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Do silêncio da intuição ao rock em família: conheça Maurício Dziedricki

Candidato do PTB à prefeitura de Porto Alegre é o segundo perfil da série com todos os concorrentes

22/09/2016 - 06h13min | Atualizada em 23/09/2016 - 10h22min
Do silêncio da intuição ao rock em família: conheça Maurício Dziedricki Diego Vara/Agencia RBS
Dziedricki adora estar com os sobrinhos, com quem vê shows, ouve música e brinca na sala de casa Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Na campanha de Maurício Dziedricki, está clara sua preocupação com o nome. A propaganda do candidato brinca com as diferentes possibilidades de pronúncia do seu sobrenome e recomenda que o chamem de Maurício, para não complicar. Ocorre que não é apenas o excesso de consoantes que preocupa o jovem político de 37 anos. Dziedricki prefere ser Maurício, mas também quer ser conhecido como aquilo que define como "uma pessoa singular". Gostaria de ter uma imagem menos afetada por oscilações. Deseja uma conversa reta.

Dziedricki foi secretário de Obras e Viação de Porto Alegre na gestão de José Fogaça (PMDB) e, poucos anos depois, secretário de Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa no governo estadual de Tarso Genro (PT). Assessores e ex-assessores contam que isso dificulta, pois são campos opostos. Vem daí a necessidade permanente de repetir que não se enquadra em padrões ideológicos rígidos.

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Deputado estadual eleito em 2014, Dziedricki busca desenhar o seu próprio perfil. E qual é esse contorno? Os assessores veem nele as qualidades de ser aberto ao diálogo, voluntarioso e, sobretudo, intuitivo. Por isso, essas eleições, além da busca pela prefeitura, significam a oportunidade de aparecer. Foi a intuição dele que pesou: no mínimo, a candidatura lhe permitirá mostrar a sua cara. E o lema, vinculando o nome ao perfil, é: "Sobrenome diferente, história diferente".

Empurrão do pai para ingressar na política

Nessa toada, Dziedricki, advogado de formação, não seria nem de direita nem de esquerda.

– Sou um homem de posição – diz ele.

Depois, explica:

– Para mim, os conceitos de esquerda e direita são coisas da Guerra Fria.

Mas qual é essa posição? Explique mais, candidato.

– Tudo depende do ângulo que você me vê. Minha índole é solidária e foi isso que me tornou um político. Mas, ao mesmo tempo, sei cuidar de gestão e exijo metas e resultados – observa.

O início de Dziedricki na política veio pelas mãos do pai, o engenheiro civil Paulo Tadeu Dziedricki, de Lages (SC), que se casou com a mãe do candidato, uma curitibana, e se instalou na capital do Paraná. 

O pai era amigo do então deputado estadual Sérgio Zambiasi (PTB). Por isso, aos 20 anos, Dziedricki se filiou ao partido, em 1999, e militou no Movimento da Juventude Trabalhista, que presidiu de 2001 a 2004. Ainda em 2004, elegeu-se vereador da Capital. Foi reeleito em 2008 com 15.454 votos, a maior de todas as votações.

Por razões profissionais, Paulo Tadeu Dziedricki se mudara de Curitiba para Santa Cruz do Sul quando o curitibano Maurício tinha três anos. Dois anos depois, quando o menino tinha cinco, a família chegou a Porto Alegre. Hoje, os pais de Maurício vivem novamente em Curitiba. Mas naquela época, ele, aos 24 anos e já vereador, não deixou a capital gaúcha.

Um dos temas sobre os quais Dziedricki mais gosta de falar é o problema dos buracos nas ruas da Capital. Como foi secretário de Obras, ele faz uma lista de iniciativas que já tomou, como o "Samu dos buracos", e diz que seus planos são atacar preventivamente. Como? Resolvendo os problemas das fissuras no asfalto.

Apoio da família é apontado por Maurício como decisivo para sua trajetória pessoal e política Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Show na TV e diversão na companhia dos sobrinhos

Mas o sorriso aparece, acompanhado de uma piscadela com o olho esquerdo, quando a conversa envereda para a família e a música. Mais ainda quando os dois assuntos vêm junto – e isso é perfeitamente possível. Dziedricki é o irmão mais velho de Luiz Felipe, 31 anos, e Paula, 34. Da irmã, ganhou os sobrinhos Giovanna, dois anos e meio, e Pedro, sete meses. 

No amplo apartamento em que vive sozinho, no bairro Petrópolis, ZH pôde ver a forma como os filhos de Paula se relacionam com o tio – que é padrinho de Giovanna. E aí entra a música. O candidato do PTB tem preferências musicais até ecléticas, mas se sobressai a paixão pelo rock de Ramones, Arctic Monkeys, MGMT, The Machine e The Killers.

Sim. Mas onde entra a família? Creiam: o deputado e candidato arranja tempo na agenda para gravar versões orquestradas dessas bandas para as crianças. Elas adoram! Em uma telona, na sala, Giovanna encosta a cabeça no ombro do dindo e acompanha todas as músicas que ele compartilha. Até Pedro fica absorto ouvindo canções como a dançante Human

Paula olha o irmão com os sobrinhos e comenta que ele é um paizão, daqueles de chorar no berçário e ver as crianças todos os dias. E o pai delas, Marcelo Scipioni, o que diz? Depois das brincadeiras sobre a relação entre irmão e cunhado (Dziedricki diz que o marido de Paula é o melhor cunhado que tem, ironizando o fato de que é o único), Scipioni relata um episódio:

– Certa vez, a Giovanna deslocou o cotovelo. Foi comovente ver a forma como ele saiu correndo e a levou ao pronto-socorro. É muito legal a relação dele conosco e com as crianças.

Ex-senador Sérgio Zambiasi (PTB) é o padrinho político de Dziedricki Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

De contador de histórias infantis à filiação no PTB

Claro, nem só de flores é a relação entre irmãos. O próprio Dziedricki se emociona ao relembrar:

– Tive uma briga boba com a Paula. Fiquei quatro ou cinco dias sem falar com ela. Não aguentava de saudades. Aí, quando voltei a vê-los, a Giovanna veio correndo, pulou e me deu um abraço bem forte. Que trouxa que fui, pensei naquele dia.

Outra experiência forte para Dziedricki foi com a morte do avô, pai da sua mãe. Foi uma viagem até Curitiba, em maio de 2014, para enterrar uma pessoa amada, muito presente. Uma longa e penosa despedida. Sua primeira grande perda. Giovanna viajou todo o tempo no seu colo. E o tio teve ali o consolo.

Ao refletir sobre a relação com os sobrinhos e o avô, Dziedricki comenta que gosta de Ramones e The Killers, mas também da romântica mexicana Julieta Venegas, que já andou fazendo parcerias com a brasileira Marisa Monte – ele mostra o vídeo com a música Ilusión. Gosta de crianças e, também, de idosos:

– Já me identificaram como o político da terceira idade. Na reportagem, era "O queridinho das vovós". Gostei muito. Tenho carinho especial pelos idosos.

O trabalho social desenvolvido pelo filho foi o que levou Paulo Tadeu Dziedricki a recomendá-lo a Zambiasi e ao também à época deputado estadual Iradir Pietroski (PTB). O adolescente Maurício ajudava crianças na creche da Tia Beth, na Vila Divinéia. Vestia fantasias com um grupo, contava histórias para os pequenos, brincava com eles. A falta de estrutura na escolinha, com esgoto a céu aberto, mostrou-lhe um mundo diferente do que ele conhecia.

– Procurei um vereador. Não adiantou, ele não me ajudou. Decidi, então, que queria fazer o mesmo que ele fazia, só que melhor – diz, sem revelar quem era o político, do qual chegou a ser colega.

Fazendo jus à fama de "intuitivo" que tem entre seus assessores, Dziedricki para de falar durante alguns segundos, acomoda a taça de café na mesa e enfatiza, procurando transparecer sinceridade absoluta:

– Sou de uma nova geração. Quero resultado na política. Quero políticos mais acessíveis. Em meio a tanto desencanto, tenho apostado em ser diferente. Até no sobrenome sou diferente. Meu marketing é real.

Dziedricki se define na campanha em busca do cargo de prefeito de Porto Alegre como "um jovem experiente" Foto: Divulgação / Divulgação

Discursos eleitorais inspirados pela música

Aí entra outro assunto que faz Dziedricki falar com desenvoltura: a intuição.

– Faço meus discursos ouvindo música. A música nos orienta a fazer coisas.

A música está permanentemente no seu apartamento. Ao despertar, ele ouve, invariavelmente, o som da banda Phoenix. As melodias o acompanham o dia inteiro. À noite, sua preferência não é pelas baladas:

– Gosto mesmo é de ir a shows. Vou muito a shows.

Qual o último?

– O do Nando Reis.

E além do rock e da música romântica?

– Toquei ganzá (chocalho cilíndrico de metal que contém sementes ou pequenas pedras) durante três Carnavais no Estado Maior da Restinga.

A curiosidade sobre diferentes ritmos e a solidão levam Dziedricki a deixar a TV ligada e pesquisar no YouTube. É uma estratégia para a casa parecer cheia.

Natação na madrugada e dedicação à leitura

O futuro pode fazê-lo dispensar a tática. Por ora, ele se diz "solteiro convicto" e feliz com os sobrinhos. Mas projeta relacionamento e filhos:

– Meus sobrinhos terão priminhos, sim.

Os hábitos são simples como ele próprio procura se apresentar. Qual o prato preferido?

– Olha, tendo pão e carne (bovina), estou faceiro.

Só que tem um costume nada comum, que valoriza justamente a solidão. Gosta de nadar em horários que vão da meia-noite às 2h na piscina térmica do Grêmio Náutico União, na sede da Rua Quintino Bocaiúva.

A respeito de religião, a palavra "respeito" é justamente a que mais usa. A família é católica, e ele se diz cristão no sentido amplo. Mas ressalva que respeita todas, porque, afinal, "Deus é o mesmo".

Literatura? O candidato tem um livro que o marcou: Arca De Guardados: Vultos E Momentos Caminhos, do advogado Evandro Lins e Silva (1912-2002). Um capítulo em especial o tocou: Pátina do tempo. Trata-se de textos densos, não jurídicos, escritos como discursos, prefácios, perfis e memórias.

– O livro me ajudou, em especial na vida profissional.

Ah, e tem os poemas. Dziedricki guarda no celular gravação em vídeo de um trecho do livro Esquimó, de Fabrício Corsaletti. São pouco mais de três minutos em que o próprio autor recita a poesia. Fala sobre o nome de uma pessoa muito especial. Este repórter não dirá o conteúdo porque, ora, cria expectativa e tem um fim surpreendente (clique aqui para assistir).

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