Tensão na campanha

Sem indício de crime, PF não entra no caso da morte do coordenador de campanha de Melo

Policiais civis trabalham com a hipótese de que Plínio Zalewski tenha se suicidado. Corpo foi encontrado junto a bilhete e faca

Por: Vanessa Kannenberg, Débora Ely e Marcelo Kervalt
18/10/2016 - 12h49min | Atualizada em 18/10/2016 - 22h06min
Sem indício de crime, PF não entra no caso da morte do coordenador de campanha de Melo Carlos Macedo/Agencia RBS
Corpo de Plínio Zalewski foi encontrado na segunda-feira no diretório do PMDB na Avenida João Pessoa, em Porto Alegre Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Em razão das provas colhidas, ficou decidido nesta terça-feira, em decisão conjunta com a Polícia Federal, que caberá apenas à Polícia Civil a investigação da morte do coordenador do plano de governo do candidato Sebastião Melo (PMDB), Plínio Zalewski. O caso somente mudará de esfera se, no decorrer do inquérito, for levantada a hipótese de homicídio com motivação eleitoral, pois a Lei de Segurança Nacional prevê que a Polícia Federal assuma investigações em episódios de "atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político". Por ora, está sendo tratado como suicídio.

— Por enquanto não tem nada que indique algo diferente de suicídio — disse o delegado Paulo Grillo, diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). 

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Segundo o delegado, o bilhete encontrado no bolso de Plínio demonstra que o político estava sentindo-se "pressionado, perseguido e desconfortável com o contexto político", situações inerentes à função que ocupava na sociedade e que não podem ser dissociadas. 

— É um bilhete em tom de despedida, no qual ele fala da boa e da má política, que não é essa política que ele quer. Mostra-se chateado e diz que estava sendo perseguido injustamente. Fala também da família. No entanto, em nenhum momento ele acusa pessoas ou cita nomes. São reclamações de forma geral. Com isso, ele decidiu se matar, o que não configura crime eleitoral — reforça Grillo, salientando que a autenticidade do documento está sendo analisada pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) e que não há previsão de conclusão da análise.

— Gostaríamos de ter essa informação antes de concluir o inquérito (30 dias). Mas, se não for possível, a gente inclui essa informação depois — acrescenta.

Durante o velório, na manhã desta terça-feira, Melo sugeriu que a PF entre no caso com a alegação de que carros faziam campana para vigiar integrantes do diretório do PMDB, o que poderia indicar a possibilidade de assassinato. 

— Da mesma forma que a Polícia Federal está investigando os tiros que aconteceram no outro comitê (de Nelson Marchezan Júnior, do PSDB), entendo que essa investigação deva ser conduzida pela Polícia Federal e essa resposta deve ser dada o mais rápido possível. Nós perdemos uma vida, um grande companheiro. Estamos todos consternados, abatidos, machucados. Espero que aconteça a investigação, especialmente de um bilhete que pode ser altamente esclarecedor, que seus e-mails possam ser quebrados, o seu telefone possa ser acessado e que todos os dados possam ser aportados para uma investigação sem nenhuma ilação. Mas que as coisas possam vir à tona e serem esclarecidas — disse Melo.

No entanto, o delegado Paulo Grillo sustenta que relatos colhidos entre pessoas próximas à vítima corroboram com a hipótese de suicídio e afastam a possibilidade de homicídio.

Encontrado na tarde de segunda-feira, o corpo de Zalewski estava em um banheiro do diretório do PMDB no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. O enterro ocorreu às 14h30min desta terça, no Cemitério João XXIII, na Capital, ao som de Felicidade, de Lupicínio Rodrigues, tocada pela Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul, e terminou com uma longa salva de palmas. 

Ataques a tiros a comitê do PSDB na Capital serão investigados pela Polícia Federal 

A Polícia Federal (PF), que já havia aberto inquérito para apurar os ataques a tiros contra o comitê de Nelson Marchezan Júnior (PSDB) na madrugada de segunda-feira, irá seguir no caso. Após acordo firmado nesta terça-feira, a Polícia Civil, que também investigava o crime, irá remeter as provas colhidas até agora aos agentes federais. 

De acordo com a assessoria de imprensa da PF, a condução do inquérito pelo órgão se justifica com base no contexto eleitoral relacionado ao caso, além da Lei de Segurança Nacional, que prevê que a PF investigue crimes envolvendo "atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político". A PF já realizou perícia no comitê, mas não dá detalhes do andamento das investigações. 

— Vamos remeter toda a documentação para a Polícia Federal amanhã (quarta-feira) — explica o delegado da Polícia Civil César Carrion. 

A suspeita levantada pelo prefeito José Fortunati (PDT), de que o alvo seria um dos seguranças do comitê, que também seria policial civil, teve a apuração iniciada pela Civil. Conforme o prefeito, a casa do suposto policial, localizada em um bairro popular da Capital, também teria sido alvo de tiros na madrugada. Foram ouvidas pessoas ligadas à prefeitura para esclarecer a situação. 

— Não existe policial. Era um segurança — afirma Carrion, ressaltando que não foi possível confirmar ainda a possibilidade desta pessoa ter sido o alvo do ataque. 

— Não nos aprofundamos no caso. Não deu tempo. Agora é com a Polícia Federal — complementa o delegado.


 
 
 
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