Sem inferno

Candidato a vereador, Capeta quer trabalhar para Santo Cristo

Claudio Roberto Heinen explica a origem de seu apelido

21/09/2016 - 17h57min | Atualizada em 23/09/2016 - 17h27min
Candidato a vereador, Capeta quer trabalhar para Santo Cristo Eleições 2016/Reprodução
Foto: Eleições 2016 / Reprodução

Nas últimas semanas de campanha eleitoral, ZH vai mostrar candidatos tão criativos que merecem um... Oscar! O terceiro indicado, na categoria Melhor Vilão, é Capeta – candidato a vereador pelo PMDB em Santo Cristo, nas Missões.

Após trabalhar por 26 anos serviços gerais na prefeitura de Santo Cristo, nas Missões, Claudio Roberto Heinen decidiu concorrer a vereador da cidade este ano. Segundo ele, o município anda muito desleixado em áreas como a saúde e pavimentação. Por isso, decidiu participar de sua primeira eleição.

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No entanto, Claudio se identificou em sua candidatura com um apelido peculiar: Capeta. Não que ele seja satanista — é católico — ou maléfico. Na entrevista abaixo, o candidato de 53 anos completados nesta quarta-feira explica a origem de seu apelido e o que fará para tornar Santo Cristo menos infernal.

Por que você é o capeta?

Esse apelido eu tenho desde criança porque eu tenho uma perna mais curta que a outra. Eu jogava futebol no campo, e um colega meu disse: "Olha o capengo!", mas não pegou. Um dia fiz uma arte dentro da sala de aula, e o professor disse: "Mas tu é um capeta, mesmo". Daí ficou o apelido. Maioria do pessoal aqui me conhece pelo apelido do que pelo nome. Por causa disso eu coloquei o apelido.

O curioso é que você é um candidato chamado Capeta concorrendo em uma cidade com o nome Santo Cristo. Como é isso? O Capeta não vai dar um golpe de Estado na cidade de Jesus?

É só o apelido mesmo, pois a pessoa é muito boa (risos). O apelido pegou bem porque no dia em que eu casei, minha mãe morreu dentro da igreja.

Sério? O que ela teve?

Com 15 minutos de missa, ela caiu morta dentro da igreja. Teve um infarto. Eu ainda brinco com essa tristeza que tive, que ela olhou para o altar e disse assim: "Bom, entreguei o capeta a Deus, agora posso morrer". E caiu morta (risos). A gente tem que brincar porque continua vivo, não adianta querer ficar na tristeza, se não o mundo não vai pra frente.

Quais são as suas principais propostas?

Trabalhar para o município, fazer leis e ir atrás de projetos para favorecer a população de Santo Cristo.

Então, os eleitores não devem ter medo de ter suas vidas transformadas em um inferno?

Isso eles podem ter certeza que não vai ser problema porque eles me conhecem, sou funcionário público — recolho lixo, pego roçadeira e pego enxada para carpir. Eu não tenho vergonha de falar do trabalho que faço na comunidade.

Por conta de seu apelido, você não teme ser mal interpretado por alguma bancada religiosa?

Não, não. Tenho amigos em todas as religiões. É que nem Grêmio e Inter: eu sou gremista, tenho irmão colorado. A gente tem que respeitar todos os lados.

 
 
 
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