Tragédia

Eduardo Campos foi o primeiro candidato à Presidência a morrer em acidente de avião em plena campanha eleitoral

Avião onde estava o candidato caiu na quarta-feira em Santos

Atualizada em 14/08/2014 | 04h5814/08/2014 | 04h58
Eduardo Campos foi o primeiro candidato à Presidência a morrer em acidente de avião em plena campanha eleitoral Daniel Conzi/Agencia RBS
Eduardo Campos completou 49 anos no fim de semana Foto: Daniel Conzi / Agencia RBS
Eduardo Campos, 49 anos completados no fim de semana, pai de cinco filhos, um deles ainda bebê, deixara a condição de possível futuro presidente do país — em 2015 ou mesmo em 2019, como apostavam alguns analistas — para tornar-se o primeiro candidato ao cargo a morrer em plena campanha.

Ao luto natural que segue qualquer desastre aéreo como o desta quarta-feira, que pôs fim a sete vidas e deixou pelo menos 12 feridos, juntou-se o peso de um fato histórico.

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Com a morte de Campos, não só as famílias e os amigos das vítimas sentirão as consequências, mas o Brasil inteiro. Ele era uma das peças centrais no tabuleiro eleitoral deste ano. Segundo a pesquisa mais recente do Ibope, tinha 9% das intenções de voto, atrás de Dilma Rousseff (38%) e de Aécio Neves (23%).

Ainda que não fosse favorito para chegar ao segundo turno ou vencer a eleição, sua morte provoca uma reviravolta no jogo, altera as relações de força e pode ter um papel importante na definição sobre quem governará o país no próximo mandato. O partido de Campos, o PSB, tem 10 dias para indicar um substituto. Marina Silva, a popular candidata a vice da chapa, é o foco principal das especulações.

O ex-ministro do governo Lula e ex-governador de Pernambuco morreu um dia depois de ter sua maior exposição diante do público brasileiro. Ele fôra ao Rio de Janeiro, na terça-feira, para dar uma entrevista ao vivo durante o Jornal Nacional, uma espécie de cartão de apresentação para o eleitorado.

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Na sequência, participou do Jornal das Dez, da GloboNews. Estava com a esposa, Renata Campos. Na quarta, chegou a ser anunciado que ela e o caçula do casal, Miguel, também viajavam na aeronave acidentada, mas mãe e filho haviam embarcado na véspera em um avião de carreira para Recife. Campos passou a noite em um hotel no Posto 6, em Copacabana, e saiu com sua comitiva às 7h40min de quarta, em dois carros. Às 9h21min, levantou voo do Aeroporto Santos Dumont, na zona central do Rio.

Além dele, estavam no Cessna 560XL, com capacidade para 12 pessoas, os pilotos Marcos Martins e Geraldo da Cunha, o fotógrafo Alexandre Severo Gomes da Silva, o cinegrafista Marcelo Lira e os assessores Carlos Augusto Ramos Leal Filho e Pedro Almeida Valadares Neto. Campos havia oferecido uma carona no jatinho a Marina Silva, que acompanhou sua ida ao Jornal Nacional, mas ela preferiu tomar um voo comercial até Guarulhos (SP), para gravar programas do horário eleitoral. O destino do voo de Campos era o aeroporto de Guarujá (SP). O candidato iria a Santos, cidade vizinha, para conceder entrevistas e participar de um seminário.

Por volta das 10h, o Cessna aproximou- se da pista para o pouso, mas arremeteu. Chovia fraco no momento da tentativa. Instantes depois, pilotos que estavam no aeroporto relataram ter visto uma turbina pegar fogo. A aeronave voou baixo por mais alguns quilômetros, sobrevoando o centro de Santos, passando de raspão por um prédio de oito andares e finalmente caiu, ao lado de uma academia de ginástica. Todos os ocupantes morreram.

A tragédia de quarta ocorreu exatos nove anos após a morte do principal mentor de Campos, Miguel Arraes (1916-2005), seu avô. Na segunda metade dos anos 1980, recém-formado em Economia, o rapaz estava prestes a se mudar para os Estados Unidos, onde faria mestrado, quando foi chamado por Arraes.

O velho socialista, que tivera de se exilar durante a ditadura militar, queria ajuda do neto em sua campanha para o governo de Pernambuco. Campos decidiu abrir mão do curso no Exterior. Eleito o avô, entrou para o governo e não saiu mais da política. No primeiro governo Lula, foi ministro da Ciência e Tecnologia. Deixou Brasília em 2005, para concorrer a governador de Pernambuco, cargo que ocupou por dois mandatos.

No ano passado, enxergando uma oportunidade na polarização entre PT e PSDB, fez o que analistas interpretaram com um jogada de mestre: juntou forças a Marina Silva, que não conseguira registrar seu próprio partido, e cacifou-se para chegar  à Presidência, sonho encerrado na quarta no meio dos escombros de uma rua de Santos.



Jato com Eduardo Campos cai no litoral paulista:

 

Relembre momentos da trajetória de Eduardo Campos


Jato caiu no bairro Boqueirão, na região central de Santos:

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