Morte na eleição

Perícia poderá permitir ler o conteúdo do bilhete deixado por Plínio Zalewski

Técnica de análise irá separar a cor das manchas de sangue e da tinta da caneta usada para escrever nota deixada por coordenador de campanha

18/10/2016 - 16h53min | Atualizada em 18/10/2016 - 18h34min
Perícia poderá permitir ler o conteúdo do bilhete deixado por Plínio Zalewski Carlos Macedo/Agencia RBS
Caso solicitado, peritos poderão verificar também a grafia, para se certificarem da autoria do texto Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

O bilhete em tom de despedida encontrado no bolso da camisa de Plínio Zalewski, coordenador de seu programa de governo do candidato do PMDB à prefeitura de Porto Alegre, Sebastião Melo, será enviado ao Instituto-Geral de Perícias (IGP) ainda nesta terça-feira. A folha de papel contendo cerca de 12 linhas de texto e manchada de sangue será periciada na seção de documentoscopia forense do IGP.

Plínio foi encontrado morto na tarde de segunda-feira, dentro de um banheiro do comitê do PMDB, na Avenida João Pessoa, em Porto Alegre. Conforme a delegada Luciana Peres Smith, titular da 5ª Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa e que conduz a investigação da morte, todos os elementos coletados até o momento a partir de perícias e de testemunhos reforçam a tese de suicídio. O bilhete, inclusive, tem tom de despedida, conforme as autoridades.

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Segundo o diretor-geral do IGP, perito Cléber Müller, o documento passará por um processo chamado de análise espectral com emprego de luz. A luz do aparelho é regulada para revelar com destaque apenas a cor que interessa à perícia. No caso do bilhete, é a tinta azul da caneta usada por quem o escreveu. Dessa forma, outras cores que existam ao redor do texto, como o o vermelho do sangue, desaparecem.

Se a polícia solicitar, também pode ser feito o teste de autenticidade para confirmar se foi mesmo Plínio quem escreveu o texto. Para essa perícia será necessária a comparação com outros textos que com certeza tenham sido escritos por Plínio. Para isso, documentos terão de ser reunidos pela polícia e enviados ao IGP. Esse tipo de teste é mais demorado.

Quanto aos elementos que apontam para suicídio, Müller destacou que a vítima apresentava no pescoço as chamadas "lesões hesitantes", típicas em caso de suicídio com arma branca. Isso ocorre porque a pessoa faz o ferimento mais superficial e hesita, deixando assim, várias marcas. Dados preliminares da necropsia indicam o ferimento que causou a morte foi do lado esquerdo do pescoço.

Müller também explicou que suicídios por arma branca não são incomuns, apenas têm menor incidência. Uma pesquisa de 2012 com casos de suicídio ocorridos na Região Metropolitana indicou que 77,5% das pessoas optaram por enforcamento ou disparo de arma de fogo. Dos outros métodos adotados, a escolha por arma branca representa 16,4%.


 
 
 
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