Intolerância

Com vitória de Dilma, nordestinos são alvo de ódio nas redes sociais

Na Wikipédia, o Nordeste é chamado de "Região Bolsa Família responsável por reeleger uma ditadora bolivariana"

26/10/2014 - 22h31min | Atualizada em 07/11/2014 - 16h55min
Com vitória de Dilma, nordestinos são alvo de ódio nas redes sociais Reprodução/Twitter
Os três Estados onde Dilma fez o maior número de votos foram Ceará (mais de 75%), Maranhão (mais de 78%) e Piauí (mais de 78%) Foto: Reprodução / Twitter

A vitória expressiva da presidente Dilma Rousseff (PT) nos nove Estados do Nordeste fez com que os moradores de uma das regiões mais populosas do Brasil fossem vítimas de ódio e intolerância nas redes sociais. Até mesmo a Wikipédia, um dos principais sites de conteúdo colaborativo do mundo, classificou o Nordeste como a "Região Bolsa Família responsável por reeleger uma ditadora bolivariana".

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Os três Estados onde Dilma fez o maior número de votos foram Ceará (mais de 75%), Maranhão (mais de 78%) e Piauí (mais de 78%). No primeiro turno da eleição presidencial, os nordestinos também haviam sido alvo de preconceito, principalmente no Twitter.

Confira, a seguir, algumas postagens que circularam no Facebook e Twitter logo após a divulgação da apuração dos votos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE):

Dilma é reeleita em votação acirrada

O Brasil reelegeu Dilma Rousseff (PT) presidente da República. Com 100% das urnas, a petista conquistou 54.501.118 dos votos, contra 51.04.115 de Aécio Neves (PSDB). A candidata conta com 51,64% dos votos válidos, contra 48,36% do adversário. Com a reeleição de Dilma, o Partido dos Trabalhadores deve chegar a 16 anos de poder no cargo máximo do país — dois mandatos de Lula e, agora, dois de Dilma.

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Para conquistar um segundo mandato, a presidente convenceu a população de que sua reeleição significará, de fato, o início de um novo ciclo de mudanças para o país. Ao lado de PMDB, PSD, PP, PR, PROS, PDT, PC do B e PRBO, Dilma integrou a coligação Com a Força do Povo. O slogan "governo novo, ideias novas" emplacou:

— Fizemos muito, mas precisamos fazer muito mais, porque as necessidades do povo ainda são grandes. O povo quer mais e melhor, e nós também — disse Dilma, em junho, durante a convenção do PT que lançou sua candidatura e apontou para o tom que a campanha ganharia.

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Dilma é a terceira presidente da República a ser reeleita — antes dela, Fernando Henrique Cardoso e Lula haviam cumprido dois mandatos. Nona mineira a comandar país, ela agora pode ultrapassar Juscelino Kubitschek e se tornar a presidente nascida naquele Estado com mais tempo no governo do Brasil — JK ficou quatro anos e 355 dias no poder.

Ao assumir seu segundo mandato, Dilma será a sexta presidente mais velha da nossa história. Com 67 anos completados em 14 de dezembro, a presidente fica atrás apenas de Nereu Ramos, Costa e Silva, Getúlio Vargas (que tinha 68 anos e nove meses em seu último mandato), Rodrigues Alves (quinto presidente da história do Brasil) e Tancredo Neves (que morreu antes da assumir, mas teria 75 anos no dia em que tomaria posse).

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Campanha foi marcada pela morte de Eduardo Campos

Dilma venceu após três meses de uma campanha eleitoral marcada pela maior tragédia envolvendo políticos na história recente do Brasil. Em 13 de agosto, Eduardo Campos deixou a condição de possível futuro presidente da República para se tornar o primeiro candidato ao cargo a morrer durante a disputa. A fatalidade da queda do jato que vitimou o pernambucano e outras seis pessoas abriu espaço para uma improbabilidade: a entrada de Marina na corrida eleitoral, a terceira colocada no pleito de 2010 com quase 20 milhões de votos.

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A ambientalista chegou a quebrar a polarização PT-PSDB que há 20 anos marca a política brasileira e a aparecer à frente de Dilma em pesquisas de intenção de voto para o segundo turno e colada no primeiro — porém, contradições nas suas posições (como o recuo do tema LGBT no seu plano de governo) não sustentaram a candidatura. Aécio retomou o protagonismo na reta final e acabou indo ao segundo turno com a petista. Até os últimos dias de campanha, as pesquisas de intenção de voto mostravam o tucano empatado ou à frente da presidente reeleita.

Ao longo da campanha, Dilma resistiu a ataques da oposição em um cenário povoado pela estagnação econômica do país e por denúncias de corrupção. O escândalo de desvios da Petrobras, porém, não parece ter sido suficiente para abalar a imagem da presidente que se equilibrou sobre os feitos de seu governo e dois oito anos de Lula no poder.

 
 
 
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