Passeio de carro

Uber, Carris, privatização... as ideias de Marchezan no #GaúchaMeLeva

Prefeito do PSDB circulou pelas ruas da cidade, antes de ser eleito, com o jornalista da Rádio Gaúcha Daniel Scola

Por: Rádio Gaúcha
18/10/2016 - 13h09min | Atualizada em 30/10/2016 - 18h44min

Para estar próximo da cidade e de seus problemas e soluções, nada melhor do que percorrer ruas, bairros centrais e afastados, pontos estratégicos para a administração e lugares por onde circulam os moradores. Reportagem especial da Rádio Gaúcha levou os então candidatos à prefeitura da Capital Nelson Marchezan Júnior (PSDB) — posteriormente eleito — e Sebastião Melo (PMDB) para um passeio em Porto Alegre.

De carro, o jornalista Daniel Scola circulou da Zona Norte à Zona Sul e ouviu dos concorrentes promessas e avaliações sobre diversos temas, desde a situação dos postos de saúde e das obras que atrasaram ou ainda nem saíram do papel até o trânsito e a necessidade de revitalização cultural no município.

Foram mais de 50 quilômetros percorridos com cada um. A cada ponto em que passavam um novo tema de interesse dos porto-alegrenses surgia das calçadas, praças e prédios históricos da cidade. As entrevistas do programa #GaúchaMeLeva foram gravadas em vídeo na semana passada.

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Confira os pontos mais relevantes abordados por Nelson Marchezan Júnior:

Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

Dirige bem? (na saída de ZH)
Dirijo. No trânsito sou tranquilo. Até porque, quando estou dirigindo, ando muito com meu filho.

Ônibus (na Avenida Ipiranga, próximo à EPTC)
O transporte público precisa melhorar. Tu vais ter que sentar com as empresas de ônibus e conversar. Dialogar. E, evidentemente, tem de ter mudanças e algumas que, financeiramente, podem não ser adequadas para uma ou para outra. A Carris dá prejuízo de R$ 50 milhões. Alguém lucra com o prejuízo da Carris. E não é o cidadão. Nós vamos chegar e sentar com todas as pessoas que trabalham lá e explicar que a Carris não é para eles. A Carris é de Porto Alegre. A Carris não pode dar prejuízo.

Privatização da Carris (na Avenida Ipiranga, próximo à EPTC)
Esse é o futuro dela se continuar dando prejuízo.

Ciclovias (na Avenida Ipiranga)
Foi um avanço, mas olha o estado delas. Dos protetores e do piso. Nossa ideia é reconhecer esses avanços, que são dos servidores públicos municipais, de toda a sociedade que pagou por isso. Foi um avanço da cidade, não só dos administradores. Mas a gente pretende fazer as coisas com um pouco mais de qualidade.

Azenha (na Avenida Azenha)
Essa avenida precisa de um cuidado maior. Como algumas áreas da cidade, a Azenha cresceu sem planejamento. A demanda foi aumentando e a estrutura não foi planejada. Esse é um dos defeitos de Porto Alegre. Falta um planejamento corajoso, transparente.

Asfalto (na Rua Corrêa Lima)
O asfalto de Porto Alegre é um sinal da má aplicação do dinheiro público. A gente tem várias reclamações de asfalto que estão sendo colocados agora e que a chuva já está levando. Porque foram colocados em período eleitoral.

Trânsito (na Rua Corrêa Lima)
Acho que os espaços têm de ser um pouco mais organizados no sentido de priorizar aquilo que gera paz. E todos os estudos dizem que o que gera paz é a pessoa caminhando. Depois as ciclovias, depois transporte público e depois o individual. Essa é a linha em que a gente pretende atuar.

Morro Santa Tereza (no mirante)
Cada vez que a gente vem aqui dá uma angústia. Me cita nesses 78 quilômetros de Guaíba onde tu levarias tua família, tua mulher, teus filhos para ver o pôr do sol, ficar até o anoitecer, com conforto e segurança, que não seja lugar privado. Isso é um desperdício.

Ilhas (no Morro Santa Tereza)
A gente vai lá e vê as pessoas vivendo em condições que não são as adequadas ou a gente vê construções milionárias. Nenhuma das duas formas é a correta de explorar um espaço com essa beleza.

Orla do Guaíba (no Morro Santa Tereza)
Não quero alguma coisa só para a próxima geração. Um ano é muito tempo de vida. Para a iniciativa privada, um ano é uma eternidade. Não se buscou nenhuma PPP (parceria público-privada) para viabilizar uma orla segura e aproveitável para todos. Passei parte da vida correndo e andando de bicicleta na beira do Guaíba. Não sei se é meu local preferido, mas é um bom lugar. Também gosto muito do Centro. Para mim, que vivo muito em escritório, aquilo ali é vida. O movimento das pessoas, escutar críticas, sugestões. Tomar um café, comer um prensado.

Buraco Quente (no Morro Santa Tereza)
Os moradores não gostam que chame de Buraco Quente. É Vila Gaúcha.

Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

Segurança (na Vila Cruzeiro)
Mais do que pedir, a gente vai perguntar qual é o planejamento do Estado para a segurança pública. Porque tem de ter uma luz no fim do túnel. Tá ruim? Tá ruim! Está ruim por questões financeiras, justifica. Mas qual é o teu planejamento. O que tu vais fazer, governador? No próximo mês, nos próximos três meses, nos próximos seis. Para ver onde é que te ajudo. Estamos sendo supercautelosos em cada frase, em cada compromisso e cada projeto. Tive reunião com associação dos Comissários. Passei toda minha ideia de segurança pública para que eles validassem. Assim como vou na associação dos delegados, associações da Brigada Militar.

Guarda Municipal (na Vila Cruzeiro)
Não adianta dizer que vou fazer enfrentamento com o crime com a Guarda Municipal. Ela não é preparada para isso. Não tem rede, não tem estrutura, não tem tecnologia para isso. Vou pagar hora extra para a Brigada, que é mais viável.

Obras (na Avenida Tronco)
Para fazer uma obra tu tens de ter o planejamento de arquitetura e engenharia, que é o mínimo. Isso a gente não teve em Porto Alegre. A segunda questão é o planejamento financeiro. Tem de saber se vai conseguir pagar, de que forma e quando.

Centro (chegando à Avenida Salgado Filho)
O Centro tem de ser limpo, as calçadas hoje não são locais onde pessoas com deficiência possam se locomover com segurança. Crianças e idosos têm dificuldades porque (o passeio) é absolutamente irregular, cheio de andares, de buracos.

Piratini (em frente ao Palácio Piratini)
Vindo para ser prefeito, meu foco é nos quatro anos de gestão. A dedicação que vai ser exigida é tão grande que acho que nem vou querer a reeleição. Vou fazer meu papel e quero entregar uma coisa muito boa para o meu sucessor.

Governos quebrados (em frente ao Palácio Piratini)
O governo federal está quebrado por causa da forma como se relaciona. O governo estadual está absolutamente quebrado. E ao que tudo indica a prefeitura está quebrada. E não vou largar um mandato onde acho que tenho sucesso para vir fazer mais do mesmo aqui, porque aí também vou me quebrar.

Yeda Crusius (em frente ao Palácio Piratini)
Não tem relação entre nós dois (Marchezan e Yeda Crusius). Não nos damos bem. (Sobre a possibilidade de Yeda assumir vaga na Câmara caso Marchezan seja eleito prefeito) diria que o benefício é que Porto Alegre é tão grande que esse prejuízo é pequeno perto do benefício. Para a Câmara, me perder é um prejuízo, modéstia à parte.

Os 13 CCs (na Praça da Matriz)
Sou o deputado que, provavelmente, dos 513, inclusive os do PMDB, tem menos funcionários no gabinete. Tenho 13 de 25 (permitidos).

Foto: Anderson Fetter / Agência RBS

Mercado Público (em frente ao prédio)
Isso aqui é o exemplo da prefeitura. Olha aí. Um prédio maravilhoso que é o Mercado Público, sujo, mal conservado, com as reformas inacabadas há três anos e meio. O local que é um passeio de cheiros, de cores, de história. Desocupada toda a parte superior por uma burocracia.

Salário (em frente à prefeitura)
Meu salário vai diminuir, e vivo do meu salário, não tem "por fora", não tem "trampinha". Vou perder imunidade e foro privilegiado. Sou um cara de pavio curto e brigão, né? Isso (o foro privilegiado) é importante às vezes. Mexo com algumas estruturas que... (risos)

Prefeitura é o troféu? (em frente à prefeitura)
Não. Acho que é uma responsabilidade, uma grande responsabilidade.

Melo por Marchezan (em frente à prefeitura)
Tinha uma relação com o Melo e outra imagem do Melo. Nesse 2º turno e no final do 1º turno, o que ele está fazendo não é leal. Tenho um filho, mãe, pessoas que assistem aos comerciais. A qualquer um machucaria.

Câmara Municipal (em frente à prefeitura)
Não critico a relação partidária, nem a relação política nem a relação com os vereadores. O que critico é a forma. Não tem como um prefeito eleito não se relacionar com os vereadores que foram legitimamente eleitos. Tem de se relacionar.

As unhas da corrupção (em frente à prefeitura)
É impossível não ter corrupção no setor público. Na padaria tem corrupção no caixa se tu não controlar. Corrupção é que nem unha. Tem que estar cortando sempre. Está sempre com tendência de crescer.

Políticos (em frente à prefeitura)
Tem uma expressão que diz que político é que nem tartaruga em cima de poste. Todo mundo sabe que a tartaruga não chegou lá sozinha. Alguém botou lá. Político também. Alguém botou lá. A sociedade tem uma parte de responsabilidade sobre os seus políticos.

Pede pra sair! (em frente à prefeitura)
Aqueles que desejarem e conseguirem com a sua competência assumir um cargo, independentemente de serem filiados, terão de ter desprendimento no segundo, terceiro ou quarto mês de pedir para sair se não atingirem as metas ou aquilo que foi combinado. 

*Zero Hora

 
 
 
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