Definição

Eleições 2016: Marchezan é eleito o novo prefeito de Porto Alegre

Candidato do PSDB venceu o segundo turno na Capital com 402.165 votos contra 262.601 de Sebastião Melo (PMDB)

Por: Juliano Rodrigues
30/10/2016 - 18h33min | Atualizada em 08/05/2017 - 12h48min
Eleições 2016: Marchezan é eleito o novo prefeito de Porto Alegre Mateus Bruxel/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS  

A caminhada de Nelson Marchezan Júnior (PSDB) durante os últimos meses, simbolizada pelos passos em direção às câmeras na propaganda eleitoral, terá como destino final o Paço Municipal no dia 1º de janeiro de 2017, quando o tucano de 44 anos assumirá o cargo de prefeito de Porto Alegre. Às 19h08min deste domingo, o resultado das urnas consagrou o candidato que descolou a sua imagem da desgastada política tradicional — chegou a dizer que não era representante de um partido — e apostou no desejo de mudança dos porto-alegrenses.

Assim que o Tribunal Regional Eleitoral confirmou que Sebastião Melo (PMDB) não poderia mais alcançar Marchezan — o tucano conseguiu 402.165 votos contra 262.601 do peemedebista —, o semblante sério que caracteriza o deputado federal no cotidiano da política deu lugar a lágrimas e sorrisos pela conquista. Em uma sala reservada do comitê, pegou o filho, Nelson Marchezan Neto, nos braços e comemorou a eleição. Depois, o tucano fez um discurso emocionado em agradecimento aos apoiadores e projetou um novo ciclo para a Capital:

— Não esperem de mim mais do mesmo. Qualquer um que se elegesse para fazer mais do mesmo ia frustrar os eleitores e quebrar a cidade. Não estou vindo aqui para frustrar quem confiou em mim. Meu compromisso é não regredir, evoluir e buscar mais auxílio para fazer diferente e não frustrarmos a cidade.

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Na entrevista coletiva, Marchezan ressaltou que não fará loteamento de cargos e diminuiu o tom em relação ao oponente, Sebastião Melo (PMDB), com quem protagonizou disputa tensa no segundo turno. Antes, porém, fez um desabafo sobre a intensidade da disputa.

— Tenho filho, tenho mãe, tenho amigos e sou honesto. Os partidos que nos apoiam estiveram no mesmo governo, estavam lá e queriam vir para um novo projeto. Sou gente, tenho sentimento, vaidade, orgulho. Todos nós nos incomodamos com algumas inverdades. Ponto. Isso é um problema pessoal nosso. Porto Alegre está acima de problemas pessoais. Vamos conversar institucionalmente com todos os partidos, sindicatos e corporações.

A exemplo do que ocorreu no primeiro turno, Marchezan acompanhou a apuração no comitê que serviu de QG para a campanha tucana, na esquina das avenidas Ipiranga e Azenha. Circulou entre os correligionários — que estavam em maior número na comparação com a primeira etapa da eleição —, sempre assediado pelos militantes. A simplicidade do espaço interno contrastou com os números da campanha tucana. O andar alugado foi estratégico pela localização e por ser envidraçado.

— Até o nosso comitê é transparente — brincou o futuro vice-prefeito, Gustavo Paim (PP).

Até sexta-feira, a chapa de Marchezan havia arrecadado mais de R$ 2,7 milhões em doações, praticamente o dobro do que o adversário peemedebista. A maioria dos recursos veio de empresários. Como a minirreforma eleitoral acabou com o financiamento por parte de empresas, seus donos e acionistas tiveram de optar para quem distribuir dinheiro do próprio bolso. O queridinho dos empresários acabou sendo Marchezan.

A vitória do tucano também sinaliza alteração no cenário histórico das eleições na Capital. Em vez dos militantes petistas que tomavam conta das ruas na década de 1990, ou dos apoiadores de PDT e PMDB, que seguem uma linha parecida, Marchezan contou com militância modesta, e investiu na maioria silenciosa de eleitores. Com as limitações impostas pela legislação, dedicou mais fôlego à propaganda na TV e conseguiu tornar-se mais conhecido, principalmente entre os porto-alegrenses que moram em regiões populares.

O exemplo mais claro dessa transformação é o desempenho do tucano na disputa deste ano comparado à de 2014. Dos 119.375 votos que recebeu para eleger-se deputado federal, apenas pouco mais de 23 mil foram em Porto Alegre, onde Marchezan foi o sétimo mais votado. Na terça-feira passada, quando ZH acompanhava o candidato em um compromisso no Centro, o tucano encontrava dificuldades para se concentrar nas gravações, tamanho era o assédio dos eleitores que caminhavam pelo Largo Glênio Peres.

Entre selfies, abraços e apertos de mão, Marchezan demonstrava postura diferente do que se convencionou da parte dos políticos em época de eleições, quando o ímpeto de conquistar os votos a qualquer custo abre caminho para promessas vazias. Fazia questão de ouvir atentamente o que diziam as pessoas e não deixava ninguém sem resposta, mesmo que fosse negativa. Quando um senhor disse que iria cobrá-lo para que os compromissos da campanha fossem cumpridos, o tucano apontou para ele e recomendou, no espírito da atitude que pretende ter à frente da prefeitura:

— Pode cobrar, mas não é só cobrar. Tens que ajudar também.



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