Morte de político

Ações do MBL preocupavam Plínio Zalewski, diz advogado

Amigos há mais de 20 anos, Ricardo Giuliani e o coordenador da campanha de Melo conversaram por quase duas horas no último dia 10

18/10/2016 - 16h47min | Atualizada em 18/10/2016 - 18h42min
Ações do MBL preocupavam Plínio Zalewski, diz advogado Omar Freitas/Agencia RBS
Plínio Zalewski teria dito ao amigo que estava preocupado com ações movidas pelo MBL Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

Uma semana antes de ter sido encontrado morto, Plínio Zalewski procurou o advogado Ricardo Giuliani, seu amigo há mais de 20 anos, e disse estar preocupado com ações de integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), que apoia a candidatura de Nelson Marchezan (PSDB). 

Zalewski e Giuliani — que se conheceram em meados dos anos 1980, quando integravam a mesma corrente no Partido dos Trabalhadores (PT) — conversaram por quase duas horas. Segundo Giuliani, o coordenador da campanha de Sebastião Melo (PMDB) à prefeitura de Porto Alegre não aparentava estar deprimido.

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Quem era Plínio Zalewski

Zalewski consultou o advogado para que ele fizesse sua defesa em um processo administrativo na Assembleia Legislativa, após a porta-voz do MBL no Estado, Paula Cassol, ter protocolado uma representação denunciando Zalewski por trabalhar na campanha de Melo durante o expediente. O grupo, conforme a porta-voz, produziu e divulgou um vídeo com críticas à atuação do coordenador na campanha eleitoral, contradizendo Arthur Moledo Do Val, que afirmou que teria encontrado Melo por acaso.

— A disposição dele era fazer a defesa, mas combinamos que esperaríamos passar as eleições, para não dar vazão ao movimento dos caras, que era um movimento político — disse Giuliani.

Porta-voz do MBL no Rio Grande do Sul, a advogada Paula Cassol classifica como "levianas e absurdas" as alegações de que Zalewski estaria preocupado com ações de integrantes do grupo. Segundo ela, o objetivo seria "utilizar a morte trágica dessa pessoa com o intuito de difamar o movimento e as pessoas envolvidas".

— Na verdade, os únicos momentos em que procuramos pelo Plínio foi para produção do vídeo, indo na Assembleia para ver se ele estava lá trabalhando, e se constatou que não estava. Perseguição a ele não houve — disse Paula.

Segundo a Assembleia, a comunicação encaminhada por Paula tem 30 páginas, incluindo fotos e matérias jornalísticas, com o objetivo de comprovar a atuação de Plínio na campanha em horário de expediente. No mesmo dia da comunicação e da divulgação do vídeo, Plínio foi exonerado. Ele estava lotado na Comissão de Educação da Assembleia, presidida pelo deputado Tiago Simon (PMDB). O processo continua tramitando. 

Leia trechos da entrevista com Ricardo Giuliani:

Como foi o encontro com o Plínio?
Conversamos por quase duas horas. Ele estava muito preocupado com a postura dessa turma do MBL. Ele me referiu que os computadores, os telefones, as redes teriam sido hackeadas e que ele estava tomando providências no sentido de proteger. 

Do meu ponto de vista, não estava deprimido. Não estava. Estava como ele era, um ser pensante. Estava muito ciente da complexidade do que estava acontecendo em Porto Alegre.

O que exatamente preocupava?
Ah, essas práticas quase neofascistas que vinham se estabelecendo, em direção ao próprio Melo. Aquela coisa da exacerbação de parte a parte, que isso aí era um problema que precisava ser contido. Ele estava bem preocupado com a situação, mas não estava naquele negócio de "ai, meu Deus do céu", até porque ele era um cara muito sofisticado. 

Estava preocupado com as ações do MBL, disse que os caras estavam vindo para cima dele e que existiam pessoas designadas para acompanhar ostensivamente, para que o cara veja que está sendo acompanhado.

O senhor acredita na hipótese de suicídio?
Não. Não acredito mesmo. Mas aí é minha opinião. Olha, sou profissional do direito há 27, 28 anos. Toda conclusão, em matéria penal, que se faça de pronto, não é correta. Toda conclusão rápida em matéria penal, em si, revela um problema. 

Conhecendo o Plínio como eu conhecia, se ele fosse fazer uma barbaridade dessas, tu pode escrever que ele não faria com bilhete. Ele era um cara muito sofisticado. Eu não acredito mesmo, mas é minha impressão. Acho que a competência de investigar seria da Polícia Federal.


 
 
 
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