Passeio de carro

Uber, Cappellari, obras da Copa... as ideias de Melo no #GaúchaMeLeva

Candidato do PMDB à prefeitura de Porto Alegre circulou pelas ruas da cidade com o jornalista da Rádio Gaúcha Daniel Scola

Por: Rádio Gaúcha
18/10/2016 - 13h07min | Atualizada em 18/10/2016 - 14h28min

Para estar próximo da cidade e de seus problemas e soluções, nada melhor do que percorrer ruas, bairros centrais e afastados, pontos estratégicos para a administração e lugares por onde circulam os moradores. Reportagem especial da Rádio Gaúcha levou os candidatos à prefeitura da Capital Nelson Marchezan Júnior (PSDB) e Sebastião Melo (PMDB) para um passeio em Porto Alegre.

De carro, o jornalista Daniel Scola circulou da Zona Norte à Zona Sul e ouviu dos concorrentes promessas e avaliações sobre diversos temas, desde a situação dos postos de saúde e das obras que atrasaram ou ainda nem saíram do papel até o trânsito e a necessidade de revitalização cultural no município.

Foram mais de 50 quilômetros percorridos com cada candidato. A cada ponto em que passavam um novo tema de interesse dos porto-alegrenses surgia das calçadas, praças e prédios históricos da cidade. As entrevistas do programa #GaúchaMeLeva foram gravadas em vídeo na semana passada.

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Confira os pontos mais relevantes abordados por Sebastião Melo:

Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

Dirige bem? (na saída de ZH)
Dirijo, mas depois que acabei tendo aquele acidente lá perto de casa (Melo capotou o carro em um sábado de manhã, na Zona Sul, em junho de 2015) não dirigi mais. Fiquei traumatizado. Saí de manhã de casa e aconteceu essa zebra. Agora, saio com a Valéria (mulher), vou de táxi, lotação.

Ciclovias (na Avenida Ipiranga)
Até 2007, (a Capital) tinha zero quilômetro de ciclovia. Estamos chegando ao fim de 2016 com 50 quilômetros. Todo e qualquer empreendimento na cidade você tem que ter contrapartida. Teremos várias nos próximos anos e vou dedicar parte dos recursos para mais ciclovias.

Arroio Dilúvio (na Avenida Ipiranga)
Se discute muito ao longo do tempo: vamos botar uma linha do aeromóvel do Centro para o Arroio Ipiranga? Tudo isso é possível. Requer planejamento e recursos. Estou convencido de que obras como essa não saem do papel com dinheiro público. Se for prefeito, vou trabalhar muito com parcerias. Não só no Dilúvio.

Saneamento (na Avenida Ipiranga)
Não basta o esgoto passar na minha rua. Tem que interligar. Vou apertar nesse problema. É um crime ter a rede de esgoto passando na porta de casa e não interligar.

Cappellari (na Avenida Ipiranga)
A regra do jogo tem que ser estabelecida. Aliás, acho irresponsável tentar desregulamentar toda organização de trânsito. Vejo meu adversário fazendo demagogia bárbara. Vou tirar fulano (se refere ao presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari). Mas é normal assumir um governo e mudar os secretários.

EPTC (na Avenida Ipiranga)
Aplicativos na cidade, sim, sem guerra ao táxi. Multas serão aos que fazem rachas. Com esses eu vou ser implacável. Uber ainda não usei, mas vou usar. Sou favorável ao Uber como todos os apps. Ajudei na construção da lei (de regulamentação, ainda não aprovada) e acho que não tem de ter guerra entre táxi e Uber. Os dois têm espaço.

Recursos e parcerias (na Avenida João Pessoa)
A obra do Araújo Vianna custou entre R$ 15 milhões e 18 milhões. É parceria. Estava fechado e hoje é dos melhores equipamentos culturais que temos na cidade. Qual o problema fazer isso no Gasômetro? Qual o problema ter parceria para as garagens subterrâneas? Se tem um banco, por exemplo, que quer fazer parceira, por que não? Tem de buscar recursos. Não pode pensar: vou no caixa da prefeitura para resolver esse problema. Não vai.

Praças (na Avenida João Pessoa)
Uma praça e um parque que não são ocupados pelas pessoas, os desocupados tomam conta. É preciso ter atividades culturais de forma permanente, com uma certa rotina. Por exemplo, a banda municipal, a Ospa (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre). Mas não pode ser só na zona central. Tem que ir para o Belém, Restinga, Praça México. A humanização dos espaços públicos enfrenta muito bem a questão da (falta de) segurança pública.

Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

Pichação (na Avenida João Pessoa)
Não há lei para caráter. Educação é na família, na escola. Esse é o desafio. E não é só do agente público. Muita gente quer transferir só para o agente público. A cidade não é do prefeito.

Trânsito (no Túnel da Conceição)
Se for prefeito, vou pegar os melhores quadros que tem na prefeitura, chamar as universidades, especialistas, para poder fazer mudanças com poucos recursos. Exemplo que acho maravilhoso é o Túnel da Conceição, que fizemos a inversão de mão da Garibaldi e funcionou muito bem.

Cais Mauá (na Avenida Mauá)
Espero que o próximo prefeito possa já de imediato, no primeiro ano, ter novidades sobre o Cais. Falo na recuperação dos galpões. E depois, a obra é uma segunda etapa que o consórcio não deu prazo. Mas com os galpões recuperados você passa a ter vida ativa no Cais do Porto.

Menos carros, mais pedestres (no Centro)
Vou alargar calçada no Centro e diminuir carros. A cidade tem de ser olhada como um todo. O Centro tem um comércio forte, tem de ter abastecimento. Mas a cidade tem de ser olhada para as pessoas. Quero aumentar as calçadas. Um deck para uma cafeteria é algo legal. Na praça Talavera dá para colocar bancos, por exemplo. Fica mais humanizado. O Largo não pode ser espaço só para estacionamento. Temos que criar alternativa porque é um largo cultural. 

Mercado Público (em frente ao prédio)
Tem muitos prédios históricos na cidade que já foram recuperados, mas muitos ainda precisam. Isso requer capricho, mas também dinheiro. Por exemplo, no Mercado Público já investimos depois do incêndio R$ 15 milhões. Praticamente a parte sinistrada volta a funcionar ainda nesse ano. Mas estamos aproveitando para fazer reformas necessárias.

Fortunati (em frente à prefeitura)
Nunca tivemos problemas. Podemos pensar diferente sobre temas, por exemplo a Dilma (Melo era favorável ao impeachment e Fortunati, contrário). Isso não nos abalou.

Diferentão (em frente à prefeitura)
Me preparei para ser prefeito, em uma história de quase 40 anos na cidade. Nesses anos de vice-prefeito, pude ajudar a governar. Mas não sou o prefeito, não tenho a caneta na mão. Sou o vice-prefeito e faço parte de um projeto. O Fogaça não é igual ao Fortunati, o Fortunati não é igual ao Fogaça e eu não sou igual aos dois.

Marchezan por Melo (em frente à prefeitura)
É um bom parlamentar. Acho que cumpre um papel importante em Brasília. Enfrenta temas que o Brasil precisa enfrentar. Mas o prefeito de uma cidade precisa de muito diálogo. Prefeito tem de ser próximo das comunidades, ouvir muito e falar menos. E nunca ter soluções prontas.

CCs (em frente à prefeitura)
Vou diminuir o governo em 30%, porque o Brasil de hoje não suporta mais. Serão menos secretarias, estrutura delas, menos CCs.

Sonha com o Piratini? (em frente ao Palácio Piratini)
Não, de jeito nenhum. Quero ser prefeito de Porto Alegre. Ponto.

Sartori (em frente ao Palácio Piratini)
Tomamos a decisão de não estadualizar nem federalizar a campanha. Falamos de temas municipais. Não tenho nenhuma restrição a que o (José Ivo) Sartori apareça, mas a campanha está pautada em temas municipais. 

Obras (na orla do Guaíba)
Tem um questionamento muito forte da cidade sobre a questão das obras. Temos dois caminhos a seguir. Ou a gente recebia a Copa e só cuidava do entorno do Beira Rio, ou a gente mudava a cidade. Tiramos obras do papel que eram necessárias para Porto Alegre.

Brizola e a Tronco (na Avenida Tronco)
Aqui é a Avenida Tronco. Esta obra está no plano diretor de 1959. Quem assinou foi o (Leonel) Brizola. Admiro Brizola. Se ele tivesse sido presidente, o Brasil era outro. Teria investimento em educação. Hoje, não somos boa referência para nada, nem educação.

Foto: Anderson Fetter / Agência RBS

Saúde (em frente ao postão da Cruzeiro)
A dor não tem fronteira, mas temos um contrato entre governo do Estado, SUS federal e município. É claro que não há atendimento de alta complexidade em todos os 497 municípios. Pelo contrato, 65% dos gastos deveriam ser com pacientes de Porto Alegre e o restante do Interior. Hoje, é o contrário. São 60% a 65% com o Interior. O sistema é compartilhado. Tu disponibilizas consultas e exames para o Interior. Mas a partir do momento que as ambulâncias chegam na emergência na Capital e absorve esse paciente, aí ele tem que ser tratado aqui. Isso significa que gente de Porto Alegre fica na fila. Para resolver, não tem outro caminho: é diálogo, bom senso, gestão e recursos.

Segurança (na Vila Cruzeiro)
Vou chamar 100 guardas municipais no dia 1º de janeiro, dia que assumir. Vamos subir a ladeira e dizer: governador, coloquei 100 guardas, que nem podia agora, estou tirando de onde não posso tirar e vim fazer um apelo para colocar mais brigadianos na cidade. Vou mandar dois projetos para a Câmara imediatamente. Um é o que cria o fundo municipal de segurança pública, e outro é o que diminui a idade para ingressar na Guarda Municipal.

Terceira Perimetral (na Avenida Carlos Gomes)
Vou abrir o corredor de ônibus da perimetral para táxi, lotação, Uber, outros aplicativos, lotações, transporte escolar.

Viadutos (na Avenida Carlos Gomes, com a Anita Garibaldi)
Tenho uma proposta bem singela e concreta para os viadutos, que já começou a funcionar. Na Assis Brasil, viaduto da Obirici, reuni a comunidade, diretora da escola, comerciantes e vimos que tínhamos sete moradores em situação de rua. Conversamos e chegamos à conclusão que a gente precisava dar uma atividade econômica para aquele lugar. Agora, tem fruteira, chaveiro, churros, floricultura. Vou fazer isso em todos os viadutos. A primeira contrapartida é cuidar do local.


Obras na cidade
Tem um questionamento muito forte da cidade sobre a questão das obras. Temos dois caminhos a seguir. Ou a gente recebia a Copa e só cuidava do entorno do Beira Rio, ou a gente mudava a cidade. Tiramos obras do papel que eram necessárias para Porto Alegre.

Terceira Perimetral
Vou abrir o corredor de ônibus da (Terceira) Perimetral para táxi, lotação, Uber, outros aplicativos, lotações, transporte escolar.

Cappellari na EPTC
A regra do jogo tem que ser estabelecida. Aliás, acho irresponsável tentar desregulamentar toda organização de trânsito. Vejo meu adversário fazendo demagogia bárbara. Vou tirar fulano (se refere ao presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari). Mas é normal se assumir um governo e mudar os secretários.

O papel da EPTC
Aplicativos na cidade, sim, sem guerra ao táxi. Multas serão aos que fazem rachas. Com esses eu vou ser implacável.

Segurança Pública
Vou chamar 100 guardas municipais no dia 1º de janeiro, dia que eu assumir. Vamos subir a ladeira e dizer: governador, coloquei 100 guardas, que nem podia agora, estou tirando de onde não posso tirar e vim fazer um apelo para colocar mais brigadianos na cidade. Vou mandar dois projetos para a Câmara imediatamente. Um é o que cria o Fundo Municipal de Segurança Pública e outro é o que diminui a idade para ingressar na Guarda Municipal.

Cargos em Comissão
Vou diminuir o governo em 30% porque o Brasil de hoje não suporta mais. Serão menos secretarias, estrutura delas, menos CCs.

Marchezan por Melo
É um bom parlamentar. Acho que cumpre um papel importante em Brasília. Enfrenta temas que o Brasil precisa enfrentar. Mas o prefeito de uma cidade precisa de muito diálogo. Prefeito tem que ser próximo das comunidades, ouvir muito e falar menos. E nunca ter soluções prontas.

*Zero Hora

 
 
 
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