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Porto Alegre tem uma das campanhas mais baratas

Capital aparece como a segunda com menos gastos na disputa à prefeitura entre as 10 maiores cidades dos país

21/09/2016 - 02h00min | Atualizada em 21/09/2016 - 02h00min
Porto Alegre tem uma das campanhas mais baratas João Fiorin/PMPA/Divulgação
Foto: João Fiorin/PMPA / Divulgação

Faltando 12 dias para as eleições municipais, os candidatos a prefeito de Porto Alegre terão que se desdobrar para compensar a escassez de recursos na reta final. A campanha na capital gaúcha é, até agora, a segunda mais barata entre os 10 maiores colégios eleitorais do país. Levantamento feito por Zero Hora indica que os postulantes gaúchos gastaram R$ 1,9 milhão e receberam R$ 3,3 milhões em doações, conforme dados consultados ontem no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Juntos, os 93 candidatos a prefeito de São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Curitiba, Porto Alegre, Manaus e Belém registraram R$ 73,8 milhões em receitas e R$ 94,5 milhões em despesas contratadas. Essas capitais contam com 25,2 milhões de pessoas aptas a votar nesta eleição, concentrando 17,46% do total do eleitorado do país.

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A campanha mais cara até agora é a de São Paulo. No maior colégio eleitoral do país, os 11 candidatos a prefeito arrecadaram R$ 16,1 milhões e gastaram R$ 27,8 milhões. A mais econômica é a de Belém, onde tanto receita quanto despesa giram em torno de R$ 1,1 milhão. Entre todos concorrentes dos 10 maiores colégios, apenas 20 arrecadaram montante que ultrapassa R$ 1 milhão. Entre eles, há um gaúcho: o tucano Nelson Marchezan Júnior, com R$ 1,29 milhão.

Em função da minirreforma eleitoral aprovada em 2015, o pleito está mais curto. As doações empresariais também foram proibidas e há uma série de limitações impostas à propaganda política. Em Porto Alegre, o teto de gastos estipulado é de R$ 5,8 milhões no primeiro turno e, no segundo, R$ 1,7 milhão. As despesas dos candidatos a vereador não podem ultrapassar R$ 429 mil.

Com a proibição do financiamento empresarial, as doações de campanha estão restritas às pessoas físicas. Os doadores não poderão ultrapassar o limite de 10% dos rendimentos declarados no Imposto de Renda do ano anterior. Ou seja, se alguém recebeu R$ 10 mil em 2015, terá teto de R$ 1 mil para doações.

As novas restrições financeiras impostas às candidaturas, na avaliação do secretário-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco, são positivas para o processo eleitoral — embora considere cedo para uma avaliação definitiva. O teto de gastos, segundo ele, já contribuiu para baratear as campanhas, mas não é garantia de que o sistema está livre de interesses escusos:

— As mudanças foram positivas no sentido de dar maior equilíbrio à disputa e de reduzir um pouco a influência do poder econômico. Antes, grandes empresas doavam para todos os candidatos, com a clara intenção de estar junto de quem vencesse, não importa o partido. Agora, dirigentes empresariais seguem doando, mas são obrigados a ser mais seletivos e a mostrar a cara, assumindo o ônus. De certa forma, é mais honesto.

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Secretária-executiva do Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Marina Atoji também aprova as alterações, em especial a exigência de prestação de contas em tempo real — nesta campanha, as doações e os gastos devem ser informados a cada 72 horas à Justiça Eleitoral. Apesar disso, Marina faz ressalva:

— Esse é um avanço sensacional se comparado a eleições passadas, mas detectamos alguns problemas. O sistema de consultas tem um visual bonito, só que dificulta o cruzamento e a checagem de dados. Isso precisaria melhorar.

Ranking dos 10 maiores colégios eleitorais conforme as despesas

São Paulo
Eleitores: 8,9 milhões
Receitas: R$ 16,17 milhões
Despesas: R$ 27,83 milhões
Gasto por eleitor: R$ 3,13

Belo Horizonte
Eleitores: 1,9 milhão
Receitas: R$ 9,99 milhões
Despesas: R$ 16,64 milhões
Gasto por eleitor: R$ 8,63

Rio de Janeiro
Eleitores: 4,9 milhões
Receitas: R$ 13,5 milhões
Despesas: R$ 13,56 milhões
Gasto por eleitor: R$ 2,77

Fortaleza
Eleitores: 1,7 milhão
Receitas: R$ 9,97 milhões
Despesas: R$ 8,68 milhões
Gasto por eleitor: R$ 5,13

Recife
Eleitores: 1,1 milhão
Receitas: R$ 6,74 milhões
Despesas: R$ 7,33 milhões
Gasto por eleitor: R$ 6,55

Manaus
Eleitores: 1,2 milhão
Receitas: R$ 3,12 milhões
Despesas: R$ 7,07 milhões
Gasto por eleitor: R$ 5,63

Curitiba
Eleitores: 1,3 milhão
Receitas: R$ 3,89 milhões
R$ 5,38 milhões
Gasto por eleitor: R$ 4,18

Salvador
Eleitores: 1,9 milhão
Receitas: R$ 6,12 milhões
Despesas: R$ 4,91 milhões
Gasto por eleitor: R$ 2,52

Porto Alegre
Eleitores: 1,1 milhão
Receitas: R$ 3,26 milhões
Despesas: R$ 1,93 milhão
Gasto por eleitor: R$ 1,76

Belém
Eleitores: 1 milhão
Receitas: R$ 1,09 milhão
Despesas: R$ 1,10 milhão
Gasto por eleitor: R$ 1,06

Os candidatos de Porto Alegre

Nelson Marchezan Júnior (PSDB)
Receitas: R$ 1,29 milhão
Despesas: R$ 584,63 mil

Sebastião Melo (PMDB)
Receitas: R$ 560,3 mil
Despesas: R$ 517,77 mil

Raul Pont (PT)
Receitas: R$ 624,49 mil
Despesas: R$ 324,55 mil

Maurício Dziedricki (PTB)
Receitas: R$ 275,75 mil
Despesas: R$ 255,4 mil

Luciano Genro (PSOL)
Receitas: R$ 321,9 mil
Despesas: R$ 169,83 mil

Fábio Ostermann (PSL)
Receitas: R$ 178,8 mil
Despesas: R$ 80 mil

Júlio Flores (PSTU)
Receitas: R$ 14,04 mil
Despesas: R$ 2,16 mil

João Carlos Rodrigues (PMN)
Receitas: R$ 0,00
Despesas: R$ 0,00

Marcello Chiodo (PV)
Receitas: R$ 0,00
Despesas: R$ 0,00

 
 
 
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