Painel RBS Especial Eleições

Marina nega ter cedido a pressões evangélicas no recuo no plano LGBT

Candidata do PSB diz que nem leu os tuítes do pastor Silas Malafaia contra as propostas originais

04/09/2014 - 10h30min | Atualizada em 03/10/2014 - 19h32min
Marina nega ter cedido a pressões evangélicas no recuo no plano LGBT Bruno Alencastro/Agencia RBS
Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

A candidata a Presidência Marina Silva (PSB) negou na manhã desta quinta-feira que a pressão do Pastor Silas Malafaia ou de qualquer outra pessoa tenha motivado o recuo no apoio ao casamento gay e à lei contra a homofobia. Ela participou do Painel RBS Especial Eleições, realizado nos estúdios da TVCOM, em Porto Alegre.

– Para ser sincera, eu nem li os tuítes de Silas Malafaia. Eu não me sinto pressionada nem por ele, nem por ninguém. Nosso programa é de respeito aos direitos das pessoas – respondeu a ambientalista, que garantiu ter propostas melhores para os homossexuais do que a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, e a ex-deputada Luciana Genro (PSOL).

A ex-ministra do Meio Ambiente reafirmou que um "erro de editoração" provocou a inclusão não intencional das propostas, celebradas pelo movimento LGBT. A mudança ocorreu menos de 24 horas depois da apresentação do documento, após reação de evangélicos como o pastor Malafaia.

A própria equipe do plano de governo produziu a errata. As pessoas podem até não acreditar pelo fato de eu ser evangélica – reclamou Marina.

Assista à primeira parte da entrevista

Assista à segunda parte da entrevista

Durante uma hora de entrevista, a candidata se comprometeu com uma reforma sem aumento da carga tributária para os brasileiros, prometeu a reforma política e anunciou investimentos em infraestrutura. Ela garantiu que, se eleita, irá terminar obras prioritárias para o Rio Grande do Sul, como a segunda Ponte do Guaíba.

— Nosso compromisso é de fazer a conclusão das obras — afirmou.

A ambientalista também se comprometeu a agir para acelerar a duplicação da BR-101, no sul de Santa Catarina. Marina defendeu que a solução para o impasse na construção de túnel no Morro dos Cavalos, travada por questões indígenas, passa pela conciliação.

— Qualquer agente público tem que ter o compromisso de resolver os problemas, respeitando direitos. A lógica do governo tem que ser em que todos podem ganhar — destacou.

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Ela adotou o mesmo discurso conciliatório quando falou sobre os conflitos entre pequenos agricultores e índios: para ela, a tensão se reduziria com a criação de uma mesa de diálogo.

— Eu tenho uma visão que se protejam os direitos dos agricultores, e que se protejam os direitos dos índios — afirmou Marina, que defendeu a manutenção das atuais regras constitucionais para a demarcação de terras indígenas.

A candidata só mudou o tom quando avaliou as ações do governo para solucionar o conflito. Ao lembrar que o impasse já provocou mortes, ela atacou "a posição omissa do Estado" na questão.

A política de controle de preços também mereceu críticas da candidata. Quando questionada se manteria a atual estratégia para os valores de combustíveis, ela garantiu:

— Vamos buscar os mecanismos para que o Brasil tenha o controle da inflação. A presidente Dilma (Rousseff, candidata à reeleição) se elegeu dizendo que iria controlar a inflação, faria o país crescer e que baixaria os juros. Não cumpriu esse compromisso — disse.

Ao reafirmar a promessa de que não disputará a reeleição em 2018 caso conquiste a vitória na corrida presidencial, ela voltou a questionar as ações do Palácio do Planalto.

— A reeleição passou a ser um problema para o Brasil, porque não se governa para resolver os problemas, mas para garantir mais quatro anos de poder — avaliou.

Outro ataque ao PT veio quando ela respondeu sobre os questionamentos dos governistas sobre o rendimento de R$ 1,6 milhão com palestras em três anos. Ela ameaçou até buscar o Ministério Público contra a ofensiva petista.

– O PT está criando um factoide. É o desespero. Eu lamento que a presidente Dilma esteja se submetendo a esse tipo de coisa – afirmou.

Marina foi a terceira entrevistada da série de painéis com os presidenciáveis. A candidata à Presidência pelo PSOL, Luciana Genro, foi a participante na última quinta-feira. A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, estreou a  iniciativa. 

 
 
 
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