Morte de Eduardo Campos

Marina Silva: entre a força e a fragilidade

Os 19 milhões de votos que conquistou em 2010 são o principal capital da ex-ministra, que tem a seu favor a comoção provocada pela morte de Campos, mas ainda precisa conquistar confiança do PSB

16/08/2014 | 16h01
Marina Silva: entre a força e a fragilidade  EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO CONTEÚDO
"Durante esses 10 meses de convivência (com Campos),aprendi a respeitá-lo, admirá-lo e a confiar nas suas atitudes e em seus ideias de vida", diz Marina Foto: EVELSON DE FREITAS / ESTADÃO CONTEÚDO

Aaparência de Marina Silva é tão frágil que qualquer pé de vento parece capaz de derrubá-la, mas ela tem uma força política que passou a assombrar os adversários Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) desde que a morte de Eduardo Campos a transformou em potencial herdeira da candidatura à Presidência da República.
Aos 56 anos, Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima está prestes a ser confirmada como candidata pelos partidos que formam a coligação Unidos pelo Brasil (PSB, PPS, PHS, PRP, PPL e PSL), com a bênção da família Campos.

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Desde o dia do acidente, Marina só apareceu em público uma vez, abatida, para fazer um breve pronunciamento lamentando a morte do companheiro de chapa. Recolhida a seu apartamento em São Paulo, recebeu visita de amigos e companheiros da política, foi consolada pela família e conversou por telefone com a viúva de Campos, Renata, uma figura que tende a ser decisiva para a candidatura. No momento em que nenhum dos líderes do PSB admitia falar em sucessão, alegando que era preciso elaborar o luto, o irmão de Eduardo Campos, Antônio, veio a público dizer que, na opinião dele, Marina deveria ser candidata a presidente. Ela também teria o apoio de Renata.

Energia pessoal esbarra em dificuldades políticas

Em Marina, força e fragilidade se equilibram desde a infância miserável nos confins da Amazônia. Venceu a pobreza, o analfabetismo e a malária. Estudou e, de degrau em degrau, chegou ao Senado. Foi ministra do Meio Ambiente e candidata à Presidência em 2010. Tem uma biografia de cinema, com passagens épicas nos seringais do Acre, ao lado de Chico Mendes, o ambientalista assassinado que se tornou mártir da floresta.

À Justiça eleitoral, Marina declarou um patrimônio de R$ 135.402,38. Seu patrimônio eleitoral é muito maior: 19.636.359 votos no primeiro turno de 2010 (19,33% dos válidos). É esse patrimônio, somado à comoção causada pela morte de Campos e aos índices que tinha nas pesquisas quando aceitou ser candidata a vice (era a segunda, com 27% no Datafolha), o centro das preocupações no comando das campanhas de Dilma e Aécio. Acrescente-se, na coluna do crédito, a integridade, a simpatia da causa ambientalista e um perfil capaz de cativar o eleitorado jovem e os desencantados com a política.

Marina é uma mulher de muitos méritos, mas sua provável candidatura tem fragilidades. Ela entra na disputa quase um mês e meio depois dos outros concorrentes. Falta-lhe a confiança dos líderes do PSB, há dívidas a pagar, os financiadores da campanha apostavam em Campos e não nela, e o agronegócio a tem por inimiga.

Seus parceiros de coligação reclamam que  é intransigente, apegada a um ritualismo que não combina com a gestão moderna apregoada por Campos. Por ser evangélica, defende posições consideradas retrógradas pelos próprios, como a objeção às pesquisas com células tronco embrionárias.

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