Morte de Eduardo Campos

Pesar com a perda de Eduardo Campos é comum a pobres e ricos em Recife

Na capital de Pernambuco, não são raros os conterrâneos que choram ao falar do líder, cujo enterro está previsto para domingo, mas ainda depende de confirmação

15/08/2014 | 05h02
Pesar com a perda de Eduardo Campos é comum a pobres e ricos em Recife  Fernando Gomes/Agencia RBS
Em frente à Igreja do Carmo, no Centro, Lurde Lopes lamenta a morte do presidenciável Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

O sol já estava alto, pouco antes das 9h desta quinta-feira, quando uma estrofe de Madeira que cupim não rói, música de Alceu Valença, tocava em alto volume na esquina da casa do ex-governador Eduardo Campos (PSB-PE), na zona norte de Recife, por um amplificador atado ao guidão de uma moto: "Viemos defender a nossa tradição, e dizer bem alto que a injustiça dói, nós somos madeira de lei que cupim não rói". Os olhos do piloto, Paulo Roberto Barbalho Moura, 43 anos, um homem simples, lacrimejavam.

— Eduardo era fã de Alceu Valença. Ele gostava muito dessa música — afirma Paulo Roberto.

A canção não deixa de ser uma síntese do sentimento do povo pernambucano em relação à trágica morte de Campos: o falecimento prematuro é considerado uma tragédia, mas o legado político e afetivo ficará na memória, algo que o acidente não irá roer.

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Cidade de imponentes arranha-céus e antiquíssimas construções, Recife está de luto. Não há quem se declare indiferente. Mas há também uma dose de comedimento. Não existem, ao menos por enquanto, vigílias, coroas de flores ou choro copioso. A vida agitada segue. O que não significa desdém.

Campos era querido pela população porque, em quase oito anos de governo, alcançou desenvolvimento econômico e redução de homicídios. Ele ainda conservou a imagem quase folclórica de homem simples e afável, neto do líder histórico Miguel Arraes e amigo do escritor Ariano Suassuna, ícone cultural falecido no mês passado. Também a fé católica aproximava Campos do povo humilde.

— Ninguém vai substituir Eduardo. Quando nos encontramos uma vez, na missa de São Lourenço da Mata, ele me beijou a testa — contou Lurde Lopes, 65 anos, que nesta quinta estava em uma lotada Igreja do Carmo, no Centro, e, não suportando a emoção, caiu no choro.

Poucos metros adiante, na Praça do Carmo, Roberto Barbosa, 46 anos, falava e gesticulava agitadamente em uma banca de coco.

— Foi um bom governador, mas ainda temos muitos problemas. A vez dele era em 2018, com o apoio do Lula — teorizou Barbosa, simpatizante do PT, que revelou admiração pelo então adversário.

A popularidade de Campos se estende a todas as faixas sociais. No bairro Casa Amarela, de classe média, as amigas Amanda Braga, Juliane Miranda e Gabriela Fiuza — as duas primeiras, designers de moda — também falaram sobre a perda.

— Muita gente tinha vínculo afetivo com ele. Somos fruto da efervescência econômica que ele trouxe ao Estado — disse Juliane, apontando para a casa rosada onde fica a empresa tocada pelo trio.

Na capital pernambucana, há a certeza de que Campos é tradição, madeira de lei que cupim não rói.

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