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Campanha nas redes sociais ainda engatinha em Porto Alegre

Em um pleito marcado por restrições ao financiamento empresarial, candidatos à prefeitura ainda apostam mais em rádio e TV

21/09/2016 - 09h22min | Atualizada em 21/09/2016 - 09h22min
Campanha nas redes sociais ainda engatinha em Porto Alegre Facebook / Reprodução/Reprodução
Para especialistas, plataforma que poderia ser alternativa às restrições de rádio e TV vem mostrando "campanha morna" Foto: Facebook / Reprodução / Reprodução

Com o tempo limitado de propaganda eleitoral na televisão e no rádio, além de uma verba mais curta para a campanha por conta do veto de doações de empresas, era de se esperar que os candidatos a prefeito apostassem nas redes sociais para alcançar o eleitorado. Na prática, não tem sido assim.

Com perfis de candidatos limitados, em sua maioria, a reproduzir a agenda de campanha e postar cards com propostas, a interação com os eleitores está baixa. Por exemplo, quase nenhum candidato na Capital ultrapassa os 100 mil seguidores no Facebook. Dificilmente suas postagens recebem mais do que 100 reações de usuários, pouco para os padrões das redes sociais. Apenas Nelson Marchezan Junior e Luciana Genro têm extrapolado esse teto — a candidata do Psol, porém, tem um público mais variado entre as mais de 480 mil curtidas em sua página por ter concorrido à presidência em 2014.

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Por exemplo, na última semana (de 7 a 14 de setembro), uma breve mensagem de Luciana no dia da cassação de Eduardo Cunha rendeu mais de 10 mil curtidas. Marchezan também tem atingido números expressivos de visualizações com alguns vídeos, como quando comentou a participação de Dilma na campanha de Porto Alegre durante o debate da Band, o que rendeu mais de 27 mil visualizações em sua página. Fora isso, as publicações dos candidatos dificilmente chegam à casa das mil interações.

Raquel Recuero, professora e pesquisadora de redes sociais da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e da UFRGS, aponta que as campanhas têm sido mornas na web, limitadas à reprodução de programas de TV e publicação da agenda e de propostas.

— Vimos o protagonismo muito forte das redes sociais nas eleições presidenciais de 2014, especialmente no segundo turno, com a disputa entre Dilma e Aécio. As campanhas foram mais inflamadas, com os eleitores se posicionando, um clima de Gre-Nal. Os debates ferviam. Por enquanto, observa-se uma participação muito pequena tanto dos candidatos quanto dos eleitores, que pouco comentam — relata Raquel, que coordena o MIDIARS (Grupo de Pesquisa em Mídia, Discurso e Análise de Redes Sociais), iniciativa interdisciplinar de pesquisa em mídia social que monitora as eleições deste ano.

Para a pesquisadora, os acontecimentos recentes da política no país se refletem no comportamento dos eleitores.

— As pessoas estão muito descrentes e não querem receber conteúdo político. Acho que a população está com pouca paciência para promessas, sem esperanças por conta das coisas que têm acontecido no país — indica.

O publicitário Fábio Bernardi corrobora a tese da descrença da população na política devido aos últimos escândalos de corrupção e cassações.

— A cidade ainda não está engajada nas eleições. Esses escândalos acabaram afastando muita gente da política. Isso acaba gerando uma interação menor nas redes sociais, o que deve aumentar quando estivermos mais próximos das eleições — salienta.

Bernardi também destaca a verba mais curta como um dos fatores para a campanha ainda não ter esquentado na web.

— O limite de dinheiro também afeta as redes sociais. Quando mais coisas bacanas tiver, como vídeos, mais interação tem. Se não há gente para fazer esse tipo de coisas, haverá menos interação. Só no gogó fica difícil — avalia o publicitário.


 
 
 
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