Visões opostas

"Pode escrever: serei opção para candidato à Presidência em 2018", diz Jair Bolsonaro (PP)

Candidato foi o mais votado para deputado federal no Rio de Janeiro. Conhecido por suas declarações homofóbicas e polêmicas, ele começará sua sétima legislatura

13/10/2014 - 04h01min
"Pode escrever: serei opção para candidato à Presidência em 2018", diz Jair Bolsonaro (PP)  Gustavo Lima/Câmara dos Deputados,Divulgação
O deputado federal Jair Bolsonaro diz que será um nome para disputar a Presidência em 2018 Foto: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados,Divulgação

Homem público polêmico, amado e odiado por suas posições radicais, Jair Bolsonaro (PP) foi reeleito deputado federal com a maior votação do Rio, alcançando 464 mil votos. Confiante após o resultado das urnas, ele afirma que será candidato à Presidência em 2018 e acena com a troca de partido, manifestando simpatia pelo PSC. Nesta entrevista, Bolsonaro defende a Polícia Militar e dispara contra homossexuais, petistas e militantes do PSOL. Antes mesmo da primeira pergunta, polemiza: "Tomara que a gauchada mande esse Tarso Genro para a ponta da praia, tá ok?".

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Por que foi o mais votado?
Uma série de fatores. Primeiro, a coerência. Sou uma pessoa parecida há 24 anos, não apoio chefes de Executivo em troca de cargos. Tenho bandeiras que a maioria da população concorda: redução da maioridade penal, planejamento familiar e defesa da família. Inclusive, muitos gays votaram em mim porque não concordam com o ativismo que os está prejudicando. A discriminação e a tendência de crescimento da violência ocorrem porque uma minoria quer privilégios. Eles querem criminalizar o que chamam de homofobia.

Quais são os seus planos para o futuro político?
Pode escrever: serei opção para 2018 à Presidência. Meu partido está nas páginas policiais o tempo todo, junto com o PT e o PMDB, mas, pela lei, não posso sair (corre o risco de perder o mandato por infidelidade partidária). No futuro, se me acertar com outro partido, quem sabe o PSC, vou ver como fica o divórcio para nenhum dos lados sair perdendo. Trocaria de sigla para concorrer à Presidência com o risco de perder o mandato. Correria o risco.

Candidatos de pauta conservadora cresceram nesta eleição. Por quê?
Candidatos conservadores, e também coloque aí o tema da segurança (candidatos policiais). Teve um pessoal com excelente votação Brasil afora. A questão da insegurança é o que mais preocupa o cidadão. Veja o Coronel Telhada em São Paulo, eleito deputado estadual (com 254 mil votos). O meu filho é da Polícia Federal e se elegeu em São Paulo deputado federal pelo PSC (Eduardo Bolsonaro, com 82,2 mil votos). Já me disseram para concorrer a governador. Mas como vou colocar a Polícia Militar para trabalhar se eles (os policiais) não têm retaguarda jurídica? Qualquer coisa, prendem os caras. O policial militar é um homem armado e preparado para defender vidas e patrimônios, e o efeito colateral são as mortes. Para mim, quanto mais matar marginal, é sinal de produtividade.

Ao mesmo tempo em que o senhor foi o mais votado para deputado federal, Marcelo Freixo (PSOL) foi o mais votado para deputado estadual no Rio. Como avalia essa dicotomia?
Ele tem um trabalho de bater na Polícia Militar. Então, a marginalidade do Rio é toda favorável a ele: traficante e bandido, além do pessoal que quer liberar maconha e casamento gay, o pessoal da laia dele. Em qualquer operação policial, no dia seguinte ele está lá criticando. É uma pedra no sapato da segurança pública do Rio.

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Como o senhor vai votar no segundo turno? Nutre ódio pelo PT?
Vou votar no Aécio. Até porque a Dilma reeleita é a compra de uma passagem de ida para Cuba sem passar pela Venezuela. Ela vai cubanizar o nosso país, coisa que é um sonho dela desde os tempos do pós-64, quando apareceu na vida pública.

As manifestações de junho de 2013 começaram com cunho esquerdista, mas depois também foram tomadas por grupos mais conservadores. Os protestos influenciaram as eleições legislativas?
A minha votação pode ser influência disso. O próprio PSOL, aqui no Rio, é um partido que financiava os black blocs. Isso acordou uma parte dos eleitores para o nosso lado. O Chico Alencar, do PSOL, viu a sua votação cair aqui no Rio. A bancada da maconha, a bancada da promiscuidade e a bancada de que se exploda a família são a bancada do PSOL. Eles têm ainda uns 10% da sociedade que vota neles.

Há indicativos de uma radicalização crescente à direita e à esquerda no Brasil. As suas posições estimulam ódio e violência?
Só conheço a radicalização de esquerda. Eles fazem a estratégia de dividir a sociedade. Jogam negros contra brancos, pobres contra ricos, homossexuais contra heterossexuais e agora, na eleição, nortistas contra sulistas.

Como o senhor responde às críticas de que é homofóbico, militarista e racista, entre outras classificações?
Como a esquerda não tem argumento, falam que sou racista, homofóbico, fascista, torturador. Estou com a razão, e as urnas provaram. Gastei na campanha R$ 200 mil doados pelo partido. Por isso, eles ficam se mordendo. A cada 17 eleitores no Rio, tive um voto para deputado federal. Defendo a maioria.

Quem é
> Tem 59 anos
> Nascido em Campinas (SP), tem formação na Academia das Agulhas Negras e é militar da reserva do Exército Brasileiro
> Em 1988, foi eleito vereador do Rio de Janeiro pelo extinto PDC
> Elegeu-se deputado federal do Rio em 1990 e foi reeleito em 1994 pelo também extinto PPR
> Em 1998 e 2002, venceu como deputado federal pelo PPB, atual PP
> Foi reeleito pelo PP em 2006 e 2010
> Ficou em primeiro lugar na eleição para deputado federal do Rio com 464.572 votos

 
 
 
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