Disputa

Conservadores temem pelo futuro do Partido Republicano se Trump perder eleição

Parte da classe operária da Pensilvânia considera que o magnata pode devolver aos Estados Unidos os empregos transferidos para outros países e revolucionar Washington

Por: AFP
07/11/2016 - 11h44min
Conservadores temem pelo futuro do Partido Republicano se Trump perder eleição MOLLY RILEY/AFP
Foto: MOLLY RILEY / AFP  

A classe operária mais conservadora da Pensilvânia considera Donald Trump um salvador que pode devolver aos Estados Unidos os empregos transferidos para outros países e revolucionar Washington. Entretanto, temem seriamente pelo futuro do Partido Republicano em caso de derrota do candidato.

Os homens e mulheres que moram nas localidades industriais da Pensilvânia, no leste dos Estados Unidos, e em outros Estados com presença da mineração e indústria foram classificados por Barack Obama, em 2008, como americanos "amargurados que estão aferrados às armas ou à religião".

Oito anos depois, com a disputa pela Casa Branca chegando ao último dia de campanha, o desprezo permanece na memória de muitos eleitores nas áreas rurais do Estado, que se consideram cada vez mais afastados das decisões de Washington.

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Trump é, para os conservadores, o provocador magnata imobiliário que atacou a classe política com uma campanha eleitoral de confronto, em que venceu 16 pré-candidatos republicanos. Ao atuar desta maneira, ele provocou um abismo entre os líderes republicanos e milhões de militantes da base.

Se Trump vencer em 8 de novembro, o partido passará a contar com a sua influência — uma esmagadora tomada de poder político que poderia mudar por décadas o cenário do conservadorismo americano. Em caso de derrota, os republicanos enfrentarão o desafio de reconstruir o partido e curar as feridas.

Alguns apoiadores de Trump sugerem abertamente a possibilidade de que muitos seguidores do ex-apresentador de reality shows abandonem o partido.

— Duvido que desejem retornar ao curral — disse Ken Bleistein, 66 anos, em Hershey, Pensilvânia.

O aposentado afirmou que não ficaria surpreso se os simpatizantes mais conservadores de Trump — contrariados com dirigentes como Paul Ryan, presidente da Câmara de Representantes, que deram as costas ao polêmico candidato — deixassem o partido em uma tentativa de retomada do controle sobre o rebanho descontente.

Ofensa

A Pensilvânia se considera particularmente ofendida, considerando que o Estado perdeu muitos empregos nas indústrias e tem uma taxa de desemprego maior que a média nacional.

Nenhum candidato republicano à Presidência vence no Estado desde 1988. As áreas rurais são conservadoras, mas a metrópole majoritariamente democrata da Filadélfia cresceu nos últimos anos.

Entre os eleitores entrevistados em Hershey, todos expressaram diferentes níveis de indignação com o Partido Republicano por negar um apoio integral a Trump ou por não cumprir algumas promessas, como a de revogar a reforma da saúde de Obama mesmo com maioria no Congresso.

"Revolução"

— Se deslocaram para o centro, fizeram um pacto e isto deixou a massa conservadora inquieta. Sinto que temos que voltar aos nossos princípios e lutar por aquilo que acreditamos que é correto — afirma Roger Springer, de 67 anos, membro de uma cooperativa de produtores de batatas que considera Trump o homem adequado para a missão.

Springer afirma que os apelos por uma revolução por manifestantes irritados é algo exagerado, mas que terá consequências no partido.

— Vai acontecer uma revolução. Se você é republicano, não abandona os republicanos. Estou falando de que nos devolvam o país. Custe o que custar. Votar não funciona — afirma o operário Wayne Hess, 56 anos, acreditando que o partido permanecerá unido.

Futuro do partido

Indignados e adotando um compromisso frágil com os princípios conservadores tradicionais, muitos republicanos falam abertamente em abandonar o partido porque os dirigentes não aceitaram Trump.

Um sentimento coletivo de perda e vitimismo poderia levar os fãs de Trump a dividir o partido e prejudicar suas possibilidades de conquistar a Presidência no futuro, afirma Saladin Ambar, diretor do departamento de Ciências Políticas na Universidade de Lehigh.

— Talvez não morra e desapareça com os Whigs — disse, em referência ao partido de curta vida do século XIX. — Mas poderia morrer como partido relevante em uma eleição nacional.

A coordenadora da campanha de Trump, Kellyanne Conway, se negou a considerar a possibilidade de uma derrota. Ela afirmou à AFP que o candidato "trabalha para unificar o partido", muito mais que os republicanos que se negaram a apoiar sua campanha.

Ao falar sobre os conservadores que pensam em abandonar o partido, disse: 

— Não deveriam fazer isto. Não há um espaço confortável para eles no Partido Democrata.


 
 
 
 
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