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Algoritmo e restrições a posts patrocinados são desafios a candidatos no Facebook

Timeline da rede social prioriza o que é publicado por amigos e familiares de usuários, o que aumenta as dificuldades para candidatos conectados

21/09/2016 - 13h38min | Atualizada em 21/09/2016 - 14h13min
Algoritmo e restrições a posts patrocinados são desafios a candidatos no Facebook Jessé Giotti/Agencia RBS
Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS

Em uma eleição com restrições de verbas e tempo de exposição na TV e rádio, o Facebook poderia despontar como o principal canal de comunicação dos candidatos com os eleitores por conta de sua popularidade. Em abril, a rede social de Mark Zuckerberg divulgou que recebe um bilhão de usuários todos os dias.

No entanto, o Facebook anunciou em junho uma mudança na timeline de seus usuários, na qual prioriza o que é publicado pelos amigos e pela família – e menos por páginas. Para dificultar a situação, os candidatos estão proibidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de utilizarem postagens patrocinadas no site, o que potencializaria o alcance do conteúdo a novos usuários.

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Conforme Raquel Recuero, professora e pesquisadora de redes sociais da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e da UFRGS, os candidatos devem aproveitar o Facebook como uma plataforma para lançar propostas concretas:

— A mensagem não pode ser muito longa, tem que ser pontual. Se o candidato apresenta um discurso mais demagógico, ele perde espaço. Se reproduz o que ele está produzindo em outra mídia, também perde espaço, pois as pessoas não assistem.

Em suas páginas nas redes sociais, o político se limita, normalmente, a se comunicar apenas com as pessoas que já irão votar nele. Por isso, a pesquisadora sublinha que o grande desafio dos candidatos é ter seus discursos reproduzidos a ponto de atingirem eleitores fora de sua militância.

— O objetivo do candidato não é pregar para o convertido, mas para o não-convertido para ganhar a eleição. É aí que está a dificuldade: atingir os públicos que não são os seus. A grande sacada das mídias sociais é aproveitar os reprodutores. Tu não és ouvido se as pessoas não te escutarem e passarem a sua mensagem adiante — explica Raquel.

Segundo a pesquisadora, as movimentações bem sucedidas nas redes sociais podem ganhar as ruas. Como exemplo, cita as manifestações após 2014.

— Grande parte das articulações dos protestos veio das redes sociais. Foram manifestações que atingiram pessoas de áreas e classes sociais diferentes. Uma das coisas que a gente aprendeu com as eleições de 2014 é que as mídias sociais não ficam restritas em si mesmas porque as pessoas conversam sobre isso, inclusive com quem não tem perfil no Facebook. Nós víamos muitas conversas nas ruas sobre algo que tinha aparecido na internet com gente que nem tinha acesso. É uma produção de conteúdo bem abrangente, que influencia outros diálogos e transbordam a web — assegura.

 
 
 
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