Tensão na campanha

Melo defende que PF assuma investigação da morte de coordenador de campanha

Policiais não veem indício de crime, uma das razões que retirariam a apuração da morte de Plínio Zalewski da esfera estadual 

18/10/2016 - 10h45min | Atualizada em 18/10/2016 - 16h13min

No velório do coordenador de seu programa de governo, o candidato do PMDB à prefeitura de Porto Alegre, Sebastião Melo, pediu que a Polícia Federal (PF) investigue a morte de Plínio Zalewski. Abalado, o vice-prefeito chegou por volta das 10h30min desta terça-feira ao Cemitério João XXIII, onde ocorre a cerimônia de despedida, e permaneceu no local durante cerca de meia hora.

– Da mesma forma que a Polícia Federal está investigando os tiros que aconteceram no outro comitê (de Nelson Marchezan, do PSDB), entendo que essa investigação deva ser conduzida pela Polícia Federal e essa resposta deve ser dada o mais rápido possível. Nós perdemos uma vida, um grande companheiro. Estamos todos consternados, abatidos, machucados. Espero que aconteça a investigação, especialmente de um bilhete que pode ser altamente esclarecedor, que seus e-mails possam ser quebrados, o seu telefone possa ser acessado e que todos os dados possam ser aportados para uma investigação sem nenhuma ilação. Mas que as coisas possam vir à tona e serem esclarecidas – disse Melo.

Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Encontrado na tarde de segunda-feira, o corpo de Zalewski estava em um banheiro no diretório do PMDB no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. A Polícia Civil, que conduz a investigação sobre a morte do político, acredita que se trate de um suicídio. Foram encontrados uma faca e um bilhete junto de Zalewski. O conteúdo da mensagem não pôde ser identificado porque o papel estava ensanguentado.

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Melo havia conversado com Zalewski pela última vez no domingo, horas antes da sua morte. No sábado, o vice-prefeito havia pedido que o coordenador fosse a uma reunião restrita ao núcleo de campanha para definir estratégias da produção do programa eleitoral e lhe ofereceu uma carona. O coordenador disse que não seria e confirmou a sua presença. Mas não compareceu.

O encontro estava marcado para as 11h. Meia-hora depois, Melo pediu que telefonassem para Zalewski porque ele ainda não havia aparecido. Ao telefone, o coordenador limitou-se a dizer que estava redigindo um documento e que não poderia participar.

Colegas e amigos são unânimes em afirmar que o político enfrentava um momento de estresse devido à campanha eleitoral. Preocupada, a mulher do coordenador, Luciana, havia ligado para Melo uma semana antes da morte e relatado que o marido "não era mais o mesmo".

– Ele não era mais o mesmo Plínio, especialmente por causa das ações que moveram contra ele, de terem entrado no Facebook dele. O Plínio estava muito abatido. Isso é verdade – contou Melo, que passou a última noite em claro.

O vice-prefeito ainda denunciou ter sofrido perseguições:

— Tem havido campana na minha casa, na (Rua) Riachuelo (no comitê do PMDB), por onde eu ando. Isso é uma coisa fascista. Campanha política não é para isso. Campanha política é para o diálogo, para o debate. É para respeitar as ideias.

O enterro está marcado para as 14h30min. Durante a manhã, o velório restringiu-se a familiares de Zalewski e a um grupo reduzido de políticos — entre eles, os ex-deputados Beto Albuquerque (PSB) e Marcos Rolim, a vice de Melo, Juliana Brizola (PDT), e o vereador eleito pelo PMDB André Carús.

— Ele sempre teve uma posição intelectual aliada ao conhecimento que ele tinha sobre a cidade que contribuiu para a campanha decisivamente. Não é à toa que ele coordenou a formatação do plano de governo — recordou Carús. — Ele estava em um estado de estresse, mas nada que pudesse justificar o ocorrido. Sempre foi uma pessoa muito positiva e agregadora.

Em luto, PMDB e PSDB suspenderam a campanha eleitoral por 24 horas. Na quarta-feira, os trabalhos serão retomados, e o vice-prefeito pediu que a militância saia às ruas:

– Por todas as ações, mas também pela memória do Plínio, convoco toda a nossa militância (a atuar) pela paz, pela verdade, pela correção na política.

Entrevistado pela Rádio Gaúcha, o delegado Paulo Grillo, do Departamento Estadual de Homicídios, defende que a investigação permaneça com a Polícia Civil. Ele afirma que os indícios apontam para suicídio, o que não configura crime. A Polícia Federal só poderia assumir caso houvesse indício de homicídio com características de crime eleitoral. A decisão de transferir a apuração caberia à Justiça Eleitoral.

A morte de Plínio ocorre em um momento nevrálgico da campanha. O atentado a tiros ao comitê do adversário de Melo, Nelson Marchezan (PSDB),  na madrugada de segunda-feira, e a suposta invasão de integrantes da equipe tucana à sede do PMDB, no sábado, deram contornos violentos à reta final do segundo turno. A agressividade se refletia nos discursos dos dois candidatos e na Justiça Eleitoral, com pelo menos 10 ações ajuizadas pelos dois adversários — oito de autoria de Marchezan e duas de Melo.

* Zero Hora


 
 
 
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