Candidata em Canoas

PF analisa documentos em busca da origem do dinheiro apreendido no comitê de Beth Colombo

Além dos R$ 226,7 mil encontrados no local, outros R$ 300 mil foram apreendidos na residência de um dos investigados, conforme a polícia

23/09/2016 - 16h26min | Atualizada em 23/09/2016 - 16h54min
PF analisa documentos em busca da origem do dinheiro apreendido no comitê de Beth Colombo Polícia Federal/Divulgação
Foto: Polícia Federal / Divulgação

A Polícia Federal (PF) trabalha para identificar a origem dos cerca de R$ 500 mil encontrados no comitê eleitoral da candidata a prefeitura de Canoas Beth Colombo (PRB) e na residência de um investigado. O dinheiro foi apreendido durante uma operação do órgão no final da tarde de quinta-feira

Denominada de Suffragium, a operação apura se a quantia foi obtida de forma ilegal pela coligação. À Justiça Eleitoral, a candidata declarou ter recebido apenas R$190,85 mil em doações para a campanha. Menos até do que as despesas contratadas pela coligação, que somam R$282.130,44 — sendo R$152.512,44 a quantia já quitada.

"As investigações prosseguem com a análise do material apreendido nas buscas de ontem (quinta-feira), como arquivos de computadores, documentos físicos e dados extraídos de telefones celulares", informou a polícia nesta sexta-feira, por e-mail.

Três pessoas são investigadas na operação, mas a polícia não divulga o nome delas. Um dos investigados foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento na quinta-feira, mas teria se mantido em silêncio, sem justificar a origem dos recursos. Outras duas pessoas também foram conduzidas coercitivamente para prestar depoimento, na condição de testemunhas. As provas do inquérito serão compartilhadas com o Ministério Público Eleitoral.

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Inquérito foi instaurado em agosto

Na quinta-feira, a polícia apreendeu R$ 176,7 mil em dinheiro e 50 mil em cheque no comitê eleitoral da candidata e cerca de R$300 mil em dinheiro na residência de um investigado. Além desses dois pontos, um terceiro mandado de busca e apreensão foi cumprido, em um depósito não declarado à Justiça Eleitoral. No local, uma "grande quantidade de material de campanha foi encontrado", conforme a polícia. 

O inquérito foi instaurado em agosto, a partir de denúncia anônima, para investigar o crime descrito no artigo 350 do Código Eleitoral: "omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais". A pena para a contravenção é de até cinco anos de prisão, podendo ser agravada caso o condenado seja funcionário público e tenha se prevalecido do cargo. Na esfera eleitoral, o candidato condenado pelo crime pode perder o mandato. 

Beth Colombo é a candidata da situação na corrida eleitoral em Canoas, representando a coligação Bloco do Orgulho Municipal (BOM), composta por 14 partidos: PRB, PT, PDT, PP, PSB, PCdoB, PROS, PPS, PSD, PV, PTC, PTN, PHS e SD. Ela foi vice do atual prefeito do município, Jairo Jorge (PT), durante os dois mandatos. 

CONTRAPONTO

Por e-mail, a assessoria de imprensa da coligação informou, nesta sexta-feira, que "a campanha da candidata Beth Colombo tem como diretriz a prática de ações que primam pela legalidade, prezando pela transparência e integridade".

Questionada sobre a origem do dinheiro apreendido pela polícia, a assessoria acrescentou que "os valores, diversamente do que foi noticiado nos meios de comunicação, não foram encontrados no comitê". O dinheiro estava "nos pertences pessoais e na residência do então coordenador financeiro da campanha", segundo a nota.

A assessoria informou, ainda, que "os valores não são de conhecimento da coordenação nem da candidata" e que "caberá ao ex-coordenador financeiro a explicação da origem". Desligado da campanha, ele foi substituído pelo advogado Marcos Dewitt Weingartner, filiado do PRB.

Sobre o depósito onde foram encontrados materiais de campanha, a assessoria de imprensa da coligação informou que o local "está devidamente locado e consta na prestação de contas". O contrato de locação foi entregue às autoridades, ainda segundo a assessoria.

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