesel... Nós vamos fazer de tudo para a Petrobras voltar a ser um orgulho nacional. Hoje, a empresa passou de orgulho nacional, de exemplo para o mundo, para uma das mais endividadas do planeta.

Quantos ministérios o senhor pretende ter?

Vamos reduzir para o ideal de 20. Se você analisar, no lado direito da Esplanada são 10 prédios. Do lado esquerdo, são sete. Mais o Itamaraty, 18. Justiça, 19, e Casa Civil, 20. Então, dá certinho 20 ministérios.

O senhor fala que Dilma não olha para a família. Quais são, na verdade, os problemas?

Máquina inchada, quinta carga tributária mais elevada do planeta com serviços de submundo. É um governo que, nos últimos 10 anos, permitiu o fechamento de mais de 32,5 mil escolas na zona rural, um governo em que a educação, no ensino básico, tem carência de mais de 300 mil professores de matemática, mais de 250 mil de português. A criança sai da escola sem saber ler e fazer uma conta. O cidadão de bem está preso em casa, e o bandido, solto na rua. São muitas mazelas.

O que seriam serviços de submundo?

A saúde, a mobilidade urbana e a segurança.

O senhor perdeu um irmão baleado. Como foi?

Era 22 de abril do ano passado, em plena segunda-feira, meio-dia, dia normal de trabalho, todo mundo saindo. Um tiroteio, uma bala perdida atinge a cabeça de um jovem, 50 anos de idade. A esposa, do lado, fica viúva. Duas filhas meninas: 20, 21 anos, duas órfãs. Então, sofri na pele, sei o que a população sofre nesse país.

Diante dessa tragédia familiar, qual a sua proposta para a segurança pública? Qual é sua posição sobre a diminuição da maioridade penal?

Nossa proposta é a criação do Ministério da Segurança Pública. E nosso partido já apresentou projetos no Congresso para a redução da maioridade penal. Sou 100% favorável. E aí temos de mexer no sistema prisional, passar os presídios para a iniciativa privada por meio de PPP (parcerias público-privadas).

A inflação está em alta, o crescimento é baixo. Provavelmente quem assumir vai ter de elevar o juro e cortar gastos. O que o senhor vai fazer?

Primeira coisa, vamos praticar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Cortar na carne. O brasileiro não suporta mais pagar essa alta carga tributária e não ter o serviço. O governo tem de dar o exemplo, sem contabilidade mirabolante, criativa, feita sem transparência.

O que faz o senhor se diferenciar dos candidatos nanicos, muitas vezes folclóricos?

Ando pelo Brasil, saí de Imperatriz, perto de Teresina, e fui até São Borja. A nossa proposta está indo ao encontro dos brasileiros. A última pesquisa diz que 74% dos brasileiros querem mudança. Usando o linguajar do meu amigo Leonel Brizola (morto em 2004), não vivo costeando o alambrado. Falo claramente.

O seu eleitorado, pelo seu discurso contra o aborto, contra a união homoafetiva, tende a compartilhar ideias mais conservadoras. Esse tom pode impedir sua vitória?

Acredito que não. Sou evangélico e não nego a minha fé. Sou nascido e criado na Assembleia de Deus de Madureira, no Rio de Janeiro. Sou neto de pastor, sou filho de pastor, tenho filho pastor. Estamos numa democracia, graças a Deus aqui não é Cuba, não é Venezuela. Esse é um ponto de vista que defendo e não abro mão dele. A gente tem de respeitar o ponto de vista de todo brasileiro. Acho que a população está querendo alguém que fale o que pensa. Não que diga uma coisa e faça outra.

Qual a sua posição, claramente, sobre o aborto e sobre a união homoafetiva?

Defendo a vida do ser humano desde a sua concepção, defendo a família como está previsto na Constituição: casamento é entre homem e mulher. A pessoa mais democrática e liberal do mundo é Deus. Ele deu livre arbítrio, não é o Estado que vai se meter na vida do cidadão. Agora, tenho o direito de defender os meus pontos de vista.

O deputado Marcos Feliciano, do seu partido, é um crítico das novelas da TV Globo. O que o senhor acha sobre o beijo gay?

Acho inconveniente.

Qual a sua visão sobre o Bolsa Família?

Ajudei a implantar, no Rio de Janeiro, a primeira versão do programa. Em 1999, o Cheque Cidadão beneficiou 20 mil famílias, 72% das quais jamais havia entrado em um supermercado para fazer compras com R$ 100. Havia obrigação de manter a criança na escola e com a vacinação em dia. No meu governo, nenhum brasileiro vai passar fome. Mas a gente tem de dar condições para prosperar. Dar a porta de saída.

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