Política

Canoas deve ter 2º turno marcado por troca de acusações

Denúncias de propaganda irregular e suspeita de doação ilegal permeiam a disputa no quarto maior colégio eleitoral 

03/10/2016 - 22h06min | Atualizada em 03/10/2016 - 22h09min
Canoas deve ter 2º turno marcado por troca de acusações Montagem sobre fotos de Anderson Fetter/Agência RBS e Vinicius Thormann/Divulgação/
Beth Colombo (PRB), à esquerda, e Luiz Carlos Busato (PTB), à direita, travam disputa mais tensa no Interior Foto: Montagem sobre fotos de Anderson Fetter/Agência RBS e Vinicius Thormann/Divulgação  

Na disputa pelo comando do quarto maior colégio eleitoral do Estado, Beth Colombo (PRB) e Luiz Carlos Busato (PTB) travam a campanha mais tensa no Estado. Se depender do tom no primeiro turno, a constante troca de acusações deve se acirrar nas próximas quatro semanas entre os concorrentes à prefeitura de Canoas.

Os recíprocos ataques desferidos pela candidata apoiada pelo atual prefeito, Jairo Jorge (PT), e pelo deputado federal petebista mantiveram o histórico de eleições tumultuadas no município e acenderam o alerta de promotores e juízes eleitorais. O número de representações por propaganda irregular dimensiona o embate: houve ao menos uma por dia desde que começou a campanha.

— Acho que a tendência é piorar em todos os aspectos, porque agora é o vale-tudo. Seria muito interessante para o eleitor se as duas coligações falassem mais sobre suas propostas do que tentassem atingir o adversário com ofensas recíprocas — observa Patrícia Pereira, juíza eleitoral de Canoas.

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No fim de semana anterior à eleição, circularam na cidade panfletos apócrifos que indicavam que o dinheiro apreendido no comitê de Beth e na residência de seu ex-coordenador financeiro de campanha seria usado em um esquema de fraude nas urnas eletrônicas. 

Horas depois, a coligação da candidata lançou uma série de folhetos que caluniavam Busato e colocavam o oponente como o verdadeiro interessado no "serviço" criminoso. A Justiça Eleitoral apreendeu parte do material, e a coligação de Beth foi condenada a pagar multa de R$ 50 mil.

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A campanha de Busato não deixou por menos. No centro de cidade, os canoenses se cansaram de ouvir um carro de som que anunciava a tradicional vinheta de plantão da Rede Globo seguida de informações sobre a operação da Polícia Federal (PF) que recolheu dinheiro com o ex-tesoureiro de Beth por suspeita de doação irregular.

No domingo da eleição, os moradores ainda acordaram com um falso comunicado de renúncia da candidata, de autoria desconhecida e, no comitê de Busato, a Justiça Eleitoral apreendeu panfletos que induziam o eleitor a erro ao comparar pesquisas eleitorais. 

Nesta segunda-feira, os candidatos mantiveram um discurso uníssono. Queixaram-se do ataque alheio e do pouco tempo despendido para a apresentação de propostas à cidade.

— No primeiro turno, apresentei um projeto de governo. Só não o fiz mais em razão da situação que se criou na cidade com as intrigas, as mentiras e a calúnia do meu adversário, o que acaba criando uma política velha e rançosa — disse Beth.

— Foi uma campanha muito suja. Disseram que estava envolvido na fraude das urnas, que vou acabar com todos os programas sociais. Isso nos obrigou a ficar o tempo todo nos defendendo e mostrando que tudo era mentira — rebateu Busato.

Enquanto trocam farpas, os concorrentes têm o desafio de conquistar os 90.635 eleitores que se abstiveram ou optaram pelo branco ou nulo no domingo, número superior aos 71.952 votos conquistados pela primeira colocada.

 
 
 
 
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