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Pressionado por polêmica, Aécio defende aeroportos construídos no interior de Minas

Na gestão do tucano em Minas, pista foi feita por R$ 14 milhões, e outra, reformada por R$ 309 mil

31/07/2014 | 23h00
Pressionado por polêmica, Aécio defende aeroportos construídos no interior de Minas Cristiano Mariz/Especial/Especial
O aeródromo do município de Cláudio custou R$ 14 milhões Foto: Cristiano Mariz/Especial / Especial

A construção de dois aeroportos no interior de Minas Gerais à época em que Aécio Neves governava o Estado (2003-2010) são a maior dor de cabeça da candidatura do tucano nesta lar­gada da campanha presidencial. Os dois terminais não têm homologação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e um deles foi erguido em terras desapropriadas de um parente do senador.

O aeródromo do município de Cláudio custou R$ 14 milhões e está instalado na fazenda de Múcio Tolentino, tio-avô do senador e ex-prefeito da cidade de cerca de 25 mil habitantes. Apesar de o terreno ter sido desapropriado, a família de Múcio guarda as chaves do portão do aeroporto. Um dos filhos dele disse ao jornal Folha de S.Paulo que Aécio usa a pista sempre que visita a Fazenda da Mata, outra propriedade da família, a seis quilômetros do terminal.

Desde que o caso veio à tona, há 10 dias, o senador defende a legalidade do empreendimento e diz que seus parentes não se beneficiaram com a obra, argumentando que o tio-avô contesta o valor da indenização. Em artigo publicado na Folha nesta quinta-feira, ele voltou a respaldar o projeto afirmando que o aeroporto é usado por moradores e empresários da região. "Depois de concluída essa obra (em 2010), demandada pela comunidade empresarial local, pousei lá umas poucas vezes, quando já não era mais governador", completou. Além disso, disse ter errado ao não acompanhar o processo de homologação na Anac.

Problema semelhante se repete no terminal de Montezuma, município com cerca de 7 mil moradores. Ao custo de R$ 309 mil, o local foi reformado pelo governo em 2007 e até hoje permanece sem registro na Anac. A pista fica perto de uma fazenda que pertencia ao pai do senador, Aécio Cunha. Segundo o tucano, a obra foi realizada em razão da existência, na região, de um polo de águas termais.

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— Desci lá uma vez, há cerca de 10 anos. Outra alternativa seria ignorar a demanda da comunidade, ou ter feito em outra área mais montanhosa. Talvez, se não estivesse próximo a terras de parentes, não teria essa celeuma toda — afirmou Aécio na quarta-feira.

Entenda a polêmica

TERMINAL DE CLÁUDIO

Construído pelo governo Aécio, por R$ 14 milhões. Fica em área desapropriada de um tio-avô do senador. O parente questiona na Justiça o valor da indenização, de R$ 1 milhão.

Aécio afirma que a pista tem 30 anos e que, com a obra, é usada por moradores da região. Alega que a família não foi beneficiada, uma vez que procurou a Justiça. O tio-avô é réu em ação que cobra a devolução do dinheiro gasto na primeira pista, de terra batida, construída em 1983.

TERMINAL DE MONTEZUMA

Foi reformado durante o governo Aécio em 2007, ao custo de R$ 309 mil. Até hoje, segue sem uso e sem registro na Anac. O atual prefeito informa que não encontrou os documentos para legalizar a estrutura.

O governo diz que a regulamentação do aeroporto cabe ao município. Aécio afirma que a reforma foi uma demanda da comunidade, para potencializar um polo de águas termais na região.

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