Após a vitória

Marchezan: Carris será privatizada se continuar o prejuízo

Em entrevista à Rádio Gaúcha, o prefeito eleito de Porto Alegre afirmou que "a sociedade não tem que pagar por máquinas públicas que não funcionam"

Por: Rádio Gaúcha e Zero Hora
31/10/2016 - 08h47min | Atualizada em 31/10/2016 - 15h16min

Um dia após a vitória nas eleição para a prefeitura de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB) admitiu que a Carris precisará ser privatizada caso siga causando prejuízo aos cofres municipais — em 2015, o rombo registrado alcançou R$ 50 milhões. Em entrevista ao Gaúcha Atualidade, no entanto, o prefeito eleito não informou um prazo para que o balanço da estatal se torne positivo.

— Se não (reverter o prejuízo), é fato: (a Carris) será privatizada. Por mim ou pelo próximo prefeito. A sociedade não tem que pagar máquinas públicas que não funcionam. Os R$ 50 milhões em saúde fazem a diferença, R$ 50 milhões em segurança fazem a diferença — afirmou nesta manhã.

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O prefeito eleito de Porto Alegre afirmou também que ainda não definiu nenhum nome para compor o secretariado a partir de 1º de janeiro de 2017. Marchezan não adiantou quais pastas municipais poderão ser fundidas e voltou a frisar que a campanha não assumiu compromisso de entregar vagas para partidas aliados. 

— A ideia é reduzirmos, do prefeito ao cidadão, esse número de secretarias para a pessoa não precisar ficar circulando de porta em porta — disse.

Marchezan garantiu que seguirá atuando como deputado federal até o final deste ano. O tucano afirmou que buscará diálogo, em Brasília, com o presidente Michel Temer e com a Caixa Econômica Federal para viabilizar investimentos na Capital. Ele disse ainda que contará com a equipe de transição para avaliar a situação atual da prefeitura.

Questionado sobre a primeira medida que tomará à frente do Paço Municipal, Marchezan respondeu que deverá ser a alteração do projeto que regulamenta os aplicativos para transporte individual de passageiros, aprovado pela Câmara de Vereadores no dia 24 — 

Crise financeira

Marchezan acredita que a crise financeira que atinge o município faz com que a prefeitura esteja em um dos momentos mais críticos das últimas décadas. Prometeu trabalhar na redução da estrutura administrativa e deve conversar com o prefeito José Fortunati, sugerindo alterações no Orçamento para o próximo ano, que está na Câmara para ser votado. 

— Fortunati é prefeito até dezembro, então as ações dependem muito dele e eu não vou exorbitar a competência dele. Mas é evidente que esse Orçamento terá que ser alterado. Agora ou depois, no ano que vem, quando a gente assumir.

Postos de saúde

Questionado sobre a partir de quando oito postos de saúde da cidade irão abrir até as 22h, uma promessa de campanha, o prefeito eleito disse ainda não ser possível prever. Ele afirmou que quer estudar as regiões e definir a fonte de recursos, que poderá ser a redução da máquina pública. 

Na propaganda eleitoral e em debates, Marchezan afirmou que a medida seria possível reduzindo em 6% o número de cargos em confiança.

Transição

Um encontro entre o futuro e o atual prefeito deve ocorrer nos próximos dias, quando também serão definidas as equipes que trabalharão na transição de governo.

— Cada dia, sua agonia. Em nenhum momento contamos com a vitória. Vamos conversar a partir de hoje (segunda-feira).

Marchezan relatou que não deve deixar o cargo de deputado federal até o final do ano, dizendo que conseguiu conciliar os compromissos na Câmara Federal com a campanha e que, mantendo-se em Brasília, poderá interceder pelo município junto ao governo federal.

Alianças

Sobre os partidos para uma futura aliança, angariando apoio na Câmara de Vereadores, destacou que não vê problemas em conversar com o PMDB (do candidato derrotado, Sebastião Melo) ou com o PDT (do atual prefeito, José Fortunati).

— A gente conseguiu fazer uma campanha sem nenhum compromisso com nenhuma secretaria para partido, para sindicato, para associações. Não temos nenhum nome definido.

Nomes

O prefeito eleito foi até a Rádio Gaúcha acompanhado do vice-prefeito eleito, Gustavo Paim (PP), e de seu coordenador de campanha, vereador Kevin Krieger (PP), que deve ocupar um lugar de destaque no futuro governo.

Agenda

Depois de vencer a eleição para a prefeitura de Porto Alegre com mais de 60% dos votos válidos, Marchezan iniciou a agenda de compromissos por volta das 8h desta segunda-feira. O prefeito eleito da Capital foi dormir às 3h e acordou cedo. Antes de deixar o seu prédio, localizado no bairro Menino Deus, Marchezan foi abraçado por vizinhos. 

A vitória de Marchezan foi confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) às 19h08min do domingo. O tucano conseguiu 402.165 votos contra 262.601 do peemedebista Sebastião Melo (PMDB). Além disso, a soma de abstenções, brancos e nulos ultrapassou 433 mil votos — 30 mil pessoas a mais do que as que elegeram prefeito o candidato do PSDB.


 
 
 
 
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