Tá na Mesa

Com tom mais moderado, Melo e Marchezan se reencontram após morte de Zalewski

Candidatos participaram de debate promovido pela Federasul nesta quarta-feira

Por: Juliano Rodrigues
19/10/2016 - 12h42min | Atualizada em 19/10/2016 - 16h37min

No primeiro encontro entre os dois candidatos à prefeitura de Porto Alegre, Sebastião Melo (PMDB) e Nelson Marchezan Júnior (PSDB), após os recentes episódios de violência na campanha — a morte do coordenador do plano de governo do PMDB, Plínio Zalewski, e os mais de 10 tiros disparados contra o comitê do PSDB — o tom virulento das últimas semanas deu lugar a manifestações mais contidas dos dois. Apesar de as críticas de parte a parte terem se mantido, o clima durante o debate promovido pela Federasul foi tranquilo.

Apenas ao final do evento, quando dividiram o palco para conversar individualmente com a imprensa, os adversários empregaram um discurso mais incisivo. Marchezan, que no programa de TV de terça-feira pediu uma trégua ao rival, reclamou do tom de reportagens sobre a morte de Plínio e fez cobranças ao prefeito José Fortunati. Melo declarou que "paz não se pede, mas se coloca em prática", exigiu o esclarecimento a respeito da morte do companheiro de partido e ressaltou que Zalewski vinha sendo "imolado" por ameaças.

— Não adianta falar em paz na televisão e induzir a Justiça Eleitoral a erro de ir lá fazer uma verificação judicial em uma sede do PMDB que há 30 anos pertence ao partido. Paz a gente pratica. Plínio estava muito incomodado. Há fatos notórios, que os jornais publicaram hoje, sem qualquer fala minha, que o Facebook dele foi hackeado, ele teve que trocar o telefone dele, teve um vídeo fazendo uma coisa terrível com ele, dizendo que ele era funcionário fantasma da Assembleia, coisa que ele nunca foi. Então tudo que eu quero, que a família quer, é esclarecimento. Quem ligava para o Plínio? Por que ele mudou de telefone? Por que o e-mail dele e as redes sociais dele foram hackeadas? Essa é uma resposta que não pode ser minha, porque vão dizer que estou falando por ser candidato. Então, espero que a polícia esclareça tudo — afirmou.

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Sobre a morte do coordenador do plano de governo peemedebista, Marchezan limitou-se a dizer que "de maneira nenhuma" exploraria "um momento triste para ganhar votos". O tucano elevou as cobranças ao prefeito José Fortunati, que declarou, na segunda-feira, que o ataque ao comitê de campanha do PSDB não teria cunho político.

— Quem tem de esclarecer essas afirmações, urgentemente, é o prefeito Fortunati. Aliás, ele falou isso há dois dias, deveria trazer isso de uma forma muito clara e transparente, porque ele é o prefeito da cidade. Ele deveria, de imediato, vir a público, marcar uma coletiva, e esclarecer. É um comitê bem caracterizado como comitê. Tivemos dois tiroteios: um à meia-noite e outro depois, em direção a pessoas. Me parece que deve ter algum cunho político.

O candidato do PSDB reafirmou que não tinha policiais civis na sua equipe de segurança e disse que o tom da sequência da campanha dependerá dos candidatos e da imprensa:

— Vai depender de como os candidatos vão se portar nos programas de rádio e TV, que podem influenciar o ambiente, e de como a imprensa vai se portar. Acho que seria bom que a imprensa fizesse uma análise dos espaços e da forma como ela está utilizando as matérias no jornal impresso, nas redes sociais, e na televisão. Acho que a pauta, aqui, é a eleição para a Capital. Isso tem uma importância gigantesca. Passada a eleição, as pessoas deixam de ser candidatas. Então, tem algumas questões que são para as páginas policiais, e lá devem ficar. Na política, é a decisão de quem será o prefeito de Porto Alegre.

Como foi o debate

O debate, que não chegou a ter perguntas diretas entre um candidato e outro, ocorreu no salão da Federasul, lotado de políticos e empresários. No primeiro bloco, no qual os concorrentes fizeram uma apresentação inicial, Melo destacou à plateia que já é conhecido, "como cidadão, como vereador e como vice-prefeito". Disse que pretende desburocratizar o funcionamento da prefeitura. Para isso, uma das medidas prometidas é a unificação dos licenciamentos para novos negócios, além de garantir que vai envolver-se pessoalmente para agilizar determinados casos. O peemedebista agradou os empresários ao garantir que não aumentará impostos e que abrirá a renegociação de dívidas fiscais com empresas.

— Serei um político voltado às parcerias público-privadas — afirmou.

Marchezan adotou uma linha parecida, e reforçou que "não existe política mais eficaz do que a boa gestão dos recursos públicos". O candidato tucano disse que vai assumir a responsabilidade pela segurança pública e prometeu acabar com as filas para entrega de fichas em postos de saúde.

— Precisamos desburocratizar. Do pipoqueiro ao industrial — ressaltou.

Problemas da cidade e perfil de secretariado

Os candidatos responderam a questões elaboradas pela organização do evento. A primeira foi direcionada a Melo, que teve de dizer como pretende para destravar o projeto de construção do Centro de Eventos da Capital. O peemedebista afirmou que quer fazer a obra por meio de PPP, no 4º Distrito. Marchezan foi questionado sobre como melhorar as condições das vias urbanas, do mobiliário, das calçadas e a coleta de lixo. O tucano disse à plateia que apostará na transparência dos contratos da prefeitura, que permitirá a fiscalização pelos próprios moradores. Sobre a sinalização urbana, prometeu realizar uma licitação.

Outra pergunta foi sobre o perfil do secretariado vislumbrado por cada um dos candidatos. Melo destacou que é impossível "governar sem os partidos" e que pedirá aos aliados indicações de quadros qualificados. Marchezan afirmou que o seu projeto pretende "mudar Porto Alegre" e que buscará políticos ou técnicos com a ficha limpa para compor a sua equipe.

Despedida comedida

Nas considerações finais, os dois candidatos tratarem de destacar as diferenças entre si, mas em tom mais moderado.

— Não vamos dizer que comparar projetos é baixar o nível da eleição. Não fiz isso e não vou fazer. Não somos iguais — afirmou Melo.

Durante a fala de Marchezan, políticos, empresários e jornalistas que estavam na plateia ficaram sabendo da prisão de do ex-deputado Eduardo Cunha, o que causou um burburinho no salão enquanto o tucano discursava.

— Essa eleição não é a minha vida. Precisamos melhorar o nível, antes que ela vire a vida de alguns — afirmou.

* Zero Hora

 
 
 
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