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Legado político

Aos 49 anos, Eduardo Campos era considerado um dos políticos mais promissores de sua geração

Candidato à presidência da República pelo PSB, o pernambucano ganhou força após dois mandatos como governador

13/08/2014 - 16h04min
Aos 49 anos, Eduardo Campos era considerado um dos políticos mais promissores de sua geração José Paulo Lacerda/Divulgação CNI
Eleito duas vezes governador de Pernambuco, Eduardo Campos ganhava força no cenário político nacional Foto: José Paulo Lacerda / Divulgação CNI

Ex-governador de Pernambuco e candidato à presidência da República pelo PSB, aos 49 anos o economista Eduardo Henrique Accioly Campos mirava no Palácio do Planalto o ápice de uma carreira política de mais de duas décadas.

Natural do Recife, nascido em 10 de agosto de 1965, Campos era considerado um dos políticos mais promissores da nova geração, em especial após sua gestão em Pernambuco, marcada por avanços na educação, saúde e geração de emprego. Foi ao longo dos seus mandatos que o Estado teve uma retomada econômica, com a consolidação do porto de Suape.

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Campos deixou a viúva Renata e cinco filhos, Maria Eduarda, João, Pedro, José Henrique e Miguel. O nascimento de Miguel, em janeiro de 2014, veio junto com a notícia de que o menino é portador da síndrome de down.

– Eu e Renata queremos agradecer aos milhares de votos de felicidades, enviados com carinho de todas as partes do Brasil – afirmou Campos na oportunidade.

"A morte de Eduardo Campos é a maior tragédia envolvendo políticos na história recente do Brasil", diz Rosane de Oliveira:

Filho da ministra do Tribunal de Contas da União (TCU) Ana Arraes e do escritor Maximiano Campos, Eduardo Campos trazia a política do berço. Neto do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, era próximo do avô e foi seu principal herdeiro político.

Campos iniciou sua militância ainda na Universidade Federal de Pernambuco, como presidente do diretório acadêmico da Faculdade de Economia. Participou da campanha que elegeu o avô governador, em 1986, e foi chefe de gabinete de Miguel Arraes. Em 1990, filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) e foi eleito deputado estadual. Em 2005, Campos assumiu a presidência do PSB, em virtude da morte do avô, também ocorrida em um 13 de agosto.

Ao longo da carreira política, Campos manteve relação próxima ao PT, que lhe deu apoio nas duas campanhas para o governo de Pernambuco. Em 2006, venceu a eleição com 65% dos votos. Quatro anos depois, obteve a reeleição em primeiro turno, com mais de 82% dos votos.

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Com altos índices de aprovação e taxas de crescimento elevada em Pernambuco, Campos ganhou envergadura e capital político para pavimentar a candidatura à presidência. Em 2013, o PSB formalizou a ruptura com o PT e a saída do governo Dilma Rousseff. Em outubro, o socialista conseguiu o grande fato da pré-campanha até o momento, ao filiar ao PSB a ex-ministra Marina Silva, que não conseguiu o registro junto à Justiça Eleitoral do seu novo partido, a Rede.

Para oficializar a candidatura ao Palácio do Planalto, Campos renunciou ao governo de seu Estado em abril e passou a adotar o discurso de mudança e melhora na gestão pública e da economia.

– Vamos concorrer para oferecer ao Brasil uma chance de mudar, mas mudar para o futuro, não para o passado. Unir o Brasil é fundamental para melhorar a política. Precisamos de uma renovação que aposente as velhas raposas ou que as coloque na oposição – afirmou em entrevista a Zero Hora.

Em campanha e confiante que Marina Silva o ajudaria a romper a barreira dos dois dígitos nas pesquisas, Campos concedeu entrevista na noite dessa terça-feira ao Jornal Nacional. Afirmou que não se constrangia por ter auxiliado na articulação que levou sua mãe, Ana Arraes, ao TCU.

Campos ainda destacou a necessidade de acabar com os cargos vitalícios no Judiciário e distribuiu críticas ao governo Dilma. O socialista acusou a petista de permitir o retorno da inflação, com uma má condução da economia.

A morte de Eduardo Campos provocou comoção no meio político nacional. Em Brasília, aliados e adversários políticos renderam elogios ao socialista.

– Apesar de vir de uma família de políticos, o Eduardo trazia ideias novas. Não agora, pela conjuntura, mas seria um forte nome para ocupar a presidência do país – afirmou o ex-presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS).

 
 
 
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