59,36% dos votos

Crivella derrota Freixo e é escolhido novo prefeito do Rio de Janeiro

Depois de passar a campanha tentando convencer de que não era mais o intolerante bispo pentecostal dos anos 1990, eleito agradeceu "à Igreja Católica que nos apoiou, vencendo uma onda enorme de preconceitos"

Por: AFP
30/10/2016 - 18h53min | Atualizada em 31/10/2016 - 06h24min
Crivella derrota Freixo e é escolhido novo prefeito do Rio de Janeiro YASUYOSHI CHIBA / AFP/
Simpatizantes receberam Crivella, à noite, em Bangu, na zona oeste da cidade, para ouvir o discurso da vitória Foto: YASUYOSHI CHIBA / AFP  

O senador e bispo evangélico licenciado Marcelo Crivella (PRB-RJ), 59 anos, foi eleito prefeito do Rio de Janeiro, após a realização do segundo turno das eleições municipais neste domingo. Crivella obteve 59,36% dos votos, contra 40,64% de seu oponente, o dissidente do PT e ex-deputado estadual de extrema esquerda Marcelo Freixo (PSOL), 49 anos.

Simpatizantes e correligionários receberam Crivella, à noite, em Bangu, na zona oeste da cidade, para ouvir o discurso da vitória.

Depois de passar a campanha tentando convencer os cariocas de que não era mais o intolerante bispo pentecostal que, nos anos 1990, exorcizava católicos e via a homossexualidade como uma doença, agradeceu "à Igreja Católica que nos apoiou, vencendo uma onda enorme de preconceitos".

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Já Freixo falou na Cinelândia, no Centro do Rio, para uma multidão de militantes que se reuniu para acompanhar a apuração. Para ele, a derrota foi apenas um tropeço em uma luta de maior envergadura, uma luta de caráter nacional.

— O Rio de Janeiro é, neste momento, um exemplo para todo o Brasil, para aqueles que não se renderam — declarou à militância.

Marcelo Freixo se referia à onda conservadora que tomou o país com a chegada de Michel Temer (PMDB-SP) ao poder, após o impeachment sofrido pela então presidente Dilma Rousseff em agosto deste ano.

Os partidos que votaram a favor da saída de Dilma foram amplamente favorecidos nas urnas nessas eleições municipais. O próprio Freixo chegou ao segundo turno, superando a candidata apoiada por um desprestigiado PT, Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

No Rio, a abstenção chegou a 26,85% neste domingo, superior aos 24,82% registrados no primeiro turno, em 2 de outubro. O percentual de votos brancos foi de 4,18% (contra 5,50% no primeiro turno), e nulos, 15,90% (contra 12,72%).

Com as zonas eleitorais abertas desde as 8h, cerca de 33 milhões de brasileiros votaram nos municípios onde nenhum candidato obteve a maioria absoluta no primeiro turno.

O dia transcorreu sem incidentes graves, com mais de 10 mil militares mobilizados em 12 cidades. A campanha do primeiro turno foi marcada por episódios de violência, com 16 assassinatos apenas em municípios fluminenses.

Igreja x socialismo no Rio

Sobrinho do fundador milionário da Igreja Universal do Reino de Deus e ex-ministro da Pesca e da Aquicultura do governo Dilma, Crivella manteve seu favoritismo, apesar de uma campanha marcada por escândalos. Entre outros momentos polêmicos desse também cantor de gospel e poeta, estão a sessão de exorcismo em católicos quando era missionário na África na década de 1990, ou suas declarações, nessa mesma época, sobre o "mal terrível" da homossexualidade.

O senador alegou que essas posições radicais ficaram no passado e, ao votar hoje em Copacabana, prometeu se dedicar "como nunca na vida a cuidar, sobretudo, da saúde, da educação, dos transportes e da segurança".

As pesquisas já antecipavam sua vitória diante da crescente influência da Igreja evangélica nas zonas mais pobres do Rio.

 
 
 
 
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